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“Homem Fiel”, uma espécie rara
CINÉFILOS
26 jun 2019 | Por Isabel Magalhães Teles (isabel.teles@usp.br)

A frase “Um Homem Fiel” isoladamente provoca reações diversas que vão de curiosidade até o deboche, passando pela dúvida e a compaixão. O filme homônimo de Louis Garrel (A Faithful Man, 2018), desperta o mesmo sentimento.

O longa, protagonizado pelo diretor no papel de Abel, se beneficia de sua experiência em relacionamentos como ator em Os Sonhadores (The Dreamers, 2003). Dessa vez, Garrel se relaciona com duas mulheres, mas não exatamente ao mesmo tempo, pois como o título denuncia, ele é um homem fiel.

Após morar anos com Marianne (Laetitia Costa), sua colega de faculdade, ela o abandona por outro homem, Paul, um amigo de longa data de ambos, de quem espera um filho. Anos depois do rompimento, circunstâncias inusitadas fazem com que ele e Marianne se reencontram e voltam a se envolver. O romance é permeado pelas constantes investidas de Ève (Lilly-Rose Depp), a irmã de Paul, que nutria uma paixão adolescente por Abel. 

O filme apresenta o ponto de vista de cada um dos protagonistas sobre a história: o amor idealizado de Abel, o senso de independência de Marianne e o sentimento possessivo de Ève.Com situações e diálogos tipicamente franceses, o filme trata de liberdade sexual e afetiva de maneira tanto delicada quanto cômica. Diálogos improváveis são o ponto forte do filme, como a longa cena em que Marianne explica a Abel que ele precisa deixar seu apartamento porque ela está grávida e vai se casar com outro homem, ao que ele reage perguntando a data da festa.

Após anos separados, Abel e Marianne tentam retomar a relação [Foto: Divulgação]

O longa é instigante ao surpreender o espectador com situações inesperadas que mostram a realidade tragicômica de relacionamentos reais, com a constante superação de expectativas, sem propor soluções fechadas para os personagens. 

Entre as ótimas atuações que contribuem para o sucesso do longa, destaca-se a do filho de Marianne, o jovem Joseph (Joseph Engel), que tenta afastar o novo namorado de sua mãe levantando suspeitas sobre o relacionamento com Paul.

Desde o início da trama, fica evidente que a fidelidade de Abel se traduz em  submissão às mulheres. Ele não questiona a separação proposta por Marianne e tampouco sua sugestão de que ele se envolva com Ève para “ver se ela para de incomodar”.Isso porque Abel é um homem fiel em sentido estrito, do tipo que se coloca em situações desfavoráveis, chegando a ser quase pisado pela mulher que ele ama. Apesar de ter uma carreira, depende de mulheres em sua vida para ter apoio emocional, satisfação sexual e até mesmo onde morar. 

Fiel como um cachorrinho, Abel faz rir e emociona. “Um homem fiel” pode parecer trivial, mas entretém ao mesmo tempo em que é inteligente e provoca reflexões sobre padrões de família e relacionamentos, algo que raramente se consegue atingir.  

O filme está em cartaz em São Paulo no Festival Varilux. Confira o trailer:

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