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Uma história bem divertida: a animação no mundo do cinema
CINÉFILOS
12 jul 2012 | Por Jornalismo Júnior

É difícil achar alguém que ainda considere o cinema de animação como algo feito só para crianças. Talvez apenas os (antigos) donos de locadoras, que insistem (iam) em colocar esse tipo de filme na área “infantil”. O exemplo mais forte desse sucesso entre todas as idades é Toy Story 3 (EUA. 2010.), longa que ocupa hoje o sétimo lugar entre as maiores arrecadações do cinema mundial, com mais de um bilhão de dólares em bilheteria. Aplaudido pela crítica, o trabalho ganhou, em 2011, o Oscar de melhor Animação e Melhor Canção Original, além de ser nomeado para o principal prêmio da noite, o de Melhor Filme. Mas o que encanta, de fato, nesses filmes, é a possibilidade de contar histórias universais com situações que não conseguiriam ser reproduzidas na vida real.

Andy e Buzz Lightyear, personagens protagonistas de Toy Story, o filme que se tornou um clássico dos filmes de animação

A origem da animação
A palavra “animação” vem do latim anima, que significa alma. É o ato de dar vida àquilo que é inanimado. Não é, portanto, um gênero, e sim uma técnica que dá movimento a imagens estáticas. E se engana quem acha ela foi criada com os primeiros respiros do cinema. Há evidências de que as pinturas rupestres do período Paleolítico já eram feitas para passar a ideia de movimento, principalmente quando os animais desenhados tinham mais pernas que o comum ou eram repetidos em sucessivas posições.

Os egípcios, com as pinturas em paredes e outros objetos, também contavam histórias há mais de 5 mil anos ao usar sequências de imagens, assim como os gregos, séculos depois, com a pintura de estágios de movimento nos objetos de cerâmica. Como não empregavam equipamentos para mostrar o movimento, esses exemplos não são propriamente “animações” no sentido atual da palavra, mas indícios antigos do que hoje se tornaria uma das principais fontes de renda para o cinema.

Primeiras técnicas e equipamentos
Assim como qualquer invenção, a animação também tem uma origem nebulosa. De forma simultânea – ou quase isso – muitos equipamentos e técnicas surgiram pelo mundo, por isso não dá para afirmar categoricamente quem é o criador da animação.

No século XIX foram feitos alguns dispositivos que davam a ilusão de movimento e eram usados principalmente como brinquedos. Um dos primeiros equipamentos foi o Zootrópio, criado em 1834 pelo relojoeiro inglês Willian Horner. Tratava-se de um tambor com algumas frestas em sua circunferência que, ao girar, mostrava para quem observava sequências de imagens que pareciam se movimentar. Em 1868 foi a vez do flipbook, criado por John Barnes Linnet. Era um livrinho, que, até hoje, é muito usado para criar a sensação de animação. Você passa as folhas em alta velocidade e tem-se o efeito. Já em 1877, o cientista francês Emile Raynaud criou o Praxinoscópio, uma versão mais requintada do Zootrópio. Ao invés de ver as imagens pelas ranhuras, elas eram vistas de uma série de espelhos.

Os primeiros passos nos cinemas
As primeiras animações foram criadas junto com o as primeiras produções do cinema mudo. No começo do século XX, um dos destaques vai para o diretor francês Émile Cohl com o seu Fantasmagorie (França. 1908.) (Veja um trecho neste link), que fez uso de projetores modernos para expor sua produção. A primeira animação feita com finalidade comercial foi o Gertie, o Dinossauro (EUA. 1914.) (Veja um trecho neste link). Foram feitos mais de 10 mil desenhos para rodar o filme, tudo na raça, já que a técnica da transparência só surgiria no ano seguinte. O desenho tem aproximadamente 10 minutos e conta a história da dinossauro Gertie, no qual o criador pede para que ela interaja com a plateia.

