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Um filme hollywoodiano com maquiagem francesa
CINÉFILOS
09 set 2014 | Por Jornalismo Júnior

Por Juliana Brocanelli
brocanelli.juliana@gmail.com

“Um novo dueto” (Une Autre Vie) chega aos cinemas brasileiros agora no início de setembro e tem uma pegada de romance dramático, gênero que se popularizou nas últimas décadas. Dirigido e produzido por Emmanuel Mouret, o filme é uma tentativa de retorno do jovem diretor ao prestígio do novo cinema francês.

É contada a estória de Aurore (Jasmine Trinca), uma pianista que vê seus dias de glória pouco a pouco se acabando, e Jean (Joey Starr), um eletricista que leva sua vida pacata numa boa. Jean presta serviços à Aurore e os dois acabam entrando num jogo de sedução, cujo único porém é o fato dele ser casado com Dolores, belamente interpretada por Virginie Ledoyen.

Esta é, basicamente, a trama que mal e mal se desenvolve ao longo do filme. A diferença social entre os amantes evoca o formato de relacionamento das “cantigas de amor”, típicas do Trovadorismo da Idade Média. Ainda que a dama, no caso do longa, seja solícita e entregue, permanece certa insegurança por parte de Jean, que se sente sempre em posição inferior.

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Conforme a relação evolui, Aurore vê sua inspiração artística florescer novamente. O fato não passa despercebido por seu irmão e assessor, Paul (Stéphane Freiss), que passa a rechear a agenda da pianista com concertos e ensaios. Eis mais um fator que atua para afastar o casal apaixonado.

Estabelecido o modelo de “amor impossível”, o filme se torna um romance hollywoodiano vestido e maquiado ao modo francês. É, declaradamente, uma produção de apelo popular, ainda que mantenha o requinte e a preocupação com a fotografia.

Um viés bem explorado por Mouret é a ambiguidade das relações humanas, que é colocada em evidência. Depois que Dolores sofre um acidente e perde o movimento das pernas, Aurore e Jean sentem pesar sobre eles o remorso da traição, embora o amor pulse entre os dois. Tem início um embate moral entre o desejo, a lealdade e a culpa dos personagens.

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Adotando a técnica de narração anacrônica, o filme traz nas primeiras cenas o final cronológico da estória e, aos poucos, tenta retomar a ordem dos acontecimentos. As muitas idas e vindas, no entanto, deixam o espectador confuso em relação ao posicionamento temporal. Além disso, algumas passagem não ficam muito claras: a chegada do pianista, que se encarrega dos ensaios de Aurore, é um bom exemplo disso.

Com atuações pouco empolgantes e enredo previsível, fica por conta do cenário e da fotografia chamar a atenção do público. Em certos momentos, o enfoque da câmera e objetos, aparentemente inocentes, são capazes de transmitir a mensagem que se pretendia por meios tradicionais. Outro destaque está na trilha sonora, majoritariamente composta por músicas clássicas, muito bem encaixada e que é capaz de dar suporte à dramaticidade das cenas.

Terminando de forma abrupta, o filme, através das cenas finais, nos conta sobre um amor cheio de obstáculos que acaba por minguar quando vê seu caminho desimpedido. O corte inesperado poderia obrigar o público a certa reflexão, mas não faz mais que encerrar o longa e dar lugar às letrinhas que sobem ao som de música clássica.

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