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Paramount+| ‘Vai Dar Nada’ exala brasilidade

PRIMEIRA  APOSTA BRASILEIRA DA RECÉM CHEGADA PARAMOUNT+ ACERTA NA REPRESENTAÇÃO DO BRASIL

CINÉFILOS
19 maio 2022 | Por Suelyton Viana (suelyton.viana@usp.br)

Longe dos clichês limitantes do país do futebol e do carnaval, Vai Dar Nada (2022) apresenta um Brasil mais complexo, mas igualmente colorido e divertido como tanto adoram pintar os diretores brasileiros em suas obras. Dirigida por Jorge Furtado e Ana Luiza Azevedo, a comédia ganhou vida pela visão de Kelson (Cauê Campos), jovem negro que lida com problemas comuns da população periférica na realidade brasileira: subemprego, perseguição da polícia e aliciamento ao crime.

Interpretado com muito carisma por Cauê, o protagonista está envolto em uma realidade na qual todos passam por dilemas éticos e por vezes cometem deslizes até justificáveis aqui e ali. Rebeca (Jéssica Barbosa) é a irmã mais velha de Kelson, que se envolve com o golpista Fernando (Rafael Infante), o qual é casado com Suzi (Katiuscia Canoro), uma policial que tem um pé no crime. Completam a trama a advogada Dra. Marcia (Kizi Vaz); o audacioso interesse amoroso de Kelson, Neide (Fernanda Teixeira); o comparsa do rapaz, Edmundo (Nicolas Vargas) e o “chefe” da favela, Brasilite (Heinz Limaverde).

O roteiro de Guel Arraes e Jorge Furtado consegue entreter o público durante a maior parte do filme — apesar de algumas tiradas cafonas de Rebeca. Mesmo discutindo temas sérios como o desmanche ilegal de veículos, a milícia e a gravação não autorizada de vídeos íntimos, a trama começa e termina de modo descontraído, e apenas Brasilite e Fernando respondem por seus crimes. Isso se deve à recorrência do fator “vilão não vilão”: os personagens centrais estão certos e errados em algum ponto, como é o caso de Suzi, que de tão cativante não faz o espectador torcer pela descoberta do negócio paralelo criminoso da personagem longe da  polícia.

Mulher negra sentada rindo.

Jessica Barbosa como Rebeca em Vai Dar Nada. [Imagem: Divulgação/Paramount+/Fabio Rebelo]

Além disso, as escolhas técnicas tomadas pela produção também contribuem para o grande impacto positivo que o primeiro longa-metragem brasileiro produzido pela Paramount+ apresenta. Porto Alegre, cidade em que ocorreram as filmagens, ganhou, com a fotografia do filme, cores chamativas que combinam de forma espetacular com os figurinos, os ambientes internos bem iluminados e até com os automóveis cintilantes que aparecem em cena, como a famigerada moto de 300 cilindradas de Kelson. 

Todas essas qualidades, em conjunto com a mescla de sotaques — Cauê Campos é carioca, Jéssica Barbosa é baiana e Nicolas Vargas é gaúcho, por exemplo —, elenco majoritariamente negro e indiscutivelmente talentoso, e a expressão na medida certa  do famoso jeitinho brasileiro, fazem de Vai Dar Nada uma realização que abraça a diversidade do Brasil. Vale toda nossa audiência.

Nota: bom

O filme estreou na Paramount+ no dia 18 de maio de 2022. Veja o trailer oficial:

*Imagem de capa: Divulgação/Paramount+/Fabio Rebelo

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