Na América Latina, em 1917, o argentino Quirino Cristiani criaria o primeiro longa metragem animado. No entanto, por azar ou peça do destino, todas as cópias da produção são queimadas em um incêndio, o que fez com que seu filme Él Apóstol (Argentina. 1917.) ficasse praticamente desconhecido do público. O argentino, inclusive, segundo alguns relatos, também teria conseguido criar o primeiro filme com som sincronizado, porém, nenhuma cópia sobreviveu para contar história.

(Arte: Fernando de Souza / Jornalismo Júnior)

A Supremacia Disney
A consolidação da técnica aparece com o desenho Steamboat Willie, de 1928, de Walt Disney. O desenho marcou a primeira aparição do rato mais famoso da história, Mickey Mouse, e foi o primeiro a incluir de forma sincronizada um som gravado na animação.

O atual maior conglomerado de mídia do mundo, a Walt Disney Company, nasceu em 1923, pelas mãos dos irmãos Walt e Roy. Começou como um estúdio de animação. Em 1932 lança o primeiro curta de animação totalmente colorido, a aventura Flowes and Trees, que dá a Walt o primeiro Oscar da empresa. Não muito longe, em 1937, o estúdio se consagra com o longa metragem Branca de Neve e os Sete Anões, o primeiro filme de animação colorido e com som. Sucesso de bilheteria, aproximadamente quatro anos para ser concluído e teve um custo astronômico para a época: US$ 1, 5 mi. No entanto, todo esse suor foi recompensado. O filme foi tão bem aceito pelo público que chegou a ser relançado nos cinemas em 1952, 1958, 1967, 1975, 1983, 1987 e 1993.

Os avanços da Pixar
A história da Pixar esteve ligada à Disney desde suas origens. Um de seus primeiros membros, fundamental para o que ela é hoje, John Lasseter, formou-se em na escola California Institute of the Arts, idealizada por Walt Disney. Chegou a trabalhar na famosa companhia, mas foi demitido por gostar muito de animações feitas por computador – a empresa ainda era muito ligada às tradições do fundador, morto em 1966. Em 1984, se junta à equipe de animação por computador da Lucasfilm’s Industrial Light Magic.

George Lucas era um grande entusiasta do desenvolvimento do potencial da computação no cinema, além de também se preocupar com o hardware necessário para seu uso. O Pixar Image Computer foi criado especialmente para sua empresa e despertou grande interesse dos estúdios Disney. As vendas do equipamento, no entanto, não alegraram muito os donos. Em parceria com Ed Catmull, que também trabalhava lá, Lasseter apresenta o primeiro curta feita pelo Pixar, The Adventures of Andre and Wally B, um curtíssima, com apenas dois minutos. Lucas não se interessa pelo filme e, devido a problemas financeiros da empresa, coloca a Pixar à venda.

Steve Jobs tinha acabado de sair da Apple e procurava um novo negócio para investir e gerenciar. Encontrou seu lugar na Pixar, em 1986. Jobs era o cara do software e Lasseter e Catmull das animações. A empresa não vinha dando muito lucro até a criação do curta Tin Toy (EUA. 1988.) (Veja o curta neste link), que serviu de base para a idealização do sucesso Toy Story.

A história de Jobs dentro da Pixar foi marcada por muitos tropeços na área financeira. Forçando a empresa a dar lucros e não obtendo bons resultados, a partir daí, a Pixar se une à Disney, com algumas parcerias, sendo a primeira empresa responsável pela produção dos filmes e a segunda por sua distribuição. Em 1995, é lançado o primeiro longa metragem da Pixar, o filme Toy Story. Foi nomeado a três Oscar. Em 2006 a Disney finalmente adquire a Pixar e Jobs se torna o maior acionista individual da empresa.

Sucessos atrás de sucessos, está feita a revolução na técnica de animação. Em 2000, Hollywood cria uma nova categoria de Oscar para premiar filmes de longa-metragem animados digitalmente. O primeiro vencedor é Shrek (EUA. 2001.), da Dreamworks.

Carolina Vellei
carolina.vellei@gmail.com

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O Cinéfilos é o núcleo da Jornalismo Júnior voltado à sétima arte. Desde 2008, produzimos críticas, coberturas e reportagens que vão do cinema mainstream ao circuito alternativo.
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