Por Hellen Indrigo (hellenindrigoperez@usp.br) e Maria Luísa Lima (malulima21@usp.br)
O quarto dia da Semana do Jornalismo contou com a presença de Yan Ney, formado em jornalismo pela UERJ e produtor de conteúdo do Canal Futura e Rian Córdova, que atua como coordenador de conteúdo da emissora. Na manhã da última quinta-feira (25), os profissionais conversaram com os estudantes sobre o formato adotado pelo veículo para unir o jornalismo ao âmbito educacional.
Com a mediação de Marcelo Donegá e a participação de Mônica Vieira, docente do Departamento de Jornalismo e Editoração (CJE) na área de produção televisiva, os convidados debateram sobre a importância da diversidade e do pensamento criativo na produção de conteúdo audiovisual educativo. Além disso, o grande destaque da palestra foi a apresentação do Giro Universitário, programa que busca dar visibilidade para produções feitas por estudantes de universidades de todo o país.
Novos olhares sobre o jornalismo
No início da palestra, Rian contou sobre a sua jornada profissional desde a formação como roteirista até a vaga que conquistou no Canal Futura. Ao descrever sua atuação na redação de conteúdo para diversos veículos televisivos, ele destacou a influência que o meio teve em sua infância: “Eu cresci tendo a televisão como o centro da casa. Todo mundo se encontrava lá.”
Com o passar do tempo, o domínio da televisão foi transformado pelo surgimento de múltiplas plataformas que permitem a difusão de conteúdo. Essa mudança foi incorporada pelo Futura, que vincula sua programação a operadoras de TV por assinatura, a uma rede universitária – com sinal disponível em televisão aberta e parabólica –, e ao serviço de stream Globoplay.
Antes de assinar com o Futura, Rian já colaborava com a escrita de roteiros eventuais para o veículo e produzia documentários, voltados para a representatividade negra e LGBT. Ao citar a falta de liberdade criativa em trabalhos anteriores, especialmente no cenário da produção audiovisual sobre eventos, o coordenador de conteúdo comentou que sua maior motivação para assumir um cargo no Canal Futura foi a possibilidade de utilizar o conhecimento a favor de causas sociais.

Segundo ele, o veículo passou recentemente por uma reformulação de conteúdo, com o objetivo de torná-lo mais convidativo, acessível e divertido. Além de promover uma reaproximação com as universidades, o Futura contou com a parceria de ONGs e comunidades para repensar as pautas abordadas e buscar uma proximidade maior com os espectadores. Hoje, além do enfoque na educação, as produções do veículo abordam temas relacionados à cultura, à identidade brasileira e à diversidade.
Em seguida, Yan Ney discursou sobre a forma como o meio audiovisual pode ser voltado para a educação. Ele comentou que, ao receber o convite para estagiar no Canal Futura, teve dúvidas sobre o que deveria criar para o veículo: “o que é produzir conteúdo na TV educativa? É falar sobre reforma tributária na educação? É falar sobre o ensino de matemática?”.
Contrariando essas suposições, Rian explicou que o verdadeiro objetivo do canal vem sendo o de contribuir para a construção da cidadania por meio de pautas capazes de abrir sorrisos e, ao mesmo tempo, descomplicar assuntos importantes para a sociedade. De acordo com Ian, essa meta foi intensificada a partir da recente reformulação do Futura, que abriu espaço para que as histórias que não são pautadas pela maioria dos veículos jornalísticos fossem abordadas ali.
“Cabe à nós, enquanto jornalistas, achar essas histórias que saem um pouco do óbvio.”
Yan Ney
Além de encontrar pontos de vista frequentemente ignorados em temas sociais, o Canal Futura também busca explorar a diversidade de pensamentos e enriquecer narrativas com base na vivência de pessoas reais. Uma grande parte do conteúdo produzido pelo veículo tornou-se focado nesses personagens, e divide-se em 6 pilares temáticos: educação, diversidade e inclusão, sustentabilidade, saúde e bem-estar, cultura brasileira e infâncias.
Programa ‘Giro Universitário’: o jornalismo sob o olhar dos estudantes
Após a apresentação acerca da linha editorial do canal, os palestrantes explicaram o Programa Giro Universitário: Ney afirmou que o veículo “não é feito só de especialistas e de grandes acadêmicos, mas também feito pelos alunos”. Por isso, a ideia do canal é agregar visões diversas e plurais sobre temas do cotidiano, por meio da participação de profissionais em formação. O programa reúne três matérias de cinco minutos em formato jornalístico para incentivar os alunos e dar visibilidade ao que eles produzem. A exibição ocorre toda terça-feira às oito da noite, durante o horário de melhor audiência.
Yan também comentou sobre a versatilidade que envolve os programas produzidos: “são temas super transversais, que estão ligados à educação, cultura e sociedade. Podem ser trabalhados com uma série de ferramentas, como Youtube e Spotify”. O Giro é exibido no Canal Futura e no Globoplay, e os projetos podem ser enviados pelo site do Futura.
Rian adiciona que o formato é mais amplo que o comum ao jornalismo hegemônico: “Não precisa ser aquela matéria jornalística clássica do repórter ‘com a cabeça’, é possível pensar de uma forma disruptiva também, ‘interneteira’, e trazer o que vocês têm no repertório de vocês, para trazer novos olhares”.
A professora Mônica relembrou que duas reportagens dos alunos da disciplina Projetos em Televisão, ofertada na Escola de Comunicações e Artes (ECA-USP), foram exibidas no programa. Ela também iniciou a sessão de perguntas da mesa e questionou sobre o financiamento do canal. Rian esclareceu que o Futura é um projeto da Fundação Roberto Marinho, ligado às organizações do Grupo Globo, mas é mantido por mantenedores, como SESI, SENAI, Fundação Bradesco, entre outros.

Marcelo Donegá, mediador da mesa, abriu espaço para perguntas dos alunos e surgiram questionamentos acerca da busca por fontes para os trabalhos do canal. Yan respondeu que a parceria com a assessoria de imprensa torna o trabalho mais fácil, mas ainda exige muito do trabalho de apuração do repórter. Rian complementou que existe uma maior abertura para diálogo devido ao formato de jornalismo realizado pela emissora, afirmando que “no nosso panorama educativo, não se esbarra tanto nisso. As pessoas, no geral, querem falar, estão mais abertas.”
Para finalizar o debate, a dúvida que surgiu cercava o desafio existente em prender as novas gerações e a relação com o panorama de quebra de padrões proposto pela linguagem alternativa do Canal Futura. Para Rian, a produção de conteúdos disruptivos agrega muito ao processo de transmissão de conhecimento. Ele ressaltou a importância de inovar nos formatos e observar vieses não hegemônicos.
[Imagem de capa: Amanda Yoshizaki/Jornalismo Júnior]
