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Terra de Maria: o como não se deve inventar em um documentário
CINÉFILOS
11 out 2015 | Por Jornalismo Júnior

por José Paulo Mendes Gomes
pgomes8888@gmail.com

Terra de Maria (Tierra de Maria, 2013) é um filme-documentário espanhol lançado pelo jornalista e diretor Juan Manuel Cotelo, também nascido no país ibérico. O filme tem seu enredo desenvolvido por uma mescla de cenas de ficção e documentário, apoiando-se na religião católica como seu carro chefe. Gravado em nove países, o filme consegue ao mesmo tempo ser uma ótima película documental do poder da fé no catolicismo e ser uma ficção pífia.

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Fotos: Divulgação

O filme foi fruto de um longo trabalho da parceria Juan Manuel Cotelo e a produtora Infinito Más Uno. Juntos, trabalharam por mais de dois anos até obter o resultado final, uma película de 111 minutos que segundo o diretor , “tal como a vida, tem comédia, mistério e drama”.

A narrativa da ficção peca ao criar personagens muito caricatos, como o protagonista, vivido por Cotelo, um agente secreto esteriotipado à americana. Tentou-se criar um personagem que remetesse ao hollywoodiano James Bond, mas acabou lembrando muito mais o humorístico Austin Powers. As primeiras cenas, trazem uma ideia de humor pastelão ao estilo da clássica série Agente 86.

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Contudo, o filme consegue encontrar um caminho melhor e estabelecer certa qualidade após o início ruim. Durante as quase duas horas, há criticas ácidas à mídia e ao capitalismo selvagem, que debocham da fé ou expõem apenas o lado ruim da religião, ignorando as boas ações da Igreja Católica e de sua doutrina pelo mundo.

Em resposta a isso, surgem as cenas documentais, explorando diálogos com convertidos à fé católica ou pessoas que divulgam a doutrina apostólica romana pelo mundo. Tais passagens conseguem dar dimensão do poder da fé. Há a apresentação de pessoas na Europa e na América que passaram por um grande acontecimento na vida ligado à sua fé em Deus, Jesus Cristo ou Maria.

Nestas cenas também, o filme mostra muito forte seu caráter de panfletário da fé católica. Nos diálogos que acontecem, são feitas críticas de forte teor conservador, na qual se faz juízo de valor, por exemplo, sobre o aborto, por meio de uma ex-modelo que abortou e se arrependeu e um médico que já fez parte de uma clínica de abortos e mudou totalmente a vida após se arrepender, atendendo um sua casa hoje em dia.

Desta forma a narrativa vai se desenvolvendo, com visitas a diversos países para conhecer a influência da Igreja Católica e milagres que aconteceram nas mais diferentes partes do mundo. O filme consegue encontrar aparições da mãe de Jesus Cristo da cidade do pecado Las Vegas à ex-comunista Bósnia e Herzegovina.

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O roteiro consegue se desenvolver durante quase duas horas sob a personagem de Juan Manuel Cotelo, o Advogado do Diabo, encontra um final repentino. O filme encerra de maneira brusca e causa estranhamento em quem esperava um aprofundamento da personagem.

Fazendo as devidas ponderações, Terra de Maria não é para qualquer um, trata-se de um filme fascinante para os católicos e admiradores da fé cristã, porém não é uma obra para quem não acredita nos preceitos dos Apostólicos Romanos. Na dúvida, vale a experiência pela primorosa fotografia que o filme apresenta, lembrando até em alguns aspectos Sonhos (Yume, 1990) de Akira Kurosawa.

O filme chega ao Brasil este mês e terá sessões exclusivas na Rede Cinemark nos dias 12, 14 e 17, em 22 cidades.

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Waleska Frota
Mais que tudo Terra de Maria-o filme sobre Nossa Senhora nos convida à reflexão, o amor,a paz,e a solidariedade em tempos de crueldade e ódio no mundo inteiro. Waleska Frota-Fortaleza-Ce.
28 nov 2015
 
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