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Trilogia 1808 – A história contada por um jornalista
Na Estante
23 nov 2013 | Por Jornalismo Júnior

Laurentino Gomes é autor da Trilogia 1808, 1822 e, o seu mais recente lançamento, 1889. Esta matéria seria só mais uma apresentação aos moldes da Wikipedia, se não fosse pelo fato de que Laurentino é jornalista e não historiador. Pode parecer pouco, mas esta inversão de encargos foi de extrema importância para a construção do best-seller e ressalta a diferença nas abordagens de textos de cada profissional. Sobre os benefícios desta colocação, Leonardo Paiva, mestrado em História Social pela Universidade de São Paulo (USP), diz que “o jornalista possui mais liberdade em sua escrita sobre o passado. Seus métodos de pesquisa e de escrever permitem que seu texto se torne mais agradável. Sua preocupação está em fazer uma narrativa fluente e de fácil leitura, buscando prender a atenção de seu leitor”.

laurentino

Laurentino Gomes e sua coleção de livros sobre o período imperial do Brasil. Foto: Divulgação.

Os três livros tanto possuem caracterísitcas jornalísticas que o primeiro a ser lançado, 1808, foi vencedor da categoria livro-reportagem do 53º Prêmio Jabuti de Literatura. Uma livro-reportagem é uma vertente da escrita que une o jornalismo à literatura e o autor ainda conseguiu um gancho com a educação. Para tanto, Laurentino se valeu de diversas técnicas que adquiriu durante seus anos como repórter. O método da pesquisa e da leitura de diversas fontes foi essencial para a construção intelectual dele mesmo. Segundo Leonardo, Laurentino Gomes, no livro 1808, afirma que sua obra foi resultado de dez anos de investigação jornalística. Sem isso, ele não poderia transmitir o conhecimento com tanta facilidade através da escrita. Além disso, a presença das personagens, relatos sobre elas e suas influências o curso da história trazem um aspecto de humanização para a leitura. Todos esses últimos aparatos utilizados pelo autor são técnicas aplicáveis tanto para escritores quanto para jornalistas.

No mercado dos historiadores, a trilogia 1808, 1822 e 1889 ganhou algumas ressalvas. “Historiadores acusam jornalistas de não fazerem história, por sua vez, jornalistas acusam historiadores de escrever uma história inacessível ao público”. No caso, há uma distinção, nem sempre tão clara, entre a função desses dois profissionais. O historiador aprofunda muito mais a sua análise dos fatos, ao invés de simplesmente expô-los. Ele toma como ponto de partida fontes de pesquisa e a realidade da época, para evitar anacronismos. Por essas razões, o tipo de texto também diverge. Sobre as visões que se têm em relação a isso, Leonardo conclui: “Deve-se compreender que ambos os profissionais são importantes em sua atuação ao divulgar ou analisar a história. O espaço ocupado pelos jornalistas-historiadores ganha mais visibilidade a cada obra lançada, cabe ao historiador avaliar criticamente esse tipo de abordagem”.

http://www.youtube.com/watch?v=uGibbLxsZK0

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