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Uma vida construída nos Palcos – Brincante
CINÉFILOS
19 nov 2014 | Por Jornalismo Júnior

por Amanda Oliveira 
foliveirafamanda@gmail.com

O universo do teatro transportado para as telas do cinema. Essa é a sensação de nós expectadores quando assistimos o filme Brincante. O diretor Walter Carvalho nos insere nos bastidores do trabalho do artista Antônio Nóbrega. Não há um limite muito nítido entre realidade e ficção. Nós somos levados em cada cena do filme a enxergar Nóbrega com um olhar diferente. Sua história é fundida com a vida dos personagens, por ele interpretado.

O espetáculo Brincante estreou no teatro em 1992. Nele se constrói, de forma cômica, a imagem de Tonheta, um carroceiro que leva a música e dança popular para diversas cidades do Brasil. A história de Tonheta é contada a partir das visões de outros dois personagens João Sidurino (Antônio Nóbrega) e Rosalina (Roseane Almeida), que fazem uma narrativa cheia de elementos artísticos, englobando o teatro a música, e a dança. Sidurino e Rosalina são uma dupla de artistas que percorrem o país levando um circo itinerante em um caminhão.

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Um dos traços mais marcantes do filme é revelar o trabalho de Nóbrega exterior aos palcos. Assim o diretor nos mostra, de forma gradual, os passos que levam a montagem do circo em cada cidade.  A forma com que se conduz o enredo, também é muito interessante. A linguagem poética domina a narrativa, que de uma forma bem humorada, chega até a fazer paralelos com histórias bíblicas, como Adão e Eva e a Arca de Noé.

A dança é um fator muito presente no longa, em alguns momentos ela ultrapassa os palcos e ocupa também as ruas, onde Nóbrega, junto com outros bailarinos do Instituto Brincante, faz diversas apresentações. Nelas podemos encontrar ritmos musicais como o frevo misturado com elementos da música contemporânea. Assim podemos perceber o cinza, dos espaços tipicamente urbanos, como metrôs, prédios e avenidas, sendo substituído pelas as cores da cultura popular.

Uma característica bem trabalhada no filme é a qualidade da produção das imagens. Brincante possui uma fotografia muito viva, que contribuí para contextualizar o universo artístico da vida circense. A trilha sonora, composta pelo repertório do próprio Antônio Nóbrega, também colabora para nos inserir nessa atmosfera.

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No entanto, por ser um filme com uma proposta peculiar de mostrar a realidade entrelaçada com a ficção, o expectador que estiver acostumado com histórias lineares, poderá sentir dificuldades em entender a trama, pois essa não possui um enredo totalmente amarrado. É necessário uma visão bem atenta para captar todas as particularidades de cada papel interpretado pelo artista. Tonheta, Sidurino e o próprio Antônio Nóbrega são personagens construídos no filme, para mostrar a vida de um ator que vê sua história atrelada intimamente ao teatro.

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O Cinéfilos é o núcleo da Jornalismo Júnior voltado à sétima arte. Desde 2008, produzimos críticas, coberturas e reportagens que vão do cinema mainstream ao circuito alternativo.
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