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Sobre policiais do além e comida indiana
CINÉFILOS
25 set 2013 | Por Jornalismo Júnior

Logo na primeira cena de R.I.P.D. – Agentes do Além (R.I.P.D., 2013) – mais uma adaptação dos quadrinhos para o cinema – percebemos não se tratar de um filme de ação convencional. Ou pelo menos, não se trata de um filme lá muito sério. O longa conta a história de Nick (Ryan Reynolds), um jovem policial que é assassinado durante uma missão e, depois de morto, é convidado a se juntar ao R.I.P.D (Rest In Peace Department), o Departamento Descanse em  Paz.  No R.I.P.D., se torna parceiro de Roy, um cara durão que viveu no Velho Oeste – muito bem interpretado por Jeff Bridges (de O Grande Lebowisk – The Big Lebowisk, 1998 – e Coração Louco – Crazy Heart, 2009).

Roy e Nick, parceria que se tranforma em amizade ao longo do filme

Roy e Nick, parceria que se tranforma em amizade ao longo do filme

Juntos, têm a missão de capturar espíritos maus – os ”desmortos” – os quais, depois de morrerem, permaneceram escondidos na Terra, fugindo do julgamento. Na Terra, porém, como Nick e Roy já morreram, a dupla ganha disfarces para poderem se misturar entre as pessoas sem ninguém perceber. Assim, o lado cômico do filme começa a aflorar. Enquanto Roy se transforma em uma loira bonitona, Nick vira nada mais nada menos do que um velhinho chinês.

Os disfarces de Nick e Roy na Terra

A tarefa, a princípio, parece simples. Identificar os chamados “desmortos”, provocar a sua transformação e capturá-los. A transformação dos desmortos é um dos momentos mais malucos do filme. Apesar de parecerem humanos de verdade, os desmortos são gigantescos monstros desformes que só voltam a seu estado natural quando sentem o cheiro ou ficam muito perto de comida indiana.

No entanto, algo maior começa a se desenvolver. Quando ainda estava vivo, Nick e seu colega de equipe, Hayes (Kevin Bacon), haviam encontrado no esconderijo de alguns criminosos alguns pedaços de ouro. Ao invés de entregarem como prova, no entanto, guardaram para si mesmos. Mas, enquanto Nick, arrependido, pretendia devolver a sua parte, Hayes não pensava exatamente assim. Descobre-se então que este ouro fazia parte de um artefato o qual,  ao ser reunido com suas outras peças, revertia o caminho da morte, tornando possível a volta dos mortos para a Terra. Nick e Roy partem então literalmente para uma caça ao tesouro, procurando reunir todos os pedaços do artefato – evitando que caia nas mãos dos “desmortos” – e investigar qual a sua relação misteriosa com Hayes.

O enredo, apesar de se mostrar um tanto confuso e cheio de elementos, vai se desdobrando e consegue dar conta de todos os mistérios em tempo – o que provoca, aliás,  certa curiosidade e prende o espectador. Que a história é um tanto mirabolante, porém, não dá para se negar. Chega a ultrapassar certos limites – quando apela para elementos como o sacrifício humano, por exemplo -, ao mesmo tempo em que faz uso de uma série de clichês e recursos bastante previsíveis.

As ideias são criativas, mas completamente bizarras e um tanto inusitadas. São estes elementos os quais, apesar de tudo, tornam o filme no mínimo engraçado. A produção é de qualidade – as cenas, filmadas de modo a combinar com o 3D, trazem ângulos diferentes, e os efeitos fazem jus a um filme de ação. Entretanto, não se deve esperar muito do enredo quanto à inovação. Ele gira em torno dos mesmos princípios de qualquer outro filme de ação, mas carrega uma pitada de comédia e bom humor, ficando mais leve e divertido. Para quem gosta de uma aventura agradável – sem nada de muito extraordinário – será uma boa pedida.

Por Victória Pimentel
vic.pimentel.oliveira@gmail.com

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O Cinéfilos é o núcleo da Jornalismo Júnior voltado à sétima arte. Desde 2008, produzimos críticas, coberturas e reportagens que vão do cinema mainstream ao circuito alternativo.
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