Por Luiz Dias (lhp.dias11973@usp.br)
Entre os dias 9 a 12 de outubro, grandes nomes do fisiculturismo mundial se reuniram em Las Vegas para o Mr. Olympia 2025 — o maior campeonato do esporte. Atletas brasileiros conquistam onze medalhas, sendo três delas de ouro. Fato que coloca o Brasil com o segundo maior quadro de medalhas do torneio.
Dino enfim conquista a Classic Physique
Após desempenho decepcionante em 2024, Ramon Dino se consagrou campeão na categoria Classic — o primeiro brasileiro a alcançar o título — bem como o primeiro a ocupar o trono após a aposentadoria do hexacampeão Chris Bumstead, o Cbum. A categoria passou por mudanças após a saída do ex-campeão e de Urs Kalecinski, antigo rival de Dino que migrou para a categoria Mr. Olympia.

Brasileiro venceu por um ponto em disputa acirrada com o alemão Mike Sommerfeld, vice-campeão em 2024 [Imagem: Reprodução/Instagram:@mrolympiallc]
Após críticas do ano anterior, Dino focou em seus pontos fracos e anunciou mudanças em sua equipe de preparação: Fabrício Pacholok, como treinador, e André Pierin, como coach de poses — um dos pontos mais questionados do atleta. Como resultado, o brasileiro afastou os questionamentos ainda nas prévias onde terminou a competição no centro do palco — lugar destacado para o favorito ao título —, de onde ele não saiu até o fim.
A edição contou com polêmica ao redor de Sommerfeld, principal rival de Dino na temporada. Internautas brasileiros afirmaram que o alemão falsificou sua altura para ganhar vantagem — na Classic, a altura limita o peso que o atleta pode atingir, fator crucial à performance. Após as críticas, a organização do evento realizou novas medições, o que confirmou a divergência de valores. Sommerfeld foi obrigado a emagrecer 6kg em poucos dias para estar apto a competir.
| Campeões – Classic | Nacionalidade | Colocação | Pontuação |
| Ramon Dino | Brasil | 1º | 7 |
| Mike Sommerfeld | Alemanha | 2º | 8 |
| Terrence Ruffin | EUA | 3º | 15 |
| Josema Munoz | Espanha | 4º | 20 |
| Niall Darwen | Reino Unido | 5º | 25 |
A pontuação do Olympia funciona da seguinte forma: cada um dos cinco jurados concede ao participante uma quantidade de pontos igual à sua colocação. Ou seja, se os cinco jurados designarem um atleta ao primeiro lugar, ele recebe um ponto. Ramon Dino recebeu 7 pontos, o que indica que três juízes o colocaram na primeira colocação e dois na segunda posição.
Dinastia brasileira na Wellness segue firme
Enquanto Dino começa seu reinado na Classic, a categoria Wellness é dominada pelas brasileiras desde sua criação em 2021, e a mais nova rainha é Eduarda Bezerra. Em uma votação unânime, com cinco pontos, a atleta tomou a coroa de Isabelle Nunes. Assim como já havia feito no Arnold Classic Ohio 2023 — segundo maior campeonato do fisiculturismo.

Com a vitória em 2025, Bezerra se une ao seleto grupo de campeãs da categoria, junto de Isa Nunes (2024) e Francielle Mattos (2021 a 2023) [Imagem: Reprodução/Instagram:@mrolympiallc]
| Campeãs – Wellness | Nacionalidade | Colocação | Pontuação |
| Eduarda Bezerra | Brasil | 1º | 5 |
| Isabelle Nunes | Brasil | 2º | 12 |
| Elisa Alcantara | República Dominicana | 3º | 13 |
| Rayane Fogal | Brasil | 4º | 20 |
| Leonida Ciobu | Moldávia | 5º | 25 |
Women’s Physique também tem forte presença brasileira
Outra brasileira que obteve uma vitória unânime foi Natalia Abraham Coelho, que reconquistou a coroa da americana Sarah Villegas, após duas edições como vice — o último título de Natalia foi em 2022. A brasileira Zama Benta fechou o pódio firmando a presença nacional na categoria — da qual veio a primeira medalha brasileira no Olympia, com a xará Nathalia Melo em 2012.

As duas medalhistas de ouro do Brasil, Eduarda Bezerra da Wellness, à esquerda, e Natália Abraham Coelho, à direita [Imagem: Reprodução/Instagram:@ifbbpronataliacoelho]
| Campeãs- Women’s Physique | Nacionalidade | Colocação | Pontuação |
| Natalia Abraham Coelho | Brasil / EUA | 1º | 5 |
| Sarah Villegas | EUA | 2º | 10 |
| Zama Benta | Brasil | 3º | 15 |
| Brittany Herrera | EUA | 4º | 20 |
| Sheronica Henton | EUA | 5º | 25 |
Desempenho do Brasil na competição
Mesmo com os EUA mantendo sua hegemonia, o Olympia 2025 foi palco do melhor resultado de atletas brasileiros em toda a história do Olympia: três campeões, 11 medalhistas e 55 qualificados. Esse quadro coloca o Brasil como o segundo país com a maior quantidade de atletas premiados.

Quadro de medalhas do Olympia 2025. Os países não numerados possuem um campeão cada [Imagem: Jornalismo Júnior/Luiz Dias]
Atletas nacionais já somam 21,6% dos competidores, um número muito influenciado pela criação da categoria Wellness em 2021. Modalidade que, junto da Bikini, ambas categorias femininas, concentram a maior porção de fisiculturistas brasileiros. Sete das onze medalhas brasileiras foram conquistadas por mulheres.

