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Tenha uma noite segura… se conseguir
CINÉFILOS
30 out 2013 | Por Jornalismo Júnior

Por Amanda Manara
apmanara@gmail.com

As cenas que iniciam Uma Noite de Crime (The Purge, 2013) não poderiam retratar melhor a ideia central do filme. Como se fossem câmeras de segurança, são mostradas imagens de violência, agressões e assassinatos. E é isso o que ocorre aos montes em uma única noite, denominada “Noite do Crime”, num futuro não muito distante, nos EUA.

O filme se passa em 2022, em uma América com baixíssimos níveis de criminalidade, justamente devido a esta noite, em que qualquer ato ilícito, incluindo assassinato, é permitido por 12 horas. Durante esse período, nem a polícia, nem bombeiros, nem ambulâncias podem ser acionados. As pessoas aproveitam para “liberar a agressão”, tentar se “estabilizar psicologicamente” e até mesmo para caçar aquele vizinho que incomoda, ou o chefe insuportável.

 Durante essa noite, acompanhamos a família Sandin e suas tentativas de sobreviverem a esse caos. O pai, James (Ethan Hawke), é vendedor de sistemas de segurança, o melhor do país, despertando a inveja dos vizinhos. Sua bela e enorme casa possui esse sistema, quando o alarme do início da “Noite do Crime” é disparado, grandes barreiras de metal descem sobre as portas e janelas. Tudo corre tranquilamente e indica que os Sandin sobreviverão em paz até a manhã seguinte.

É quando um fato inesperado ocorre: o filho mais novo vê pelas câmeras de segurança da rua um homem desesperado, pedindo ajuda porque está sendo perseguido. O menino resolve ajudá-lo e desarma o sistema de segurança para ele entrar. O que tinha tudo para ser uma noite tranquila se transforma em incerteza.

Tão logo o estranho entra na casa, desaparece. O  medo de ele fazer algum mal à família se instaura. Todos começam a procurá-lo, até que um grupo de jovens mascarados se aproxima da casa. Se dizendo “ricos e bem criados”, apenas pedem para deixarem o estranho sair, para poderem aproveitar a noite de violência impune e “purificar suas almas”, agredindo àquele pobre sem-teto. Esses jovens propõem um acordo: ou eles liberam o estranho, ou eles chamam reforços para invadir a casa e matam todos lá dentro.

A princípio a reação de James é tentar achar o homem o mais rápido possível e salvar sua família. No entanto, assim que a família consegue pegá-lo, começam a refletir sobre suas atitudes. Tão logo fosse jogado pra fora da casa, aquele homem iria apanhar e sofrer muito até a morte, o que não parecia justo. Assim, decidem-se por lutarem juntos pela sobrevivência, caso os jovens conseguissem mesmo entrar na casa. Isso não demora nem 10 segundos para acontecer, uma vez que o sistema de segurança não se mostra tão eficaz assim.

A partir daí o filme se transforma em uma intensa luta pela sobrevivência, com muitas trocas de tiros, brigas de facas e mortes. Algumas reviravoltas também ocorrem, como pessoas sendo salvas no último segundo, dignos de todo bom filme de ação. Além disso, o filme faz por alguns momentos você prender a respiração, como todo bom suspense, e ainda arranca algumas risadas.

O enredo, original e bem criativo, nos leva a uma história que realmente prende a atenção. Assassinatos se tornam banais. Imaginar que muitas pessoas passam a cometê-los só porque, por um dia, não é considerado crime, é no mínimo curioso. O filme ainda possui trechos de jornais da época, sendo passados na TV e classificando a Noite do Crime como “a noite que salvou o país da criminalidade”. Ao final desta noite, o jornal ainda agradece aos pobres, sem-teto e doentes que foram mortos, pois se sacrificaram por um país melhor. E pensar que toda essa banalização do crime por uma noite, pode, mesmo sendo fictícia, salvar um país da criminalidade, é de se fazer refletir.

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O Cinéfilos é o núcleo da Jornalismo Júnior voltado à sétima arte. Desde 2008, produzimos críticas, coberturas e reportagens que vão do cinema mainstream ao circuito alternativo.
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