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A dança que fascina e aterroriza
CINÉFILOS
09 abr 2019 | Por Cinéfilos

Por André Netto
andrenetto@usp.br

Se em 2018 tivemos a refilmagem de um dos grandes clássicos do terror com Halloween (2018), neste ano a vez é de Suspíria – A Dança do Medo (2019), releitura do filme homônimo de 1977 do italiano Dario Argento. A nova trama foi dirigida por Luca Guadagnino, famoso pela produção de Me Chame pelo Seu Nome (Call Me by Your Name, 2018) e é estrelada por Dakota Johnson e Tilda Swinton.

A narrativa se passa na Alemanha dos anos setenta, época em que o país era dividido em dois. Um dos grandes méritos da produção é a fidelidade na recriação do ambiente, tanto pelo figurino das personagens quanto pelos cenários. Outra forma utilizada para inserir o espectador nesta realidade é a utilização de um grande evento histórico, o sequestro do avião 181 da Lufthansa por quatro membros da Frente Popular para a Libertação da Palestina que reivindicavam a libertação de presos do grupo extremista alemão Fração do Exército Alemão. As personagens discutem o assunto várias vezes ao decorrer do longa, além dos rádios que aparecem trazendo atualizações.

O filme é dividido em seis atos e um epílogo, como se fosse uma apresentação de dança ou teatro. Tudo começa com Patricia (Chloë Moretz), uma das dançarinas da Companhia de Dança Markos, aparentemente alucinando ao visitar seu psiquiatra. Então, a história muda o foco para Susie Bannon (Dakota Johnson), americana que viaja a Berlim com o sonho de entrar na companhia. O começo aparentemente confuso levanta vários questionamentos, que serão respondidos no desenrolar da narrativa, de forma a pregar a atenção do público.

Susie em uma de suas performances [Imagem: Amazon Studios]

Susie é aprovada e passa a viver no prédio da Companhia junto com as outras bailarinas e as administradoras, que desde o começo já demonstram serem seres enigmáticos. A partir daí, coisas misteriosas passam a acontecer, deixando claro que há algo de errado com aquele lugar. A primeira cena de dança da jovem com o novo grupo é uma das mais horripilantes e belas de toda a produção, provavelmente inspirada pela obra original que criava um ambiente surrealista. Ao mesmo tempo que Susie dança em uma sala, seus movimentos são transformados em golpes em outra dançarina numa sala de espelhos, proporcionando uma violência estética que transmite ao mesmo tempo beleza e agressividade. Outras cenas muito interessantes do filme são os sonhos de Susie, que passam por imagens de violência, sexualidade e terror, tudo isso em flashes rápidos.

As bailarinas continuam em sua rotina de treinos, supervisionadas pela Madame Blanc (Tilda Swinton), que transmite em seu olhar e postura uma personalidade forte, severa e assustadora. Os movimentos de dança são trabalhos com closes e ênfase nos sons produzidos pelo corpo, principalmente a respiração, criando um clima de tensão constante na narrativa. Para completar, a maioria dos ambientes são escuros, além das constantes chuvas e nevascas. Suspiria, porém, não se propõe a assustador o público com cenas inesperadas, mas sim a criar um ambiente de mistério mesclado com cenas de horror, pintado com fortes tons de vermelho.

Um dos flashes dos sonhos de Susie com a predominância do vermelho [Imagem: Amazon Studios]

Com o tempo, os mistérios vão se revelando, ainda que de forma arrastada, e Susie vai adentrando cada vez mais este mundo sombrio das administradoras da Companhia. Ainda que seja muito difícil acreditar que esta nova versão superará a original, o filme cumpre bem sua função, causando aflição e apreensão constante no espectador.

O filme estreia no dia 11 de abril. Confira o trailer:

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O Cinéfilos é o núcleo da Jornalismo Júnior voltado à sétima arte. Desde 2008, produzimos críticas, coberturas e reportagens que vão do cinema mainstream ao circuito alternativo.
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