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Star Wars – Troopers da Morte: uma viagem ao lado extremo e negro da Força
SCI-FI
27 dez 2018 | Por Jornalismo Júnior

Por Karina Merli (karina.merli@gmail.com)

Foto: Wender Starlles/Audiovisual – Jornalismo Júnior

Um bom fã de Star Wars adora quando surge uma história paralela à saga. Star Wars – Troopers da Morte é uma dessas, ou seja, faz parte do Universo Expandido e ainda tem o selo Legends, podendo ser ou não uma lenda de Star Wars. A obra foi lançada em 2009, mas só chegou no Brasil em 2015 pela Editora Aleph e é uma leitura viciante! Joe Schreiber é o responsável por este grande poder de leitura. Os capítulos curtos com finais que dão ar de continuidade são fundamentais.

A história e as impressões no leitor

Logo nas primeiras páginas, já é possível mergulhar no universo de Star Wars com um visual do espaço e, para a surpresa de quem abre o livro, acompanhado de um marcador de páginas em formato de sabre de luz. Uma surpresa que, aliás, deixa qualquer fã muito histérico e feliz.

 

Sabre de luz como marcador de páginas. Imagem: Karina Merli/Audiovisual – Jornalismo Júnior

Estamos há um ano da Batalha de Yavin, que ocorre no “Star Wars: Episódio IV — Uma Nova Esperança”, dentro da nave-prisão Purgação — o nome não é convidativo e não por acaso. Nela estão cerca de 500 presos, dentre eles bandidos, rebeldes e assassinos que esperam chegar ao seu destino final.

Algumas páginas à frente, o leitor é apresentado às personagens principais: os prisioneiros Aur Myss (Delfaniano), Kale e Trig Longo (irmãos adolescentes); o capitão da guarda, nave-prisão imperial Purgação, Jareth Sartoris; e os principais responsáveis pela enfermaria, Waste — droide-cirurgião 2-1B — e a médica-chefe, Zahara Cody.

Durante a leitura dos capítulos, é possível saber um pouco do passado da maioria deles e como isso afetou a personalidade deles. No primeiro capítulo, o autor explora a história dos irmãos adolescentes Kale e Trig Longo. Ambos foram presos com o pai, Von Longo, falecido duas semanas antes desta história começar. A forma como ele morreu, porém, só fica claro para o caçula Trig já nos capítulos finais do livro. A família era contrabandista e vivia em Cimarosa.

No decorrer dessa viagem ao passado dos irmãos, o leitor vai ficando a par de como é o ambiente na nave-prisão, sua estrutura e seus prisioneiros assustadores. Dentre eles se destaca Myss. O Delfaniano é descrito como uma figura de sorriso torto e repleto de piercings, cada um representando algum outro líder da Gangue dos Rostos morto por ele. Tamanha horripilância acaba sendo interrompida quando a nave parade funcionar.

A quebra se dá no meio do espaço para desespero de muitos dos tripulantes. Mas a esperança habita em um destróier estelar próximo, que, aparentemente, tem cerca de 10 a 12 tripulantes vivos — o que soa estranho — e pode ser a saída para se encontrar as peças necessárias para o conserto do propulsor da Purgação. Uma equipe de inspeção é enviada à nave abandonada, sob o comando de Sartoris. No entanto, só metade dela retorna.

A parada da nave repercute entre os presos que ali estão. Schreiber aproveita a ocasião para nos contar a história de Zahara, uma moça de família abastada que está prestes a desistir do cargo, após a morte de Longo. Nem mesmo a sua família, na concepção da doutora, via com bons olhos o seu trabalho na nave-prisão. Soava como uma aventura, que logo acabaria.

No capítulo seguinte se inicia uma história de terror, medo e um tanto nojenta: uma doença grave atingiu a equipe, após a inspeção no destróier, e rapidamente se espalha por toda a nave-prisão.

A morte de um deles é descrita da seguinte maneira: “O rosto do guarda havia passado para um pálido quase translúcido, e os olhos tinham virado para dentro da cabeça enquanto o restante do corpo sacudia e chacoalhava erraticamente, como se respondesse a uma corrente elétrica de alta voltagem. Então, sem aviso, ele caiu de costas, a boca abriu-se e emitiu um grunhido incompreensível, e um jorro quase sólido de sangue arterial brilhante disparou para o alto feito um gêiser.”

Em pouco tempo, poucos sobrevivem e enfrentam mais um problema: a volta dos mortos à “vida”.  Uma possível cura é descoberta pelo droide Waste, e a doutora Cody parte em direção aos poucos sobreviventes, para tentar mantê-los sãos e salvos. O primeiro ponto de sua expedição é as solitárias, a segunda que se abre é de – pasmem – Han Solo e Chewbacca.

Algo um tanto inédito no livro é a exploração dos pensamentos do Chewie, em uma oportunidade apenas. Além disso, é neste momento que o autor ilustra como a doença se propaga na espécie dos Wookiees, algo inusitado, porém, uma sacada brilhante. A leitura, por ter uma descrição muito rica, pode mexer um pouco com o estômago e com o horror de algumas cenas. Como destaque está a do pequeno Wookiee, que corta o coração de qualquer um. Há também a maldade de Sartoris, que é de tirar do sério.

A forma como a doença afetou os tripulantes da nave-prisão permite com que as personagens principais se relacionem ao longo da história. Todos com um único objetivo: sair dela. Em meio a isso, é possível compreender como essa mazela e o Império se relacionam.

Em alguns momentos é possível dar uma risadinha ou outra. Schreiber teve muito cuidado ao trabalhar isso, já que é uma história bastante pesada. Um outro ponto que o autor soube destacar e familiarizar foi Han Solo. A personagem age e fala exatamente como a conhecemos, o que dá uma intimidade muito bacana para quem é fã da saga.

Neste maravilhoso livro escrito por Joe Schreiber ainda enxergamos muito dos princípios de Star Wars: a família, a redenção, a impiedade do Império. A leitura flui muito rapidamente, quando o leitor se dá conta, já devorou muitas páginas. Como supracitado, os detalhes e o final de cada capítulo com ares de não acabados, motiva uma leitura contínua e imensamente satisfatória!

 

Joe Schreiber soube trabalhar personagens já conhecidas e mostrá-las de forma inusitada. Imagem: Wender Starlles/Audiovisual – Jornalismo Júnior

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