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Virada Sustentável honra seu nome
Eu Fui
03 set 2014 | Por Jornalismo Júnior

Entre tantas definições sobre o que é sustentabilidade, há uma que é simples e que se encaixa perfeitamente no artigo: uma correlação autossustentável por um longo prazo. Aplicando à relação entre o homem, a sociedade e o meio ambiente, significa dizer que a interação entre os indivíduos, seus comuns e a natureza deve ser de tal forma que não haja prejuízos permanentes para ninguém. Em outras palavras, a sustentabilidade é o conceito de bem estar e equilíbrio.

A relação entre esses três personagens vem sendo muito debatida, seja em conferências internacionais, seja em pequenas empresas. O motivo é simples: dependemos uns dos outros, e dependemos da natureza. Com grande importância, e buscando cada vez mais atrair a própria população para tal discussão, a quarta Virada Sustentável levou a população para diversas atividades, em diferentes partes da cidade de São Paulo.

A Virada
Nesse fim de agosto, a virada ocorreu nas quatro regiões da cidade, e na região metropolitana. O exemplo de acessibilidade foi mostrado pelo passeio que ocorreu domingo (31), e que levou dezenas de pessoas para visitar a ilha de Bororé, extremo sul de São Paulo.

Do outro lado da cidade, uma oficina realizada no Parque da Juventude (estação Carandiru) ensinou a produzir tintas coloridas com base de argila, para ambientes externos. Essa produção era classificada pelo site da virada como consumo consciente. Ou seja, a oficina levantava o tema da busca pelo equilíbrio entre homem e natureza.

O equilíbrio também pode ser buscado em modos alternativos de consumo e produção. A horta criada no segundo andar do Centro Cultural de São Paulo mostrou que essas alternativas são possíveis.

virada

Uma pequena horta de temperos divide a vista com a turbulenta rua Vergueiro e os enormes prédios da cidade. Foto: Carolina Pulice.

Ao lado, uma oficina de cosméticos naturais era ministrada por uma italiana membro do Movimento per la decrescita Felice di Padova. Ela ensinou, entre outras coisas, a fazer sabonetes artesanais, livres de substâncias industrializadas e prejudiciais à pele (como o corante, por exemplo).

Mais alternativas
Os catadores são responsáveis por boa parte da reciclagem realizada em São Paulo. Uma alternativa não muito valorizada de reciclagem, esses também tiveram seu espaço na virada. Com uma programação voltada diretamente para eles, na quinta-feira, a UBS de Sapopemba realizou consultas e cuidados higiênicos com os catadores (como consultas médicas e cortes de cabelo). A ideia, que foi bem sucedida, era de dar os devidos cuidados aos catadores, e de personalizar suas carroças, chamando assim a atenção futura da população. Após a personalização, carroceiros, a Eureca (projeto de bateria compostas por crianças e Cedeca) e os organizadores do evento caminharam pelas ruas do bairro, mostrando que com boa vontade, carinho e criatividade é possível unir reciclagem e arte. Um exemplo de cidadania, e um exemplo de sustentabilidade.

A junção de reciclagem e arte. Foto: Evelise Pereira Barboza.

Exposições
Diante de tantas atividades, ainda havia a possibilidade de visitar exposições, também espalhadas por toda cidade. Nas estações São Bento e República, por exemplo, obras como Die Fliegen (As moscas), Onde podemos construir montanhas e Fragmentos de “Circumstatiam” chamavam e ainda chama a atenção dos milhares que passam por lá. Obras modernas procuram levantar questões como a poluição das cidades, condições de moradia, quantidade de resíduos que produzimos e o caos em que vivemos (a “entropia” dita pelo curador de uma exposição).

Soluções para os questionamentos também foram apontadas. A Escola de Comunicações e Artes (ECA) da USP realizou seminários e palestras na sexta feira, com temas como o planejamento do uso e dos recursos hídricos, e sobre a cidadania, comunicação e sustentabilidade.

Resultados
A responsável pela comunicação, Carolina Gutierrez, conta que essa virada teve maior divulgação do que as edições anteriores. Mas não foi a mídia a protagonista desse aumento, e, sim, os próprios participantes. De acordo com ela, foram mais de 1600 “instagramadas”, com fotos variadas. E sem contar o boca a boca, registrado nos metrôs e nos ônibus. A propaganda, nesse caso, ocorreu porque as atividades eram atrativas. Essa atratividade, segundo ela, decorre pelas características das atividades, que misturam ludismo com educação e cultura. E tudo isso porque o objetivo principal da virada é “mudar as relações do dia a dia, mudar a opinião crítica da população, e assim criar uma mudança cultural, positiva e sustentável”.

E parece que o resultado foi positivo, pois o número de participantes e organizadores cresceu. A divulgação pela imprensa ou páginas sociais também. Isso significa dizer que a discussão cresceu, mais pessoas estão falando sobre sustentabilidade e, nesse mundo caótico, vai sendo plantada a semente do bem estar, da harmonia e do equilíbrio. Cresce o mundo da sustentabilidade.

Por Carolina Pulice
carolmppulice@gmail.com

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