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Últimos Dias em Havana mostra a Cuba que não aparece nos cartões postais
CINÉFILOS
24 ago 2017 | Por Jornalismo Júnior

Durante o segundo mandato de Barack Obama como presidente, num movimento que ficará marcado para a história, os Estados Unidos deram início a uma aproximação com Cuba. Com isso, todo o mundo passou a repensar a situação da ilha caribenha desde a revolução que fez dela um dos países estratégicos durante a Guerra Fria. Acontecimentos até então impensáveis tornaram-se reais, como um desfile da Chanel e um show dos Rolling Stones . As roupas e o som do “mundo moderno” chegavam ao local, de onde ficaram afastadas por décadas.

É essa Cuba contemporânea o cenário de Últimos Dias em Havana (Últimos Días en la Habana, 2017). No filme, acompanhamos Miguel (Patricio Wood), um homem de meia idade que trabalha lavando pratos num subúrbio de Havana e nutre o sonho de morar nos Estados Unidos. Ele vive com o amigo Diego (Jorge Martínez), portador de HIV em estágio terminal da AIDS.

Miguel é um personagem sisudo, amargurado por várias tentativas frustradas de ir embora do país. Enquanto isso, Diego exibe uma alegria contagiante, apesar de passar seus dias esperando pela morte. Através da relação entre estes dois, intercalada em alguns pontos pela história de outras personagens, é mostrado um panorama ríspido de como vive a camada menos privilegiada da sociedade cubana pelos olhos do diretor Fernando Pérez.

O roteiro, escrito por Pérez em parceria com Abél Rodriguez, é consistente e recheado de passagens comoventes, mas não é nele que reside a maior força do filme – com algumas exceções, os diálogos evitam posicionar-se politicamente de forma explícita.

Por outro lado, as imagens exibidas são críticas escancaradas contra um estado social que evidentemente incomoda o autor, e é desconhecido de grande parte do público que terá acesso ao longa. Seja no apartamento em que vive Miguel ou nos lugares por onde passa, o que se vê é deprimente: casas caindo aos pedaços, geladeiras vazias, ruas tomadas pela prostituição, pessoas doentes sem tratamento adequado, etc.  Aqui, mais do que o texto, é a câmera que funciona como ferramenta de protesto.

A quase ausência de trilha sonora também condiz com o tom pesado que permeia a narrativa, assim como as cores cinzentas. Embora tenha suas doses de alívio cômico em personagens como a jovem Yusisleydis (Gabriela Ramos), sobrinha de Diego, Últimos Dias em Havana é, no geral, bastante pessimista.

Como o título já deixa implícito, a história contada é uma história de despedida. Isso vale não só para seus personagens, mas também para a própria Cuba, que vai se transformando aos poucos, agora aos olhos do mundo. Dependendo de quem julgue, as mudanças podem ser vistas com olhos positivos ou não. Mas uma coisa Fernando Pérez deixa claro: independente do que ocorra, para algumas pessoas, o grito por ajuda será ouvido tarde demais.

Últimos Dias Em Havana estreia nos cinemas no dia 24 de agosto. Confira o trailer abaixo:

por Matheus Souza
souzamatheusmss@gmail.com

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O Cinéfilos é o núcleo da Jornalismo Júnior voltado à sétima arte. Desde 2008, produzimos críticas, coberturas e reportagens que vão do cinema mainstream ao circuito alternativo.
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