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Te Amo, Agora Morra: intenso e relevante
CINÉFILOS
04 set 2019 | Por Mariana Carrara (marianacarrara@usp.br)

Documentários baseados em crimes reais não são leves de assistir. Te Amo, Agora Morra: O caso de Michelle Carter (I Love You, Now Die, 2019), nova produção da HBO, é um deles, e conta a história do jovem Conrad Roy que, aos 18 anos, em julho de 2014, se suicidou dentro do carro em um estacionamento em Massachusetts, nos Estados Unidos. Conrad sofria de ansiedade e depressão, mas ao investigar o caso, a polícia descobriu uma série de mensagens de sua namorada, Michelle Carter, o incentivando a tirar a própria vida.

Após a descoberta, ela passou a responder processo por homicídio culposo, o que fez um caso triste de suicídio se tornar famoso e assunto de documentário por levantar questões sobre os limites de responsabilidade criminal e, ainda, por criar precedente legal a respeito de se é crime ou não dizer para alguém cometer suicídio. O tribunal de Massachusetts decidiu que sim, e Michelle Carter foi condenada a 15 meses de prisão.

Através de depoimentos emocionantes da família de Conrad, de jornalistas, dos detetives e dos advogados responsáveis pelo caso, o documentário vai construindo uma narrativa, pesada pelo próprio acontecimento, mas que com músicas tristes e fotos do jovem desde sua infância, fica mais pesada ainda.

As mensagens em que Michelle incita Conrad a cometer suicídio são intercaladas com os depoimentos dos familiares e com cenas do tribunal, fazendo o espectador se envolver cada vez mais com a história e se revoltar — a ponto de revirar o estômago. Frases como: “você tá pensando demais”, “tem vários jeitos de fazer isso” e “você simplesmente tem que fazê-lo”, são algumas que aparecem.

Ao fazer isso, o documentário vai na mesma linha da imprensa americana na época e constrói a imagem de Michelle como cruel e vilã. Depoimentos de colegas de escola sobre sua personalidade também colaboram para a construção dessa imagem.

Michelle Carter durante o julgamento ouvindo o procurador argumentar para a pena de homicídio culposo contra ela ser admitida no tribunal. Essa foto foi utilizada por toda a imprensa americana para mostrar a “maldade” dela. Imagem: [Peter Pereira/The New Bedford Standard Times via AP]

No aspecto técnico, é possível observar grande experimentação audiovisual. O diretor brinca com as luzes. Nas experimentações de imagem, as mensagens ao fundo prendem a atenção. Além das músicas dando intensidade à tristeza do fato documentado, a utilização do silêncio em alguns momentos também o faz de modo interessante.

Te Amo, Agora Morra é relevante não só por trazer a discussão jurídica da coerção e da presença virtual, mas também por trazer à tona temas importantes como ansiedade social, depressão e influência da tecnologia e das redes sociais na vida dos jovens.

O documentário é dividido em duas partes. A primeira estreia na terça-feira, 3 de setembro, às 22h, e a parte dois será exibida na terça seguinte, 10 de setembro, às 22h, na HBO e na HBO GO. Confira o trailer:

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O Cinéfilos é o núcleo da Jornalismo Júnior voltado à sétima arte. Desde 2008, produzimos críticas, coberturas e reportagens que vão do cinema mainstream ao circuito alternativo.
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