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Uma viagem: do preto e branco para o colorido
CINÉFILOS
16 out 2014 | Por Jornalismo Júnior

Por Thiago Castro
thiagocastro96@gmail.com

Em 1895, os irmãos Lumière projetaram para o público o filme de um trem saindo da estação. Com pouco mais de um minuto, preto e branco e sem som, a plateia ficou assombrada. Eles acharam que o trem iria sair da tela, e fugiram do local. Desde esse dia, também nos assombramos com a evolução do cinema. 3D, 4D, efeitos especiais, técnicas cada vez mais realistas. Mas tudo começou com uma simples missão: trazer as cores do mundo para o universo acinzentado do cinema.

Pode parecer estranho, mas a grande parte dos filmes produzidos até a década de 20 era colorida. Com o auxílio de pinceis e lupas, era aplicada tinta quadro a quadro. Era um trabalho extremamente minucioso, caro e demorado. Outro método era tingir toda a película, criando uma espécie de “filtro”. Em alguns casos, pintavam-se apenas as partes escuras, deixando as claras em seus tons originais de branco.

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Pierrette’s Escapades (1900), colorido a mão.

Os métodos manuais de coloração foram abandonados com a chegada de uma tecnologia revolucionária: o som. O público não ligava muito se o filme era em preto e branco, mas não aceitava mais o cinema mudo. Com essa nova perspectiva, as produções não viam necessidade de gastar tanto tempo e dinheiro para colorir, já que o emprego do som chamava muito mais atenção.

Apesar disso, tentativas de criar uma câmera que captasse as cores reais do mundo nunca pararam. Na década de 30, a norte americana Technicolor lançou uma câmera com três elementos, que filmava em três cores. A luz era projetada nas cores primárias e então sobreposta, dando a impressão de naturalidade. O primeiro filme que usou essa técnica foi Vaidade e beleza (Becky Sharp, 1935).

As cores no cinema passaram a ter mais peso quando surgiu um rival a altura: a televisão. Em meados da década de 50, os produtores ficaram com medo dos espectadores abandonarem a sétima arte, e então investiram pesado em tecnologia. Novas películas foram criadas, com câmeras mais leves e com uma maior gama de cores, tentando ao máximo se aproximar da realidade.

Os filmes que mais faziam sucesso na época eram os musicais. Eles eram uma síntese de toda a evolução do cinema até o momento: som, coreografia, cores vivas e figurinos. É fácil achar grandes exemplos disso. Uma das maiores divas de todos os tempos, Marilyn Monroe, atuava e cantava em grande parte dos seus filmes.

Na década de 60, grande parte da produção de filmes para o cinema vinha trocando o preto e branco pela cor. Quanto mais quente melhor (Some Like it Hot, 1959), porém, foi gravado em preto e branco por escolha. O diretor achou que se fosse a cores, a pele dos personagens ficaria esverdeada por causa da maquiagem.

Já na década de 80, quase 100% das produções já eram coloridas. O preto e branco hoje em dia passou a ser utilizado por estética, mas ainda faz sucesso. Um exemplo é O artista (The Artist, 2011). O Filme conta a história de um ator em declínio e uma atriz em ascensão enquanto o cinema mudo sai de moda. Mesmo sendo produzido sem cores, ganhou o Oscar de melhor filme em 2011.

O Brasil também vivenciou essa transição no mundo cinematográfico. O primeiro filme totalmente a cores produzido aqui foi Destino em Apuros (1953), porém custou uma fortuna. Os negativos tiveram que ser revelados nos Estados Unidos, e teve enormes gastos com o departamento de censura. A produção não se saiu bem nas telonas, não conseguindo recuperar o dinheiro investido.

A 7ª artes passou por grandes transformações. Representar as cores do mundo sempre foi um grande desafio, e passou por inúmeras etapas. Desde pinturas a mão até novíssimas câmeras ultra tecnológicas, o cinema sempre encantou o mundo, trazendo um pouco mais de cor para a vida dos espectadores.

Cinéfilos
O Cinéfilos é o núcleo da Jornalismo Júnior voltado à sétima arte. Desde 2008, produzimos críticas, coberturas e reportagens que vão do cinema mainstream ao circuito alternativo.
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