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Samba: a humanização do imigrante ilegal
CINÉFILOS
09 jun 2015 | Por Jornalismo Júnior

Carolina Ingizza
carol.ingizza@gmail.com

Já na primeira cena, temos uma sequência curta que começa passando por uma luxuosa festa de casamento, seguimos os garçons brancos e bem vestidos enquanto levam o bolo para a cozinha organizada, ouvimos o chefe esbravejando ordens e depois chegamos ao fundo, onde somente homens negros estão lavando a louça em silêncio, separados do resto dos cozinheiros. Desde o início, Samba (Samba, 2015) nos mostra a que veio. O filme tenta problematizar, de uma maneira leve, a questão dos imigrantes africanos na Europa.

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A história é sobre Samba (Omar Sy), um senegalês que mora há 10 anos ilegalmente na França. Ele vive com seu tio, que reside legalmente no país, e trabalha em restaurantes para poder juntar dinheiro e enviar para sua família na África. Quando tenta conseguir autorização do governo francês para regularizar sua situação, é detido.

Durante a sua estadia na prisão é que entra em contato com Alice (Charlotte Gainsbourg), uma alta executiva que, durante uma licença médica por conta de uma crise nervosa, foi trabalhar numa ONG que ajuda imigrantes. Há um interesse mútuo imediato entre eles, refreado por conta dos conselhos de Manu (Izïa Higelin), que explica que os funcionários da ONG não devem se envolver com os imigrantes. Mas eles invariavelmente se aproximam, e conforme ela a ajuda com o processo de imigração, ele a ajuda com suas questões psicológicas.

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O filme segue num ritmo de comédia romântica, nos mostrando o cotidiano de Samba enquanto aguarda por uma maneira de obter visto permanente. Após a detenção, não consegue emprego por estar sem documentos, tendo que recorrer a identidades falsificadas e se submeter a qualquer trabalho. Durante esse período desempregado, conhece Wilson (Tahar Rahim), um imigrante brasileiro que torna-se seu companheiro.

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Com situações e falas muito engraçadas, o longa é sempre sutil ao fazer suas críticas, que se dão, em sua maioria, nas cenas de busca por emprego. Mostrando a realidade dos imigrantes, que, sem opção, tem que se estapear para conseguir uma vaga de coletor de recicláveis ou limpador de janelas, por exemplo. Utilizando da fotografia, que alterna de cores frias para quentes, e da trilha, mudando do instrumental para Jorge Ben Jor, Gilberto Gil e Bob Marley, para demarcar a mudança no tom da obra, que é ora crítico, ora alegre.

Sendo eficaz no desenvolvimento dos arcos dramáticos, com boas atuações, especialmente a de Charlotte Gainsbourg, Samba só peca em algumas sequências em que o humor fica muito exagerado, destoando do resto da obra. Como, por exemplo, na cena do andaime (exposta parcialmente no trailer), em que Wilson resolve dançar sensualmente enquanto limpa as janelas de um edifício repleto de mulheres. Desnecessária para o desenvolvimento da história, contribuindo para a estereotipização do personagem, ela beira o ridículo.
Conseguindo equilibrar o drama, o romance e a comédia, ainda que com alguns exageros, Samba merece ser visto. Sua crítica social filmada de uma maneira bem-humorada, sem nunca ser pedante ou incisiva de mais, valoriza o longa, mostrando que os diretores Eric Toledano e Olivier Nakache, de Os Intocáveis (Intouchables, 2011) são ótimos em tratar de temas pesados com leveza.

Confira o trailer:

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O Cinéfilos é o núcleo da Jornalismo Júnior voltado à sétima arte. Desde 2008, produzimos críticas, coberturas e reportagens que vão do cinema mainstream ao circuito alternativo.
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