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Somente o Mar Sabe: um filme que faz refletir sobre a solidão e a mentira
CINÉFILOS
26 abr 2018 | Por Jornalismo Júnior

No ano de 1968, um empresário britânico chamado Donald Crowhurst se lançou a uma aventura improvável em alto mar. Sua história, de tão impressionante, chamou a atenção do famoso cineasta inglês James Marsh, que decidiu recriá-la cheia de cores e drama. Somente o Mar Sabe (The Mercy, 2018) é uma obra que começa parecendo um grande clichê, e termina emocionando quem decide assisti-la.

Donald Crowhurst (Colin Firth) nunca velejou. Sua rotina, em uma cidade pequena da Inglaterra em 1968, era a criação e venda de objetos marítimos para a sua empresa – objetos que ele nunca tinha usado de verdade. Chega um dia, então, que um famoso capitão de sobrenome Chichester volta de uma viagem espetacular em que, sozinho em um barco, ele deu a volta ao mundo parando apenas uma vez em solo. Após a sua fama, uma competição ainda mais ambiciosa é lançada a marinheiros – a chamada Golden Globe Race: aquele que desse a volta ao mundo, sem parar nenhuma vez em terra firme, ganharia uma quantia de 5 mil libras como prêmio.

É a partir daí que se inicia toda a trama. O começo do filme é permeado por incontáveis frases de efeito e idealizações, e são elas que tornam, aos olhos dos personagens do filme, a participação de Donald na competição algo viável – mesmo que ele nunca tivesse entrado em um barco antes. “Sonhos são as sementes da ação”, “deixe suas incertezas aqui em terra firme e leve os seus sonhos para o mar”, “a vida precisa ser vivida, então precisamos fazer algo para dar significado a ela”; esses são só alguns exemplos. E é assim, com argumentos infantis encaixados em frases bonitas, que o personagem principal deixa a mulher Clare (Rachel Weisz) e seus três filhos ao partir para o mar, pensando que no dia em que voltasse os filhos o veriam como um herói – e sua empresa não iria à falência.

 

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Clare e seus filhos esperando a volta de Donald. Imagem: Divulgação

Ele vai embora com atraso em relação aos outros competidores, e sem saber guiar bem o barco que construiu. A cena de sua partida é colorida quando há pessoas comemorando sua decisão, e cinza quando ele está sozinho – como se, angustiado, ele soubesse que sua escolha teria más consequências. Já não havia volta: coisas demais haviam sido colocadas em jogo, e ele se viu indo para o nada cheio de incertezas e dissimulações.

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Donald e sua angústia ao se ver sozinho no mar. Imagem: Divulgação

Do mesmo diretor de A Teoria de Tudo (The Theory of Everything, 2015), o filme Somente o Mar Sabe é sobre um homem que se lançou ao mar desejando desde o início o dia de sua volta – o dia em que se tornaria uma lenda. Quebrando várias das expectativas criadas no início, o filme surpreende pelas reflexões trazidas e pela profundidade com a qual o tema é tratado. Embora tenha diálogos muito fantasiados (como uma fala de Clare para a imprensa no final do filme), repleto de frases impactantes, o filme cumpre bem o seu papel reflexivo e também visual de trazer à tona a aventura de Donald Crowhurst.

Somente o Mar Sabe estreia dia 26 de abril de 2018 nos cinemas. Confira o trailer:

por Lígia de Castro
ligiaadecastro@gmail.com

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O Cinéfilos é o núcleo da Jornalismo Júnior voltado à sétima arte. Desde 2008, produzimos críticas, coberturas e reportagens que vão do cinema mainstream ao circuito alternativo.
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