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Tóquio 2020 | EUA leva ouro no Basquete masculino, mas prova do próprio veneno
ARQUIBANCADA
08 ago 2021 | Por Jornalismo Júnior

O domínio dos Estados Unidos no basquete mundial se fez presente mais uma vez na Olimpíada de Tóquio: ouro tanto no masculino quanto no feminino, em vitórias sobre França (87 a 82) e Japão (90 a 75), respectivamente. Contudo, entre os homens, mesmo com a medalha dourada, essa hegemonia começa a ter uma ameaça real fomentada pelos próprios estadunidenses, na NBA. Vamos chegar lá.

O ciclo olímpico do time masculino foi conturbado. No Mundial da FIBA de 2019, com um time montado por titulares da NBA — mas não estrelas —, caíram nas quartas de final contra a França e amargaram a sétima colocação final, a pior da história. Na preparação, ainda perderam um jogo amistoso para a Austrália, a primeira derrota em amistosos desde 1992, quando jogadores da NBA passaram a ser convocados.

Chegando a Tóquio, os doze convocados novamente não eram os melhores disponíveis, como de praxe. Nomes como LeBron James, Kawhi Leonard (lesionado), Stephen Curry e James Harden optaram por não competir. Ainda assim, grandes jogadores formaram o time: Kevin Durant, Damian Lillard, Devin Booker, Jayson Tatum, Bam Adebayo, Draymond Green, Zach LaVine e os atuais campeões da NBA, Jrue Holiday e Khris Middleton. Desses, apenas Tatum e Middleton estiveram presentes no time de 2019.

Mesmo com maior poderio, a preparação começou com derrotas em amistosos contra Nigéria e Austrália, consecutivamente. Para ensaiar uma crise de vez, Bradley Beal teve que deixar o time após a infecção por Covid-19 e Kevin Love pediu dispensa.

[Reprodução/Twitter @NigeriaBasket]

Os jogos seguintes tiveram de ser cancelados, haja vista que Booker, Holiday e Middleton ainda estavam disputando as finais da NBA e não haviam jogadores suficientes. LaVine também entrou nos protocolos de saúde e de segurança contra o vírus, mas viajou para Tóquio pouco depois.

Nesse clima caótico, os Estados Unidos iniciaram os Jogos Olímpicos com novo revés: derrota por 83 a 76 para os franceses. O fantasma de 2004, quando a Argentina levou o mais improvável dos ouros olímpicos em Atenas no Basquete masculino, vinha à tona de vez. 

Um novo fracasso entrou em cogitação não só por demérito do time estadunidense, mas pela capacidade das outras seleções: Espanha, de Ricky Rubio, Eslovênia, de Luka Doncic, Austrália, de Patty Mills, e França, de Rudy Gobert, eram de vez concorrentes pelo ouro. Todos os quatro citados são jogadores da NBA e entraram para a seleção da competição.

A internacionalização da liga de basquete norte-americana tem seu pico nos dias de hoje: os MVPs Nikola Jokic, da Sérvia, e Giannis Antetokounmpo, da Grécia, não jogaram porque suas seleções não obtiveram a classificação sem eles. Mas e se jogassem? Estamos conversando sobre os dois jogadores premiados como os mais valiosos do centro de referência do esporte no planeta. E eles não são estadunidenses.

[Reprodução/Twitter @nbastatsfrance]

Gregg Poppovich, técnico da seleção dos Estados Unidos e pentacampeão da NBA pelo San Antonio Spurs, foi o precursor desse fenômeno em quadra. Obviamente, não foi ele quem trouxe os primeiros nomes de fora, mas sim construiu um time em volta deles. Tony Parker, francês, e Manu Ginobili, argentino e campeão olímpico em 2004, formaram junto a Tim Duncan a trinca que elevou o patamar da franquia de Texas.

Não dá para falar em internacionalização da liga sem comentar também sobre Dirk Nowitzki. O alemão, campeão da NBA pelo Dallas Mavericks, marcou seu nome como o europeu de maior relevância na história da liga. Tudo isso para chegar em um ponto: essas personalidades internacionais do século 21 no basquete norte-americano fomentam ainda mais a globalização do esporte desde a base.

Doncic, Antetokounmpo, Jokic e Gobert são os jovens frutos desse processo. O “veneno” no título é a liga os transformando em máquinas. Todos os últimos três nomes chegaram a suas franquias desacreditados e hoje são estrelas, muito bem lapidadas. O espaço para jogadores de fora dos Estados Unidos é cada vez mais comum na NBA, e nisso a seleção local começa a entrar em uma encruzilhada: até quando o time suportará jogar as Olimpíadas sem suas maiores estrelas?

Lebron James com a camisa dos Estados Unidos

[Reprodução/Twitter @camisa__23]

Voltando a Tóquio, o risco foi grande. Apesar do crescimento do time durante os confrontos, a vitória na final veio pela menor margem da história em um jogo de título dos estadunidenses – apenas cinco pontos, com 87 a 82 no placar. A superioridade ainda é inevitável e sobressai nas individualidades, mas as outras seleções, juntamente ao trabalho da NBA, crescem com núcleos fortes que tenderão a disputar a mais nobre medalha do pódio se os Estados Unidos não se mexerem a tempo.

A solução parece simples, mas não é. O basquete da FIBA é outra modalidade em comparação com o basquete da NBA. Lillard, uma das estrelas do time, chegou a citar que é “mais difícil pontuar” no primeiro. Como convencer os grandes jogadores a formar um novo “Dream Team”? Qual o atrativo que as Olimpíadas trazem e a NBA não dá em quantidade maior?

Disso tudo, um fato fica: os adversários estão deixando de ser zebras para atingirem o atual patamar estadunidense. Paris vem aí, e os vice-campeões jogarão em casa. Cenas para os próximos capítulos!

[Reprodução/Twitter @NandoDeColo]

*Reprodução/Twitter @usabasketball

Tóquio 2020 beatriz

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