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Um amigo por uma farda
CINÉFILOS
30 dez 2008 | Por Jornalismo Júnior

Bruna Buzzo

John Halder (Viggo Mortensen) é o Um Homem Bom (Good) do diretor brasileiro Vicente Amorim. O filme destaca a interferência que as escolhas tem sobre a vida de cada um de nós. Na Alemanha dos anos 20-30, um-homem-bom4Halder é um professor universitário que, por influência da mãe doente e da esposa neurótica, escreve um livro em que defende a eutanásia como medida humanitária. Ao descobrirem o livro, o autor cai nas graças dos nazistas e passa a ser cooptado por eles.

A princípio, Halder hesita em se envolver com política, apesar dos apelos do sogro, e se mantém sem filiação ao partido nacional-socialista em ascensão no poder. Com o tempo, no entanto, percebe que para progredir em sua carreira na universidade e melhorar sua condição financeira precisa filiar-se ao partido e procura fazê-lo de maneira apenas simbólica. Conforme a maquiagem providencia rugas ao ator Viggo Mortensen, e apesar dos apelos de Maurice (Jason Isaacs), o melhor amigo judeu, Halder vai se enredando pela teia nazista e ganhando prestígio (e dinheiro) dentro do partido.

A história busca revelar como as pessoas boas (ou simplesmente comuns) colaboraram para a ascensão e sustentação do regime de Hitler em uma Alemanha destruída pelas crises decorrentes da 1ª Guerra Mundial. O filme se passa às portas da 2ª Guerra e acompanha o período de crescimento do regime e da ideologia nazista.

um-homem-bom1Filmado em uma Budapeste disfarçada de Berlim, falado em inglês e com um elenco e equipe técnica de vários países (do protagonista norte-americano ao diretor brasileiro, passando por coadjuvantes britânicos e escoceses), pode parecer meio forçado que alemães só falem alemão de vez em quando (alguns oficiais, raramente, falam em alemão), mas o filme consegue se sustentar em sua história.

A produtora inglesa Miriam Segal foi buscar no diretor brasileiro Vicente Amorim uma mente livre de idéias pré-concebidas ou bagagem emocional, ajudada pelo fato dos diretores latinos estarem, na palavras de Vicente, “na crista da onda”.

Das pequenas esquizofrenias do protagonista, que pensa ouvir músicas em alguns momentos, às loucuras do país em que se encontram nossos personagens, as histórias que todos nós já conhecemos de tantos outros filmes sobre a 2ª GM e o Nazismo ganham um novo brilho sob os olhos, em especial, do fascinante elenco, que dá vida ao povo alemão, tão enganado e ao mesmo tempo tão consciente. Um destaque especial para Maurice, que tenta avisar seu amigo enquanto ele se metia em uma fria. Enganado por suas próprias escolhas, Halder veste o uniforme, se despede do amigo e das esposas que teve ao longo dos anos, e acorda na vida real.

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O Cinéfilos é o núcleo da Jornalismo Júnior voltado à sétima arte. Desde 2008, produzimos críticas, coberturas e reportagens que vão do cinema mainstream ao circuito alternativo.
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