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Um Simples Olhar Sobre A Vida
CINÉFILOS
14 ago 2014 | Por Jornalismo Júnior

por Paula Lepinski
paulalepinski.usp@gmail.com

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Blockbusters de ação, fantasia, ficção científica e terror são a maior parcela de filmes produzidos hoje, todos com histórias bem fora da realidade. Por isso, quando nos deparamos com um longa como O Casamento de May (May in the Summer, 2013), detentor de uma simplicidade rara, há uma resistência inicial que, se vencida, torna-se uma agradável surpresa.

O longa gira em torno de May Brennam (Cherien Dabis), uma mulher bem sucedida e com uma vida perfeita: mora num apartamento em Nova Iorque, tem um livro de sucesso publicado e está noiva do atencioso e amável Ziad (Alexander Siddig), professor da Universidade de Colúmbia. Porém, semanas antes de seu casamento, ela vai visitar sua família em Amã, capital da Jordânia. Conforme May revive conflitos familiares que há muitos anos havia deixado para trás, a sua vida bem estruturada começa a ruir. A mãe, Nadine (interpretada de forma comovente pela atriz Hiam Abbas), uma rígida cristã,  além de guardar mágoas do divórcio com o pai de May, continua a se recusar a ir ao casamento por Ziad ser muçulmano. As irmãs mais novas, Dalia (Alia Shawkat) e Yasmine (Nadine Malouf), insistem em se comportar como crianças, enquanto o pai, (Bill Pullman), tenta pela primeira vez criar uma ligação com suas filhas. Pra piorar, May faz amizade com o charmoso e aventureiro Karim (Elie Mitri), que sempre está ao lado dela. Diante de todos os problemas, May começa a ficar confusa e a pensar cada vez mais sobre o rumo que a sua vida está tomando sem que ela tome decisão alguma.

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Roteirizado, dirigido e estrelado pela bela Cherien Dabis, O Casamento de May cria um interessante drama familiar que ultrapassa barreiras culturais e étnicas. O filme mostra aquilo que marca todas as relações humanas, sejam elas orientais ou ocidentais: conflitos, medos, angústias e ressentimentos. Por isso, apesar do filme ter como pano de fundo o Médio Oriente e colocar a religião do noivo de May como motivo de conflitos, a essência do longa é muito mais simples e universal. Trata-se das relações familiares e das constantes tentativas de se encontrar e de decidir o próprio futuro.

Para preservar a simplicidade do tema, o filme oferece um retrato da vida real sem melodramas e exageros. Essa restrição, porém, é levada a tal ponto que impede que o longa tenha nuances emocionais suficientes para aprofundar ao máximo as questões abordadas pelo enredo. O resultado é um filme com apenas um tom. Mas isso não é culpa dos atores – todos têm perfomances ótimas. Dabis exibe confiança e carisma na frente das câmeras, enquanto Abbas, a mãe ressentida e religiosa, dá a melhor atuação do longa ao mostrar diversas faces de sua personagem.

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Na fotografia do filme, a cor sépia permeia tanto o cenário urbano quanto as belíssimas paisagens da Jordânia, desde o Mar Morto até os desertos inabitados, passando a sensação de calma e introspecção. Apesar de tais características, a trilha sonora animada e as cenas cômicas no dia-a-dia das personagens (principalmente das três irmãs) criam um humor delicado. O cinismo de Dalia, em particular, produz uma série de momentos engraçados durante o filme.

O Casamento de May é um filme que exige um certo tipo de humor pra ser visto . Calmo, simpático e com diversas facetas das relações humanas, o longa não é o melhor filme do tipo, nem possui o enredo mais original, nem o melhor final que se espera. E, ainda assim, não deixa de ser um sopro de ar fresco em meio a tantas superproduções que aparecem todos os dias nos cinemas.

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