Presença de atletas brasileiros no Olympia nos últimos dez anos [Imagem: Jornalismo Júnior/Luiz Dias]
Categoria Mr. Olympia segue sem uma dinastia
Na maior categoria do campeonato, a Mr. Olympia, o novo velho campeão é Derek Lunsford. O atleta reconquistou o título após amargar o terceiro lugar em 2024, um ano após levaro primeiro lugar da Open em 2023. A divisão é frequentemente referida como a casa dos ‘mass monsters’, por conta da ausência de limitações de peso ou altura. Portanto, os atletas devem apresentar o físico mais impressionante que eles sejam capazes de produzir.

Fechando os medalhistas estão os também campeões Hadi Choopan (2022), Andrew Jacked (2020 e 2021), Samson Dauda (2024) e Martin Fitzwater — único a não conquistar o título [Imagem: Reprodução/Instagram:@mrolympiallc]
A Categoria é conhecida pelas suas dinastias, em que campeões defendiam seus títulos por diversos anos consecutivos. Porém, uma nova dinastia não é estabelecida desde o fim da era Phil Heath em 2017, nenhum campeão conseguiu manter o título por mais de dois anos.
| Campeões – Open | Nacionalidade | Colocação | Pontuação |
| Derek Lunsford | EUA | 1º | 5 |
| Hadi Choopan | Irã | 2º | 10 |
| Andrew Jacked | Emirados Árabes Unidos | 3º | 15 |
| Samson Dauda | Reino Unido | 4º | 20 |
| Martin Fitzwater | EUA | 5º | 25 |
Grande estreia brasileira na 212
Enquanto o americano Keone Pearson conquistava seu tricampeonato, dando início à sua própria dinastia na Categoria 212, o brasileiro Lucas Garcia estreou já no terceiro lugar. O novato desbancou veteranos como os medalhistas Vitor Porto e Kerrith Bajjo.

Nome 212 é devido a limitação de peso dos atletas, 212 libras (aproximadamente 96kg) [Imagem: Reprodução/Instagram:@mrolympiallc]
| Campeões – 212 | Nacionalidade | Colocação | Pontuação |
| Keone Pearson | EUA | 1º | 5 |
| Shaun Clarida | EUA | 2º | 10 |
| Lucas Garcia | Brasil | 3º | 16 |
| Nihat Kaya | Turquia | 4º | 19 |
| Courage Opara | EUA | 5º | 27 |
A rainha alcança o hexa
Enquanto a modalidade masculina — a Mr. Olympia — permanece sem uma dinastia, a hexacampeã americana mostra que a Ms. Olympia tem uma dona e o nome dela é Andrea Shaw. Favorita desde o início do campeonato, ela não desapontou, e obteve uma votação unânime em mais uma edição do torneio.

A modalidade é marcada por atletas [Imagem: Reprodução/Instagram:@ifbbpro_james_b]
| Campeãs – Ms Olympia | Nacionalidade | Colocação | Pontuação |
| Andrea Shaw | EUA | 1 | 5 |
| Ashley Lynette Jones | EUA | 2 | 10 |
| Leyvina Barros | Brasil | 3 | 15 |
| Angela Yeo | EUA | 4 | 20 |
| Alcione Barreto | Brasil | 5 | 27 |
Men’s ou Classic Physique?
A cada nova edição, mais se questiona a transformação da Men’s Physique em uma “Classic de bermuda”. Categoria conhecida pelos “físicos de praia”, que se tornam cada vez mais carregados de volume muscular. Essa tendência pode ser vista na evolução do físico do tricampeão Ryan Terry.

A categoria preza por corpos mais naturais e apresenta atletas mais definidos e volumosos anualmente [Imagem: Reprodução/Instagram:@mrolympiallc]
| Campeões – Men’s Physique | Nacionalidade | Colocação | Pontuação |
| Ryan Terry | Reino Unido | 1º | 5 |
| Ali Bilal | Afeganistão | 2º | 12 |
| Brandon Hendrickson | EUA | 3º | 13 |
| Erin Banks | EUA | 4º | 20 |
| Edvan Palmeira | Brasil | 5º | 23 |
Americanas dominam a Bikini, menos o pódio
Influenciadora e modelo digital, Maureen Blanquisco, retoma o título de campeã da categoria Bikini, seu último campeonato foi conquistado em 2022. A atleta enfrentou dura concorrência de quase 70 outras atletas de todas as partes do mundo.

A categoria Bikini preza por físicos femininos mais naturais, menor volume muscular e alta definição [Imagem: Reprodução/Instagram:@ifbbpro_james_b]
| Campeãs – Bikini | Nacionalidade | Colocação | Pontuação |
| Maureen Blanquisco | Filipinas | 1 | 5 |
| Ashlyn Little | EUA | 2 | 10 |
| Jasmine Gonzalez | EUA | 3 | 17 |
| Aimee Delgado | EUA | 4 | 19 |
| Ashley Kaltwasser | EUA | 5 | 25 |
Solidez na Wheelchair Olympia
Outra categoria em que o rei abdica do trono, a Wheelchair estava de portas abertas para um novo líder, com a ausência do hexacampeão Harold Kelley. O Top 5 foi liderado pelo americano James Berger e contou com a presença do brasileiro Josué Monteiro, conhecido como Gorila Albino, em quarto lugar.








