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Uma poesia italiana de despedida ao faroeste
CINÉFILOS
17 jun 2013 | Por Jornalismo Júnior

A dança da morte em 165 minutos. Assim podemos descrever Era Uma Vez no Oeste (C’era una Volta il Oeste, 1968). Trata-se do mais famoso filme do estilo western spaghetti, nome dado à versão do cinema faroeste americano das décadas de 50 e 60 que surgiu mais ou menos dez anos depois, na Itália.

Foi nessa época que xerifes, bandidos fora-da-lei, duelo de balas e forasteiros misteriosos se imortalizaram no imaginário popular da platéia e alegraram salas de cinema por quase 20 anos. Hoje é difícil encontrar pessoas com essas referências heróicas, pois este estilo foi atropelado pela indústria cinematográfica dos anos 70 e 80 – o que fez, aliás, com que os westerns fossem vistos com maus olhos por boa parte das gerações mais novas.

Era uma vez no Oeste

Talvez daí venha o fato de Era Uma Vez no Oeste ser uma produção de destaque do cinema. O filme é uma pintura do diretor, Sergio Leone, sobre o momento de escassez dos cowboys no tempo de fim do western way of life. A história deste faroeste italiano não chega a ser tão distinta dos bang-bangs americanos, mas a diferença encontra-se na forma como Leone faz um retrato brutal e honesto da dureza da vida e da morte no ocidente, criando uma obra-prima capaz de não apenas entreter como emocionar os seus telespectadores.

O cenário de Era Uma Vez no Oeste é a civilização avançado para o oeste desconhecido e violento em meio ao avanço tecnológico e industrial americano. No meio disso, encontramos uma trama ao redor de cinco personagens – Frank (Henry Fonda), The Man With Harmonica (Charles Bronson), Cheyenne (Jason Robards),  Jill (Claudia Cardinalle) e Morton (Gabriele Ferzetti) – e suas dificuldades pessoais de se adaptar e/ou lidar com essa seca realidade.

E1VNO(1)

Diferente de outros filmes do gênero, aqui a narrativa é mais lenta, mais arrastada. Temos um roteiro triste porém cheio de lirismo, que é captado não somente com as paisagens e fotografias, como também com a belíssima trilha sonora de Ennio Morricone. A sensação que se tem ao assistir é como se o filme fosse o tempo todo e ao mesmo tempo uma homenagem e um adeus de Sergio Leone ao gênero western.

Ao longo das quase 3 horas de filme, uma ponta de nostalgia também despertada, uma vez que o confronto não é apenas entre o novo (a civilização) e o velho (velho-oeste), como também entre os últimos grandes homens dessa época, pois eles são, de certa forma, auto-destrutivos. É como se você pudesse respirar os últimos minutos de uma terra perigosa e sem-lei, onde a vida vale pouco e só sobrevivem os fortes.

A escolha dos atores é acertadíssima, assim como as suas atuações beiram a perfeição. Diferente dos filmes em que é necessária uma explosão de diálogos na tela para que os pensamentos dos personagens fiquem claros a quem assiste, em Era Uma Vez no Oeste é falado apenas o necessário, e você consegue ainda assim entender o que se passa na cabeça de cada um, porque suas expressões faciais, seus olhos, são capazes de dizer tudo.

Sergio Leone

Somente ao assistir Era Uma Vez no Oeste você entende o porquê de os westerns terem feito tanto sucesso, o motivo do seu fim na indústria cinematográfica, e a razão da obra ser lembrada até hoje, mais de 40 anos depois. Você se sente enterrando o gênero junto com Leone,  ao mesmo tempo que compartilha o motivo da homenagem do diretor. Esqueça tudo que você pôde um dia ter pensado sobre filmes de faroeste: procure urgentemente uma forma de assistir esta obra e emocione-se com o último dos westerns spaghettis.

por Sofia Soares
sofia.pere.soa@gmail.com

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