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Surpresas e nó na língua
CINÉFILOS
03 jul 2008 | Por Jornalismo Júnior

Mariana Franco

O filme Do Outro Lado (Auf Der Anderen Seite), do diretor Fatih Akin (Contra a Parede e Atravessando a Ponte – O Som de Istambul) começa de maneira a esperarmos uma história, apesar de interessante, um tanto comum. A grande sacada é que inesperadamente a história toma outros rumos, saindo da narração linear pela esfera de uma das personagens, e ganhando novos conflitos e focos de interesse. Não é exagero dizer que o filme, vencedor por melhor roteiro em Cannes 2007 e no European Film Awards 2007 (entre outros), é surpreendente.

O jovem professor Nejat (Baki Davrak) não aprova o relacionamento do pai viúvo com a prostituta Yeter (Nursel Koese), mas simpatiza com ela ao descobrir que envia dinheiro para a Turquia a fim de pagar os estudos da filha, Ayten (Nurgül Yesilçav). A morte súbita de Yeter afasta pai e filho e faz com que Nejat vá para Istambul, decidido a encontrar Ayten e custear-lhe os estudos. A jovem, porém, é ativista política e foge para a Alemanha. A partir daí quebra-se a linearidade da história e o foco muda para a jovem Ayten.

O filme tem coincidências e desencontros daqueles que só acontecem no cinema, à beira do clichê; e várias cenas análogas, que nos dão a impressão de ter dejá-vus durante a sessão (e estes parecem quase ironia da direção com as personagens). Mais que desencontros e ironias, entretanto, o filme toca no fundo em questões extremamente sensíveis, de relações entre pais e filhos, brigas e reconciliações, amadurecimento, crescimento, amor e perda de pessoas queridas. Tudo isso em contraste com uma abordagem dura e seca, de pedra e areia, como as paisagens da Turquia que emolduram a ação. A câmera é na maior parte do tempo fixa e distante, retratando os conflitos e as emoções de longe, como um observador externo.

Com os diálogos desenrolando-se em alemão e turco, a impressão para os ouvidos é de um verdadeiro estranhamento, contribuindo ainda mais para tirar o filme do lugar-comum. Destaque curioso para a cena em que aparece um freezer de sorvetes idêntico aos da Kibon, mas com a marca (turca?) Algida.

Estréia: 04 de julho de 2008

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O Cinéfilos é o núcleo da Jornalismo Júnior voltado à sétima arte. Desde 2008, produzimos críticas, coberturas e reportagens que vão do cinema mainstream ao circuito alternativo.
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