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Todos os caminhos levam à África
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18 out 2019 | Por Catarina Barbosa (catarinavbarbosa@usp.br)

Durante a visita Áfricas Extemporâneas – Cartografia da África nos acervos do Instituto de Estudos Brasileiros (IEB-USP), o público pôde conhecer mapas e registros sobre a geografia do continente africano através da visão dos colonizadores. Em vista guiada pelo acervo, Isis Kantor, professora doutora da USP, apresentou registros cartográficos e relatos feitos por padres e nobres geógrafos europeus, escritos originalmente em italiano e que apresentavam as mudanças no continente durante o decorrer da história e colonização.

Foto: Catarina Virgínia Barbosa

O grupo de pesquisa dos Departamentos de História e Geografia da Faculdade de Filosofia Letras e Ciências Humanas(FFLCH), em uma parceria com o IEB, busca entender a rota dos mapas e as motivações que os levaram até os arquivos nos países europeus. A professora destaca que: “todos os registros cartográficos, sejam eles contemporâneos ou não, são feitos de maneira parcial: representam uma ideia ou agenda daqueles que os pensaram”. Tal explicação justifica, por exemplo, a presença de certos vazios nos mapas, que representavam não as áreas sem habitantes, mas áreas ainda não exploradas pelos colonizadores.

Foto: Catarina Virgínia Barbosa

A população nativa da época também contribuía para a confecção dos mapas ao guiar os exploradores pelas áreas e servir como orientadores para seus relatos. Em alguns casos essas contribuições eram citadas nos créditos dos mapas e livros, como forma de detalhar as trajetórias percorridas. No entanto, os nativos não eram creditados como coautores e nem identificados pelos nomes, caracterizando a visão despersonalizada do colonizador para com o colonizado.

Foto: Catarina Virgínia Barbosa

Os mapas portulanos são os que mais chamaram atenção: são pergaminhos feitos em pele de animal e manuscritos, todos coloridos com pigmentos naturais. Esse tipo de registro fornecia direções e representava as distâncias entre os portos africanos e europeus, sendo caracterizado principalmente por serem mais matemáticos e quantitativos, enquanto os mapas anteriores eram mais qualitativos.

Foto: Catarina Virgínia Barbosa

Milena Natividade da Cruz, integrante do grupo de pesquisa que auxiliou a professora Isis durante a visita, destacou a importância de analisar os mapas de forma crítica de maneira que se entenda o contexto em que foram feitos e a visão daqueles que são retratados ali, sem deixar de questionar a participação dos negros africanos na construção desse imaginário. Ao final da visita, os participantes puderam olhar cada mapa mais de perto, além de ter a oportunidade de debater com o grupo de pesquisa sobre a autoria dos registros e de que maneira eles podem ser ressignificados para contar a história do continente africano.

Foto: Catarina Virgínia Barbosa

A visita ao acervo do IEB faz parte do evento Áfricas Contemporâneas – Do Continente às Diásporas: pensar o universal a partir dos arquivos afro-diaspóricos, organizado pelo Laboratório de Estudos Imaginários da FFLCH, que ocorreu do dia 10 ao dia 19 de outubro, dentro e fora da Cidade Universitária.

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