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Netflix: ‘Vampiros x The Bronx’ e a gentrificação
CINÉFILOS
15 out 2020 | Por Gabriella Ramus (gabriellaramus@usp.br)

Vampiros x The Bronx (Vampires vs. the Bronx, 2020) é um filme de comédia e terror teen lançado na Netflix em 2 de outubro deste ano, já preparando o clima de Halloween da plataforma. Nele, os amigos Miguel, o “Prefeitinho”, (Jaden Michael), Bobby (Gerald Jones III) e Luis (Gregory Diaz IV) lutam contra vampiros, uma vez que esses estão planejando transformar o bairro do Bronx na sua própria casa.

Apesar de esse ser o resumo mais literal do que acontece no longa, o filme retrata de forma central a gentrificação, ou seja, o processo de transformação de centros urbanos através da mudança de seus grupos sociais — sai a comunidade de baixa renda e entram moradores de camadas mais ricas.

Nesse caso, os vampiros são também donos de uma imobiliária (Murnau Properties) que está comprando todos os imóveis da região e “construindo novas comunidades” (do slogan “Building New Communities”). Apesar de a crítica ser inteligente, uma vez que tanto os vampiros quanto a gentrificação sugam a alma, o espírito, o sangue e o suor de uma comunidade, ela é óbvia demais. A discussão sobre o tema é latente, cansativa e entediante durante o longa, fazendo com que o caráter de comédia se perca no caminho.

[Imagem: Divulgação/Netflix]

Ainda assim, Vampiros x The Bronx aborda o descaso que há com bairros marginais por parte das autoridades, o que significa fazer parte de uma comunidade e o poder do crime organizado dentro delas. Todos pontos válidos e bem abordados — o último com maestria ainda maior através da dinâmica entre Bobby e o gângster Henny (Jeremie Harris). Gerald W. Jones III transmite habilmente os paradoxos, indecisões e confusões de seu personagem dividido sobre adentrar a vida do crime para conseguir dinheiro para sua mãe e se provar como homem.

A diversidade e inclusão de diferentes etnias também é algo muito positivo no longa. Principalmente no gênero de terror, já que a vaga de não-branco é normalmente preenchida por alguém que morre nos três primeiros segundos de filme. Negros e latinos são os protagonistas dessa vez, não só nos papeis principais, como também por todo o elenco, incluindo o diretor Osmany Rodriguez.

Contudo, a diversidade não exclui clichês. A dinâmica entre um personagem principal neutro e seus dois amigos, um propenso ao mal e outro ao bem, já foi feita milhões de vezes.

[Imagem: Divulgação/Netflix]

Quanto ao caráter mais técnico do filme, suas cores e efeitos sonoros lembram os anos 1980 (com seus desenhos animados) ao mesmo tempo que lives e smartphones são introduzidos, o que cria uma cinematografia um pouco destoante e desconexa. A sequência feita com os preparativos dos meninos para caçarem os vampiros com suas pausas, fonte vintage e cortes rápidos, por exemplo, parece pertencer a um filme diferente das lives da Glotv com seus comentários e corações saltando da tela. Além disso, a imagem dos vampiros é bem caricata, o que de certa forma faz parte do caráter cômico do filme. De qualquer forma, a representação de tal lenda poderia ter sido mais ousada.

Em geral, Vampiros x The Bronx é um bom filme de sessão da tarde com uma importante mensagem a passar, mas sua execução não é das melhores.

O longa já está disponível para todos os assinantes da Netflix. Confira o trailer:

Capa: [Imagem: Divulgação/Netflix]

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O Cinéfilos é o núcleo da Jornalismo Júnior voltado à sétima arte. Desde 2008, produzimos críticas, coberturas e reportagens que vão do cinema mainstream ao circuito alternativo.
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