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Netflix: ‘The Forty-Year-Old Version’ – Rapper aos (quase) 40
CINÉFILOS
21 out 2020 | Por Aldrey Olegario (aldreyolegario@usp.br

The Forty-Year-Old Version (2020) é um filme autobiográfico que conta a história de uma mulher que, próxima aos seus 40 anos, decide entrar na carreira de rapper. A história real que dá vida à produção é a da diretora, roteirista e estrela da obra: Radha Blank. O longa vencedor do prêmio de Melhor Direção de Drama no Film Festival Sundance relata a frustração de Radha (Radha Blank) na busca pela estabilidade profissional e por seu reconhecimento artístico no teatro. 

Suas principais queixas estão relacionadas a dificuldade de garantir sua visibilidade e autenticidade ao contar uma história de, assim como a própria personagem diz, “pessoas pretas normais” sem que o roteiro não passe por constantes alterações que tirem a originalidade e fujam de sua proposta. Em um de seus versos recitados no filme, Radha deixa claro sua crítica à estereotipação da pobreza. O foco da obra é fornecer um outro olhar para o rap e para a música. Essa não é a única marca de Blank nas produções que envolvem o tema. A cineasta também deixou sua assinatura em Empire: Fama e Poder  (Empire, 2015-2020), uma série musical da Fox sobre a polêmica família Lyon.

Nessa nova abordagem do universo do rap, acompanhamos os dilemas pessoais e profissionais da protagonista. A forma como Radha vê seu corpo, na maioria das vezes é mostrado mais sutilmente, através de propagandas para emagrecer e, também, se valendo do humor para tocar no assunto. A questão da idade, como um possível limitante para a realização de algumas vontades de Radha é outro aspecto da vida pessoal da personagem levantado no filme — a clássica pergunta: “será que ainda tenho idade para fazer isso?”.  

 

Radha a caminho do trabalho, no ônibus, se segurando e tomando uma bebida. [Imagem: Jeong Park/Netflix]

Radha a caminho do trabalho. [Imagem: Jeong Park/Netflix]

The Forty-Year-Old Version possui inúmeras informações visuais: roupas e acessórios estampados, obras de arte pelos cenários e ruas com grafites elaborados. A pergunta que surge, partindo de tantos elementos visuais, é “qual o motivo do longa ser em preto e branco?”. 

Em entrevista para a Netflix, Radha explica que entre suas inspirações estavam os clipes das músicas de hip-hop dos anos 90, o fotógrafo Roy DeCarava e a fotógrafa Carrie Mae Weems. Nessas inspirações, podemos notar essa fotografia em preto e branco. Enquanto DeCarava usava filmes preto e branco para explorar as diferentes nuances dos tons de pele das pessoas pretas em suas fotografias, Mae Weems fazia um uso próprio de espelhos, o que Radha contou ser um fator que a inspirou a colocar cenas com a presença de espelhos. 

Levando em conta isso e a história da obra, fica fácil entender o porquê de sua escolha: um filme em preto e branco que perpassa pelas questões que envolvem pretos e brancos. A informação que seria dada pela cor não falta, é construída por outros elementos. E a presença das cores é pontual no longa, na maior parte associada às memórias da protagonista.

 

Alunos das aulas de teatro de Radha reunidos em cena de The Forty-Year-Old Version. [Imagem: Jeong Park/Netflix]

Alunos das aulas de teatro de Radha. [Imagem: Jeong Park/Netflix]

Os cortes e movimentos de câmera são usados para reforçar o lado cômico das cenas: com cortes bruscos, mudanças no enquadramento, zooms e famosa “quebra da quarta parede”, isto é, quando o personagem olha para a câmera e se comunica diretamente com o espectador. Mas a chamada “quarta parede” não é usada apenas para dar o tom engraçado. Nos momentos mais sérios Radha também olha para a câmera e, levando em consideração o texto, passa seu recado para quem assiste. 

Tratando-se de uma produção fortemente conectada à música, a trilha sonora ganha destaque com as batidas de D (Oswin Benjamin). Vemos as músicas e as batidas saírem da trilha para a cena, da cena para o fone de ouvido dos personagens e para o rádio, dando a sensação que de que o espectador também está participando da cena. 

Confira a trilha sonora na playlist oficial do filme:

 

Ainda sobre a música, o longa aborda o lugar das mulheres no rap. Aqui vale ressaltar que o filme contou com a presença da rapper Young M.A, responsável pelo hit “OOOUUU” que garantiu a ela três discos de platina. The Forty-Year-Old Version, também faz referência a liga global feminina de rap “Queen Of The Ring” (QOTR) em um momento de grande relevância para Radha na película.

 

Radha e D assistindo a uma batalha de rap da liga Queen Of The Ring [Imagem: Jeong Park/Netflix]

Radha e D assistindo a uma batalha de rap da liga Queen Of The Ring. [Imagem: Jeong Park/Netflix]

A história de Radha é uma ótima opção para quem está buscando um filme que instiga reflexões e que, ao mesmo tempo, é divertido e envolvente.

O longa já está disponível para todos os assinantes da Netflix. Confira o trailer:

 

* Imagem de capa: Divulgação/Netflix

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