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41ª Mostra Internacional de SP: Mulheres, Mulheres

Este filme faz parte da 41ª Mostra Internacional de Cinema de São Paulo. Para mais resenhas do festival, clique aqui. O longa francês Mulheres, Mulheres (Femmes Femmes, 1974) conta a história de duas atrizes, Hélène (Hélène Surgère) e Sonia (Sonia Saviange), que moram juntas em um apartamento em Paris. Não se sabe ao certo a relação …

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Este filme faz parte da 41ª Mostra Internacional de Cinema de São Paulo. Para mais resenhas do festival, clique aqui.

O longa francês Mulheres, Mulheres (Femmes Femmes, 1974) conta a história de duas atrizes, Hélène (Hélène Surgère) e Sonia (Sonia Saviange), que moram juntas em um apartamento em Paris. Não se sabe ao certo a relação entre elas, se são amigas ou irmãs, sabe-se apenas que as duas amam teatro e sentem uma necessidade gigantesca de atuar. Sonia possui uma carreira ativa, Hélène não.

O filme é em preto e branco e tudo nele lembra uma peça de teatro, principalmente a atuação das duas protagonistas. Algumas cenas são engraçadas, outras marcantes, outras surpreendentes, mas a maioria parece estar perdida. A história não tem começo nem fim, o longa é um pouco estranho, já que não se sabe o que está acontecendo na maior parte do tempo, tornando o filme confuso e cansativo.

As duas protagonistas irritam. Percebe-se que elas vivem juntas há muito tempo, visto que sempre terminam a frase da outra. No geral são personagens “sem sal” e entediantes, que passam a maior parte do tempo bebendo e parecem estar sempre sob efeito de algum entorpecente. Elas são malucas, mas não de forma intrigante, e sim chata e exaustiva: são duas mulheres extremamente infantis e quase insuportáveis. É como se elas fossem tão maçantes que não tivessem outra escolha a não ser morar juntas, porque ninguém mais as aguentaria.

Aos poucos, são revelados para o público alguns segredos, tanto sobre a vida delas quanto sobre o apartamento em que vivem e passam a maior parte do tempo, o que não é suficiente para tornar a história interessante. Em algumas cenas as personagens brincam de atuar e de assustar uma à outra, por isso, não se sabe se as revelações são reais ou se são apenas atuações e brincadeiras. Há alguns momentos cantados, mas o filme não chega a ser um musical. A passagem de cenas é feita com fotos de atrizes dos anos 1950, 1960 e 1970, fotos estas que, às vezes, também aparecem aleatoriamente no meio da conversa.

Mulheres, Mulheres tenta transmitir um ar sonhador, mas não consegue. É provavelmente a produção inauguradora do gênero “no sense” e, assim como no teatro, há muito a quebra da quarta parede, isto é, quando a personagem fala diretamente para o público.

Durante algumas conversas, Hélène e Sonia revelam alguns relatos e lembranças, o que também não inspira nada. É possível perceber apenas que a amizade delas não é tão perfeita assim, na verdade de muito rancor e inveja por trás. Também se percebe que elas são duas personagens loucas, e essa loucura faz com que tomem atitudes chocantes e extremas. Enfim, Mulheres, Mulheres termina da mesma forma que uma peça de teatro, do modo mais dramático possível.

 

por Mariangela Castro
mariangela.ctr@gmail.com 

 

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