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Vegetarianismo – Página de desambiguação
Água na Boca
22 jun 2013 | Por Jornalismo Júnior

Quando se digita “vegetarianismo” no Google, o primeiro link que nos é apresentado leva a um artigo do Wikipédia que explica minuciosamente no que consiste essa dieta. São, no entanto, as três palavrinhas que intitulam um dos tópicos desse artigo que melhor conseguem resumir o que foi – e até mesmo o que não foi – abordado ali pelos contribuintes do site: “Confusão de termos”.

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Quando se pensa em “vegetarianismo” no Brasil, a primeira associação feita pela maioria das pessoas é à imagem de uma folha de alface. No artigo do Wikipédia ao qual já nos levou o Google, constata-se que vegetarianismo é um “regime alimentar que exclui da dieta todos os tipos de carne”. O senso comum brasileiro, no entanto, prioriza não a eliminação das carnes, mas a presença de saladas ou de comidas “light” na criação desse conceito. Por esse motivo, é raro encontrar um vegetariano que nunca tenha ouvido as perguntas “Mas, e peixe?!” ou “Presunto você come?” por aí.

Da dificuldade em imaginar uma dieta sem a “vangloriada” carne – ou à base de simplórias folhas de alface – ao sacrifício para obter informações precisas sobre o assunto, entende-se o porquê de não se conseguir apurar quem realmente deixa as carnes de fora do prato, no Brasil.

Apesar de, segundo uma pesquisa do IBOPE feita em 2010, 9% dos brasileiros se dizerem “vegetarianos”, muitos deles comem peixe e frango. E essa porcentagem, grande quando comparada com a de países como França, Portugal e Holanda, perde todo o seu valor.

O próprio conceito de “dieta sem carnes” é nebuloso: muitos médicos ou nutricionistas informados pela mídia e pelas próprias instituições de ensino em que se formaram se contradizem e não conseguem tratar adequadamente pacientes que precisam de orientações.

Livro de Slywitch ‘Virei Vegetariano e Agora?’ (Alaúde, 2010). Reprodução

Nutricionista formada e regularmente inscrita no Conselho Regional de Nutricionistas do estado de São Paulo, Ana Luisa Bento Fernandes acredita que a formação acadêmica do profissional dá, sim, o preparo para que ele consiga aconselhar o paciente em qualquer dieta requisitada. “O que pode ocorrer no dia a dia, é que nem todos os profissionais nutricionistas têm uma vivência pessoal com essas dietas, o que faz falta na hora de sugerir cardápios.” Um “mito” comum, com que Fernandes já teve que lidar, é o de que quem é vegetariano precisa de suplementação nutricional. “Já fui procurada por uma pessoa que me solicitou uma receita de suplemento de vitaminas e minerais, justificando ter se tornado ‘vegetariana’, e estar preocupada em ‘estar com falta de vitaminas’. Se estava insegura, o que terá motivado a decisão? Por que não me solicitou uma orientação alimentar e sim uma receita de suplemento?” Médico especializado em nutrição, Eric Slywitch desmente a noção dessa necessidade, adicionando ainda que há vários tipos de suplementação indicados para onívoros presentes em nosso dia-a-dia. Um bom exemplo é a adição de iodo ao sal. “Tal adição tem o objetivo de garantir que o iodo seja fornecido a todos os brasileiros, tendo em vista que a sua deficiência é uma das principais causas de retardo mental em crianças (cretinismo)”, afirma Slywitch. Autor de livros como “Virei Vegetariano, e Agora?” e “Alimentação Sem Carne”, o médico demonstra serem mentiras outras noções também bastante difundidas, como a de que vegetarianos devem necessariamente consumir soja. Segundo Slywitch, na verdade são os feijões os melhores substitutos da carne.

Livro ‘Comer Animais’ de Jonathan Safran Foer (Rocco, 2009). Reprodução

Segundo especialistas como o estadunidense Jonathan Safran Foer, a necessidade nutricional de alimentos de fonte animal é apenas um discurso sustentado na cultura ocidental e na importância da indústria da carne para a economia mundial. Safran Foer passou 3 anos de sua vida pesquisando de perto a indústria da carne, para depois registrar seu estudo e suas perspectivas morais a respeito desse consumo na obra “Comer Animais”, publicado no Brasil pela editora Rocco. Mais do que uma simples apologia à dieta, o livro conta a trajetória desses anos de pesquisa desde a curiosidade inicial do autor, que se dá por motivos éticos, até sua visita a inúmeros frigoríficos e abatedouros norte-americanos.

Devido à confusão de conceitos que percebemos no dia-a-dia, e do qual até o Wikipédia tem consciência, é preciso informar-se e prestar atenção no que se come depois de abandonar as carnes. As leituras aqui mencionadas são altamente indicadas para quem quer adotar e até mesmo para quem já é adepto dessa dieta, que, se não se sentir plenamente seguro e saudável, deve consultar um nutricionista.

por Giovana Feix
gih.feix@gmail.com

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