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Um terror pouco inovador, mas que vale o ingresso
CINÉFILOS
10 out 2012 | Por Jornalismo Júnior

O diretor do filme O Exorcismo de Emily Rose (The Exorcism of Emily Rose. 2005.), Scott Derrickson, e o produtor de Atividade Paranormal (Paranormal Activity. 2007.), Jason Blum, trabalham juntos em um novo longa-metragem de terror, chamado A Entidade (Sinister. 2012.). Ethan Hawke, ator conhecido pelos filmes Antes do Amanhecer (Before Sunrise. 1995.), Gattaca (Idem. 1997.), Antes do Pôr-do-Sol (Before Sunset. 2004.), dentre outros, é o protagonista da vez e interpreta um escritor policial que conta crimes reais, chamado Ellison.

Na trama, ele e sua mulher Tracy (Juliet Rylance), juntamente com os filhos Trevor (Michael Hall D’Addario), que é sonâmbulo, e Ashley (Clare Foley), que é aspirante a pintora e enfeita as paredes de seu quarto, se mudam para uma cidade interiorana dos Estados Unidos. Lá, Ellison vai investigar o desaparecimento de Stephanie, a caçula de uma família que viveu anteriormente na casa em que a família está morando agora. Baseando-se nesses fatos, Ellison quer escrever um livro que consiga alcançar o sucesso. Entretanto, ao achar e assistir uma caixa de filmagens caseiras deixada misteriosamente no sótão, o escritor descobre que o caso da garota desaparecida faz parte de assassinatos em série de famílias inteiras; todos eles possuem dois elementos em comum: o desaparecimento dos caçulas das famílias e um mesmo símbolo, preto e pouco conhecido, está presente em todas as filmagens.

Mais que antes, o escritor mergulha na investigação, na esperança de conseguir colocar um livro novamente em primeiro lugar na lista do New York Times. Após diversos sustos aparentes, os acontecimentos sobrenaturais têm início com a família de Ellison.

A fórmula do filme não é, nem de longe, inovadora. As ações para (tentar) provocar o terror se dão sempre durante a noite e envolvem, basicamente, barulhos esquisitos, portas abertas e objetos que ligam e funcionam sozinhos – o que lembra bastante a estratégia de Atividade Paranormal, por exemplo. Outro aspecto que lembra esse mesmo filme é o uso de filmagens caseiras para provocar medo, nas quais os crimes são postos a mostra.  Não foge da receita também as muitas cenas, essas “profissionais”, em que o Ellison vaga pelos corredores da casa no escuro, com a câmera ora focando seu rosto e o escuro atrás dele, ora seguindo o trajeto que o personagem faz, em busca dos sons que escuta.

A trilha sonora é marcante em boa parte das cenas suspense da película, sendo notória e fundamental para provocar o clima de tensão, tanto nas cenas de filmagens caseiras, quanto no filme em si.

Ellison (Ethan Hawke) passa a investigar os fatos que envolvem a série de crimes, que podem vir a ser o roteiro perfeito para seu novo livro policial

O usual conflito decorrente do embate entre o ceticismo e a crença no mundo sobrenatural também está presente. Mesmo com estranhos fenômenos acontecendo ao redor de seu lar, Ellison demora para acreditar que eles realmente existem e que não são impressões provocadas por sua mente, devido aos horrores que assiste nas filmagens caseiras. Então, ele decide continuar com a investigação, mesmo sob protestos da esposa Tracy e sentindo-se perturbado pelo o que estava vivenciando. Isso faz  com que ele entre em grande embate com a família.

Os elementos sobrenaturais também variam pouco. O enredo apela para deuses pagãos da Idade Antiga – como no filme Contatos de Quarto Grau (The Fourth Kind. 2009.)– e crianças seduzidas pelo lado negro – como no clássico Poltergeist – O Fenômeno (Poltergeist. 1982.). No meio da saga, já se imagina a causa dos fenômenos aparentemente inexplicáveis, mesmo que Ellison só descubra tudo no final da película, em decorrência de seu ceticismo. Entretanto, mesmo com trajetória um tanto clichê, o desfecho consegue sair do senso comum e chega a surpreender, mas só saberá o porque disso, quem assistir ao filme!

Luiza Fernandes
luizafc00@gmail.com

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O Cinéfilos é o núcleo da Jornalismo Júnior voltado à sétima arte. Desde 2008, produzimos críticas, coberturas e reportagens que vão do cinema mainstream ao circuito alternativo.
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