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Som, fúria e repeteco
CINÉFILOS
23 nov 2010 | Por Jornalismo Júnior

“Você Vai Conhecer o Homem dos Seus Sonhos” (You Will Meet A Tall Dark Stranger) é mais uma comédia romântica de Woody Allen. Nem demais, nem de menos. Um roteiro simples, que mistura romance, comédia e drama, capaz de refletir angústias, paixões e ambições humanas como poucos outros. Apesar de fiel ao seu objetivo (pois retrata sutilmente e com perspicácia a condição de ser humano), a trama é um mais do mesmo no quesito Woody Allen.

O filme gira em torno de dois “casais”. Alfie (Anthony Hopkins) e Helena (Gemma Jones), divorciados e idosos, estão em busca de algo para suprir o que foi perdido na juventude e na separação, respectivamente. Alfie, que deixou Helena após quase 20 anos de matrimônio, tenta afastar o peso da sua idade já avançada com muita musculação e um relacionamento com a prostituta “de luxo” Charmaine (Lucy Punch). Helena, por sua vez, encontra nas premonições otimistas de uma vidente charlatã seus motivos para continuar vivendo.

O outro casal é Roy (Josh Brolin) e Sally (Naomi Watts), filha de Alfie e Helena. Casados e insatisfeitos: uma união cheia de desentendimentos – entre os quais se ressalta a vontade de Sally ter um filho, enquanto Roy, veementemente, nega. Sally se sente apaixonada por seu novo patrão, Greg (Antonio Banderas), um típico mulherengo. Roy, escritor frustrado e de um livro só, inicia uma fixação por sua vizinha Dia (Freida Pinto), uma bela e misteriosa mulher de vermelho.

Woody Allen expõe essas paixões e o desespero dos personagens. Todos, sem exceção, parecem movidos pelo desejo, seja o de ser apreciado, de ser amado ou de ser rico e famoso. Nessa busca incansável por realização, os personagens se atropelam, perdem escrúpulos e se mostram egoístas.  Ou seja, são essencialmente humanos.

“Você Vai Conhecer o Homem dos Seus Sonhos” retoma a fase londrina de Allen, juntando-se a filmes como “Ponto Final – Match Point”, “O Sonho de Cassandra” e “Scoop – O Grande Furo”. Uma produção cinzenta, tanto no sentido da paisagem inglesa quanto do roteiro, o qual é dramático e reflexivo, apesar dos toques de um humor irônico e ácido.

“A vida é cheia de som e fúria e que, no fim, não significa nada”. A frase de Shakespeare não só é citada pelo narrador, como também encaixa perfeitamente no filme. Afinal, para que adianta tanta ambição e desejo se, no fim da vida, acabaremos todos conhecendo um desconhecido alto e sombrio? Essa é a pergunta que essa última realização de Woody Allen nos deixa. A questão, entretanto, é saber até quando o brilhante diretor vai sustentar e repetir esse mesmo discurso.

Por Shayene Metri

Cinéfilos
O Cinéfilos é o núcleo da Jornalismo Júnior voltado à sétima arte. Desde 2008, produzimos críticas, coberturas e reportagens que vão do cinema mainstream ao circuito alternativo.
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