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Segundo Tempo: um presente ao torcedor palmeirense, um convite aos outros
CINÉFILOS
23 jan 2020 | Por Mariana Carrara (marianacarrara@usp.br)

Após ser eleito melhor filme no 9º Festival CINEfoot, passar pelo 15º Festival 11MM, em Berlim, e  chegar ao 35º FICTS de Milão, o documentário Segundo Tempo (2017) chega ao Brasil. A obra, que dá sequência ao Primeiro Tempo, engloba toda a trajetória da transformação do Palestra Itália em Allianz Parque, incluindo o último jogo, a demolição e a construção até a inauguração no primeiro jogo oficial. 

O documentário acompanha todos os 4 anos da obra no estádio palmeirense e revela a sua grandiosidade, seus momentos tensos e perigosos. O diretor Rogério Zagallo expôs que o objetivo não era ser informativo, mostrando a data de cada acontecimento, mas realmente transmitir essa transformação do antigo ao novo. E conseguiu. 

“O estádio foi se transformando junto com a cidade, com o bairro, com o futebol, mas se manteve sempre no mesmo local. Isto tornou esta relação do torcedor palmeirense com seu estádio um caso muito especial. A história segue, o palco sagrado continua lá, se adaptando às transformações de cada época”, comenta o diretor.

Fachada do Palestra Itália foi mantida no local para relembrar aos transeuntes que ele era ali. [Imagem: Ernesto Rodrigues/Folhapress]

Com depoimentos emocionantes de torcedores, ex-dirigentes e ex-jogadores, como Ademir da Guia, Evair, Oberdan Catanni, Marcos, entre outros, o documentário revela a preocupação de todos de que uma parte da história do time, e suas próprias histórias, seriam apagadas com a demolição do antigo estádio. Mas à medida que eles vão vendo o desenvolver da obra, e o novo estádio ganhando forma, reconhecem a grandiosidade do que está sendo construído. Cada fala, cada história desses ex-jogadores, emociona não só ao espectador palmeirense e revela o quanto o Palmeiras significa para cada um deles.

Assim como Primeiro Tempo tinha o objetivo de transformar a ação de ir ao estádio em uma experiência cinematográfica, Segundo Tempo o faz com a obra. A exploração bem feita de luzes, sombras, som das máquinas e da torcida colabora para isso. A equipe acompanhou de perto por anos e conseguiu passar de forma magnífica ao espectador o que significou todo aquele período de construção.

Um ponto a ser destacado é que Zagallo opta por repetir o que fez na primeira parte do documentário e registra o primeiro jogo ao redor do Allianz Parque, desde o nascer do sol até o apagar do último holofote. Com isso, o filme mostra toda a concentração da torcida, a celebração de perto, as reuniões nos bares, mesmo daqueles que não conseguem financeiramente assistir ao jogo dentro do estádio. 

Questão importante a ser levantada, já que o cerco dos estádios pela PM em dias de jogos está cada vez mais comum nos estádios brasileiros. Desde 2017, o próprio Allianz sofre com isso e tem a circulação de pessoas que não sejam moradoras da região, ou que não carreguem consigo o ingresso para entrar, proibida na Rua Palestra Itália (que fica ao lado do estádio). 

Torcedores que não conseguiam ingresso para os jogos se reuniam na rua e nos bares da região. [Imagem: Movimento Ocupa Palestra]

Segundo Tempo conta um pouco a história do time e revive a chama do torcedor palmeirense. Para o não palmeirense, o filme é uma experiência. Uma que vai fazê-lo conhecer a história do clube e refletir sobre  o que é ir no estádio e o que significa ser torcedor, seja qual for a equipe que ele torce. 

O longa terá exibição a partir do dia 23 de janeiro no Itaú Cinemas do Bourbon Shopping (São Paulo) por, no mínimo, uma semana ― a depender do público, a exibição pode se estender. A partir de 24 de fevereiro, Segundo Tempo estará disponível nas plataformas digitais. Confira o trailerhttp://vimeo.com/375679566

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O Cinéfilos é o núcleo da Jornalismo Júnior voltado à sétima arte. Desde 2008, produzimos críticas, coberturas e reportagens que vão do cinema mainstream ao circuito alternativo.
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