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Voando alto: quem voa junto, voa melhor
CINÉFILOS
08 ago 2019 | Por Mariana Catacci (mariana.catacci@usp.br)

Voar, nadar, caçar e até mesmo se equilibrar sobre um pé só: esses são apenas alguns dos desafios que a andorinha Manou (Fábio Lucindo) tem que enfrentar na animação Voando Alto (Manou the Swift, 2018), produzida pela LUXX Film. O filme conta a história de uma andorinha que, logo após o nascimento, é adotada por uma família de gaivotas, principais rivais de sua espécie, revolucionando o relacionamento entre os pássaros daquela região.

Com cenários coloridos e cenas movimentadas pelo vôo dos pássaros, a trama infantil conduz o espectador por todo o processo vivido pelo protagonista durante seu crescimento. A andorinha é criada como os filhotes de gaivota junto com seu irmão caçula, Luc, gaivota de nascença, mas é alvo de julgamentos por parte do restante do bando que não aceita que um pássaro de outra espécie conviva com eles. Manou, no entanto, não se reconhece como andorinha, apenas como uma gaivota desajustada que voa, nada, dorme e caça de forma diferente.

Manou pegando um peixe como as gaivotas, na tentativa de se ajustar. (Imagem: Sola Media)

Após ser culpado por um acidente com ovos de gaivotas, Manou é expulso do bando e passa a viver com as andorinhas. Começa, então, uma história de descoberta e aceitação por parte do protagonista. A passagem do tempo é representada pela sequência de aprendizados que ele enfrenta sobre como viver como uma andorinha, e os paralelos entre os hábitos das duas espécies deixam a narrativa muito divertida.

Entre os aspectos mais interessantes estão as relações criadas ao longo da trama, como a do protagonista e Luc. Manou cuidou de seu irmão desde que nasceu e ambos sempre se aceitaram e se ajudaram durante os conflitos do bando de gaivotas. Já no bando das andorinhas, ele conhece Kalifa, que o ensina como as coisas funcionam por lá. O contraste entre o julgamento das gaivotas e a aceitação por parte dessas duas personagens criam perspectivas opostas que contribuem para a construção da narrativa.

O visual é a melhor parte da produção. A mistura entre natureza e cidade impede que a história fique entediante, além de impressionar o espectador com as imagens exuberantes típicas de animações. A ilustração das personagens contribui e dialoga muito bem com a personalidade de cada uma, facilitando a identificação e simpatia por parte do público.

Além disso, a forma como a história aborda o respeito às diferenças é excepcional. A atenção à diversidade e pluralidade de personagens no cinema tem crescido muito, gerando debates profundos e, às vezes, até cansativos. “Voando alto”, no entanto, trata do assunto de forma espontânea e palatável, fazendo com que o público consiga absorver, desde a infância, a mensagem sobre diversidade sem de fato mencionar as principais tensões que permeiam a sociedade atual.

O teor do filme é leve e descontraído, apesar dos conflitos familiares, mas conta com piadas que também podem entreter os adultos, tornando-se um programa divertido para a família toda. O final traz uma mensagem bonita sobre amizade, respeito e, acima de tudo, cooperação.

A animação tem estreia prevista para o dia 8 de agosto no Brasil. Confira o trailer:

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O Cinéfilos é o núcleo da Jornalismo Júnior voltado à sétima arte. Desde 2008, produzimos críticas, coberturas e reportagens que vão do cinema mainstream ao circuito alternativo.
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