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Um Homem só: um final não comercial
CINÉFILOS
30 set 2016 | Por Jornalismo Júnior

por Laura Raffs
lauraraffsguerra@gmail.com 1

Arnaldo (Vladimir Brichta) é o protagonista infeliz com sua vida e amargo em suas relações. Ele vive em um mundo de constantes frustrações por não suportar seu trabalho e a vida ao lado de sua esposa, Aline (Ingrid Guimarães) – pintora de quadros nudistas conceituais. Tudo o atormenta, inclusive o alarme do chevette velho do seu vizinho que insiste em tocar toda manhã. O desespero e a covardia de não querer encarar seus problemas levam Arnaldo a procurar uma clínica clandestina, onde Dr. Döppel (Daniel Aráoz) realiza cópias de seres humanos, para fazer com que uma cópia assuma sua rotina miserável e ele possa enfim viver liberto.

O longa-metragem foi dirigido pela estreante Cláudia Jouvin, roteirista experiente de diversos filmes, como Gorila (2011), Entre Idas e Vindas (2014), e séries famosas, A Grande Família e A Diarista.  Com um background de cenários de quadrinhos e da cultura pop, Um Homem só (2016) é uma inovadora comédia romântica dramática – ou dramédia – com um desfecho surpreendente e inesperado para seu gênero. Além disso, Cláudia Jouvin adapta muito bem o universo da ficção científica, pouco trabalhada no cinema nacional, para a realidade brasileira, tomando cuidado extra para a clínica de cópias não se tornar “americanizada”. O longa ganhou três prêmios no 43º Festival Gramado, melhor fotografia, melhor ator coadjuvante (Otávio Muller) e melhor atriz (Mariana Ximenes).

De forma envolvente, Vladimir Brichta adota personalidades extremamente diferentes para o seu duplo e o real, marcando sua atuação no filme. Seu tom melancólico e lúgubre faz parte do humor do longa.  Mascarenhas (Otávio Muller), melhor amigo de Arnaldo, é quem vivencia a história junto ao amigo, se dizendo um apto colecionador daquelas histórias que só acontecem “com um amigo de um amigo”.

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Apesar da ótima atuação de Brichta e Muller, quem roubou a cena foi Josie, por quem Arnaldo se apaixona. Mariana Ximenes incorporou a excêntrica menina de cabelos ruivos e cheia de sardas – sua caracterização chegou a durar horas – de forma única. Josie, com um ar de manic pixie dream girl, é uma garota que trabalha em um cemitério para animais com a madrasta (ex-mulher de sua mãe, interpretada por Eliane Giardini), que prefere ser chamada de tia. Ela possui dificuldades de se relacionar de forma profunda com as pessoas – segundo sua madrasta, expert em astrologia, um comportamento típico de uma geminiana – em decorrência da morte da mãe. Por isso ela tenta desesperadamente se desprender de seu passado.

O romance entre Arnaldo e Josie. As dificuldades de Aline. A parceria de Mascarenhas. Uma clínica clandestina. O cenário perfeito para um filme inovador no cinema nacional, com comédia na medida certa e um ensinamento final: não importa a aparência física, cada um é único, um homem só.

Confira o trailer:

https://www.youtube.com/watch?v=4-0FL0xtzzY

 

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O Cinéfilos é o núcleo da Jornalismo Júnior voltado à sétima arte. Desde 2008, produzimos críticas, coberturas e reportagens que vão do cinema mainstream ao circuito alternativo.
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