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Um brilho de aventura
CINÉFILOS
16 dez 2014 | Por Jornalismo Júnior

por Leandro Bernardo
oleandrobernardo@gmail.com

Produzido pela Quimera Filmes, oitavo longa-metragem de Carlos Ratton e vencedor do Prêmio de Melhor Filme no 42º Festival de Cinema de Gramado, o filme O Segredo dos Diamantes vem com uma história divertida e leve, mas que não deixa de ter cenas de suspense (só que nada de muito pesado). O longa conta a história de Ângelo, que está numa viagem com os pais para Minas Gerais e sobrevive a um acidente de carro. Para dar gancho à aventura e ter um enredo conciso, o garoto adentra na lenda dos diamantes para salvar o pai, que está em estado grave devido ao acidente e não tem condições de pagar o tratamento. Com a ajuda de seus amigos Carlinhos e Júlia, ele entra na história do Brasil Colônia para tentar salvar seu pai e sua família.

A trama tem um apelo histórico essencial para seu entendimento e que enriquece o filme: a história do Brasil Colonial, na qual os mineradores, para evitar os altos impostos sobre os minérios encontrados. O diamante, por exemplo, era um estanco, ou seja, o comércio de pedras era um monopólio real. Esconder o que se encontrava em paredes de casas ou até em imagens de santos era muito comum (até por isso existe a expressão “santo do pau oco”). Com um enigma a ser desvendado, um plano de fundo histórico e um inimigo a ser enfrentado, a trama ganha um aspecto de aventura e diversão.

Bem leve, o filme não apresenta cenas fortes, seja de violência ou de ação, até porque ele tem um propósito e um público mais infanto-juvenil: é um filme para se assistir com a família, em uma tarde de domingo a tarde, após o almoço. Não tem aquela complexidade e falta de verossimilhança dos filmes de caça ao tesouro de Nicolas Cage, que são pesados e algumas vezes confusos, sendo bem simples e de fácil assimilação.

Já no quesito visual, o filme chama muita atenção pela fotografia: com uma predominância de tons marrons nas cenas da cidade histórica, o filme tem um aspecto de “antigo”, dando uma sensação de que se está entrando no passado colonial brasileiro, que é uma das propostas do filme. No entanto, a tecnologia não está de fora: o aparelho celular é muito presente na trama, mostrando que, mesmo entrando no “túnel do tempo”, ainda estamos no século XXI. Já em relação aos efeitos especiais, o filme peca um pouco: aquela cena clássica da dramaturgia brasileira da conversa dentro do carro na qual há um fundo de chroma key é repetida, desagradando um pouco a visão. Efeitos também como o brilho dos diamantes são um pouco exagerados, mas fazem sentido para mostrar o valor que eles têm.

Um detalhe que merece destaque é o tempo cronológico no filme: é muito estranha a passagem temporal no filme, em relação à duração dos eventos. Se você considerar o tempo aparente que o pai de Ângelo fica no hospital, parece uma semana ou mais e  se você considerar o quanto parece que se passa na aventura, dura três dias no máximo. Chega um momento na qual o quanto se passou no filme não é mais distinguível e o tempo que você passou sentado, pior ainda. Pouco antes das cenas finais da trama, o filme fica um pouco cansativo e parece que enrola o espectador para dar um pouco mais de suspense na hora do final. Seria a parte do filme na qual a criança dorme porque cansou e acorda na hora que está tudo bem e tudo deu certo, ou a hora que alguém muito apertado para ir ao banheiro abandona a sessão pois sabe que nada de importante e essencial para compreender o final. No entanto, ele não deixa más impressões e condiz com o que era esperado de um longa do gênero, com uma pitada a mais de curiosidade devido ao caráter histórico na qual se envolve a trama. Um problema a ser enfrentado, uma aventura que solucionaria o problema, um inimigo para atrapalhar, uma ameaça que pode acabar com um sonho, um casal formado, e tudo dando certo no final: uma fórmula simplificada de um modo simples e certo de se fazer um bom filme que divirta o público infanto-juvenil, seus pais e familiares.

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