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Vidas Partidas – quando o amor não é suficiente
CINÉFILOS
03 ago 2016 | Por Jornalismo Júnior

por Juliana Lima
juslimas@gmail.com

No Brasil, muitas mulheres sofrem com a violência doméstica, seja a física, psicológica, patrimonial ou sexual. Essa violência pode vir de qualquer pessoa: o pai, irmão, vizinho, amigo, mas na maioria das vezes, o violentador é o marido. Vidas Partidas (2016) é livremente inspirado na história dessas mulheres.

O filme é o primeiro longa-metragem do diretor Marcos Schechtman. Naura Schneider interpreta a personagem principal, a cientista Graça, e também assina a produção. Juntamente das atrizes Georgina Castro e Juliana Schalch – que interpretam a empregada Nice e a estudante Julia, respectivamente – ambos falam da importância que o enredo possui para a sociedade na coletiva de imprensa de São Paulo.

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Sobre o longa, Naura diz que “a ideia partiu de seu documentário sobre violência doméstica, chamado Silêncio das Inocentes (2011), que conta a trajetória da Lei Maria da Penha através de depoimentos de várias vítimas e da própria Maria da Penha”. E que esse documentário mostrou “um universo muito grande que estava próximo de todo mundo”, mas que mesmo assim não era o suficiente. Então, ela resolveu fazer um longa contando uma história “para que as pessoas pudessem se identificar mais” com o assunto. E nada melhor do que uma ficção para cumprir tal tarefa.

No filme, Domingos Montagner vive Raul, professor universitário e marido de Graça. No início, a relação de ambos parece normal, amorosa e feliz, mas já é possível notar algumas características dominadoras no homem. Com o tempo, ele vai se mostrando pouco aberto ao diálogo e violento, inclusive com as filhas. O ciúmes obsessivo e doentio que ele sente pela mulher o deixa transtornado em diversos momentos e prejudica a vida de Graça, inclusive sua carreira. Ao mesmo tempo, ele vive a vida que jamais admitiria que a mulher vivesse, tendo deixado uma mulher e um filho no passado e se envolvendo com sua aluna, Julia.

A história trata do julgamento de Raul em 1992 por um ato criminoso realizado 1982, em que ele teria atentado contra a vida da própria mulher e tramado para o ocorrido parecer um assalto. Esse seria o máximo de violência em que a relação do casal teria atingido.

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O longa retrata com excelência alguns aspectos importantes de situações como essa. Graça, apesar do sofrimento e do medo vivido, ainda é uma mulher que sonha com o bem-estar da família e Raul é um homem inteligente e sedutor que, às vezes, aparenta ser apaixonado e um bom pai. Esse sonho e essa ilusão são o que dificulta ainda mais uma reação de Graça para sair do relacionamento.

Outro ponto levantado é o companheirismo entre as mulheres, percebido principalmente na relação de Graça com Nice, sua empregada e amiga, que é muito importante para a personagem.

Para o diretor e as atrizes, o filme possui um alto poder de identificação com o público por  mostrar pessoas reais com problemas reais, fugindo do maniqueismo bem versus mal, e consegue mostrar que o problema da violência doméstica pode acontecer com qualquer pessoa, independentemente de classe social.

O longa estreia dia 04 de agosto. Confira o trailer:

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