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Toy Story 4: Um novo desfecho
CINÉFILOS
20 jun 2019 | Por Laura Toyama (laura.toyama@usp.br)

Não é surpresa para ninguém que a Disney Pixar vem apostando em seus antigos sucessos de bilheteria para atrair os nostálgicos às salas de cinema. A produção de Toy Story 4 (2019) não foi diferente. O quarto filme de uma das melhores franquias de animação atraiu espectadores de todas as idades, seja para reviver a era de ouro da Disney, ou para pela primeira vez, se encantar com a história incomparável e criativa.

O longa é repleto de referências aos filmes anteriores, seja na aparição de antigos personagens, ou na trilha sonora clássica com “Amigo Estou Aqui” (You’ve Got a Friend in Me, por Randy Newman). Esse fio de memória é a introdução perfeita para novos cenários e figuras cativantes, que estendem a história desses corajosos brinquedos a um novo mundo de possibilidades.

O protagonista Woody, agora com o nome da carinhosa e brincalhona Bonnie na sola de sua bota, é tomado por grande dúvida sobre suas funções como brinquedo.Já que não é mais o escolhido para protagonizar as criativas brincadeiras da menininha. Com o surgimento de um novo e engraçado personagem, Forky (Garfinho, na versão em português), se empenha na missão de convencê-lo de seu importante papel como brinquedo preferido e de protegê-lo a qualquer custo.

Garfinho, um atrapalhado brinquedo, que chega causando confusão e risadas [imagem: Divulgação]

Quando a família decide viajar, todos os conhecidos personagens saem pelas estradas dos Estados Unidos num trailer: Slick, Senhor Cabeça de Batata, Buzz Lightyear e… Garfinho. A difícil adaptação desse simples garfo plástico com olhos está baseada na sua fixação por ter uma curta vida útil, a de lixo. Woody, motivado por seus próprios questionamentos sobre sua longevidade, sai a procura do pequeno amigo para que sua criança não se decepcione. O lema “nunca deixamos um brinquedo para trás!” é entoado em meio a flashbacks de seus bons tempos com o velho amigo Andy e alguns personagens que já se foram.

Dentre estes está Betty, a boneca de porcelana por quem o caubói nunca deixou de ter sentimentos. Num inesperado reencontro, ela já não é a mesma frágil pastora de sempre: agora como brinquedo perdido vaga por aí com seus novos amigos em busca de aventuras. Quando Garfinho se mete em problemas, Betty está disposta a ajudar Woody a salvá-lo pelos velhos tempos, influenciada pelo discurso nostálgico do amigo sobre como levar alegria para uma criança é o ato mais nobre de um brinquedo.

Betty, agora uma aventureira, acompanhada dos inseparáveis amigos Buzz e Woody, e dos novos colegas Coelhinho e Patinho [imagem: Divulgação]

É nessa confusão que conhecemos Gabby Gabby, uma boneca que vive empoeirada e rancorosa numa loja de velharias. Sonhando com o dia em que será escolhida para brincar, cobiça a caixa de voz de Woody para que enfim deixe de ser esquecida numa prateleira. Ao manter Garfinho como seu refém, a inocência do personagem atrai seus amigos novamente para a loja “Segunda Chance”, onde aterrorizantes bonecos guardam o que há de pior nas intenções de um brinquedo e fazem de tudo para que Woody ceda sua preciosa “voz interior”. No entanto, como é de se esperar num filme infantil, e que tanto ensina sobre amizade e mudanças, Gabby se mostra figura fragilizada e passa por uma transformação de caráter que a leva se juntar com os já conhecidos brinquedos.

Apesar da boa construção do enredo, das muitas cenas de arrancar risadas do público, o filme peca em incluir os coadjuvantes na linha principal da história. Personagens antes tão centrais, como Buzz e Jessie, são deixados de lado e vivem suas próprias situações em função das escolhas de Woody, sem que estejam no holofote e participem ativamente da história. Atribui-se a isso a “superlotação” de personagens no enredo, que ao passar dos anos foi criando um elenco cada vez maior e mais complexo. É realmente difícil manter uma narrativa com tantos discursos se tratando de brinquedos, por isso o enfoque se estreitou, desperdiçando ótimas personalidades já amadurecidas anteriormente, como Rex e Porcão.

Os personagens já conhecidos do público, que deixaram a desejar em sua aparição no longa [imagem: Divulgação]

A composição da animação também não deixa a desejar. Continuando o legado do primeiro filme (primeiro longa feito inteiramente de comutação gráfica na década de 90), os efeitos estão cada vez mais realistas e impressionantes. Combinados a uma trilha sonora agradável e conhecida, os cenários coloridos compõem o sentimento lúdico que temos ao assistir um filme da Pixar. O diretor Josh Cooley já havia demonstrado seu grande potencial para manter os altos padrões das animações com a produção de Divertidamente (Inside Out, 2015), outro sucesso de bilheteria recente, que encantou velhas e novas gerações.

Com um final ainda mais comovente que o do terceiro filme, somos levados às lágrimas mais uma vez ao nos despedirmos de personagens tão queridos, que participaram da infância de tantos. Chega ao fim uma longa história que levaremos para sempre em nosso imaginário, e que continua emocionando quem a vê. Sentimos saudades, junto de Woody, do pequeno Andy, de sua parede azul de nuvens, e das icônicas falas. Mesmo reinventado, Toy Story mais uma vez se consagra como referência das animações e não decepciona ao se despedir de toda uma geração, para sempre marcada por suas mensagens sobre amizade e lealdade.

O filme estreia nas telonas do Brasil no dia 20 de junho, confira o trailer:

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