Por Isabela Slussarek (isabelaslussarek@usp.br)
O dia final da Brasil Game Show (BGS) aconteceu no último domingo (12) no Distrito Anhembi, localizado na zona norte da capital de São Paulo. A 16ª edição da maior feira de games da América Latina reuniu cerca de 250 mil visitantes ao longo dos quatro dias. Entre eles, cosplayers, músicos e, principalmente, fãs de jogos.
Pela primeira vez, o evento aconteceu no novo espaço, o que agradou a maioria dos visitantes. Segundo Flávia Lopes, que já frequenta a feira desde 2018, a mudança de local trouxe mais espaço para os estandes e, por já sediar grandes eventos, é bem conhecido pelos frequentadores.
Last Chance Qualifier 2025
O que chamou mais atenção do público foi a grandiosidade e o domínio da empresa Supercell — desenvolvedora de jogos famosos como Clash Royale (Supercell, 2016), Hay Day (Supercell, 2012) e Brawl Stars (Supercell, 2018) — em diferentes espaços do Distrito Anhembi. Ao todo, a empresa investiu em dois grandes estandes: um voltado para o Brawl Stars, e outro que trazia o clássico Clash Royale. Em todos eles, os visitantes podiam participar de atividades interativas e mini jogos em busca de brindes.
O maior espaço foi a Arena Brawl, que sediou o Last Chance Qualifier (LCQ) 2025, um evento classificatório para definir as últimas quatro vagas para o World Finals de Brawl Stars — a famosa competição entre jogadores do mundo todo, incluindo o Brasil. Dezesseis equipes disputaram entre si em todos os dias de evento, o que gerou uma grande comoção entre os fãs.

No total, 50 mil dólares — cerca de 270 mil reais – foram distribuídos como prêmios. Os times que terminaram entre 5º e 8º lugar receberam US$ 6 mil (aproximadamente R$ 32,4 mil), os que ficaram entre 9º e 12º, US$ 4 mil (cerca de R$ 21,6 mil) e os classificados entre 13º e 16º garantiram US$ 2.500 (R$ 13,5 mil) cada.
No segundo e terceiro dia, os times foram divididos em grupos A, B, C e D, com quatro equipes cada. A fase de grupos decidiu oito times que participaram da fase de eliminação do último dia.
Nas competições, dois times se enfrentaram em cinco mapas diferentes do Brawl Stars. Três partidas foram disputadas em cada mapa e a equipe vitoriosa conquistava um ponto por batalha ganha. Quem pontuasse em mais mapas, vencia a partida e passava para a próxima fase. Além das partidas, o público era envolvido em diferentes dinâmicas sobre o jogo e podia concorrer a vantagens dentro do aplicativo.
O último dia de competição
No domingo, a fase de decisão aconteceu e o público vibrou para cada time. No início do dia, os times Revenant XSpark e Rival Esports se enfrentaram. No primeiro time, faziam parte os jogadores Jerome Kuek Jiaen, Jayden Wong (ambos de Singapura) e Ashmit Raj Singh (Índia). No Rival, I See, Mameshi — sem os nomes divulgados, apenas o usuário no jogo — (ambos do Japão) e Na Seong-yeon (Coreia do Sul) foram derrotados por 3 a 0.

A próxima partida foi formada por Totem Esports contra Team Elektros. Composto por Marwane Lahrache, Maurizio Tunno (ambos da Itália) e Yaroslav Labunets (Ucrânia), a equipe Totem venceu os jogadores do time adversário, formados por dois dos Estados Unidos e um do México, com uma pontuação de 3 a 2.
O público torceu pela vitória do Totem Esports, com cartazes e objetos de torcidas personalizados com as cores e o nome do time. Em declaração no palco, o jogador ucraniano demonstrou sua gratidão aos fãs e aos seus companheiros de equipe. “Tem sido um ano bem duro para todos nós, mas nós nunca paramos de acreditar no que fazemos, e nunca duvidamos de nós mesmos”, contou Yaroslav. Ele ainda elogiou a torcida brasileira, ao alegar que é a melhor plateia que já viu.
A última partida foi marcada pelo confronto entre Papara SuperMassive e Natus Vincere. A primeira equipe venceu de 3 a 0, formada pelos jogadores Filippo Xu (Itália), Woodland Tom Edward e Enraged — nome do usuário — (ambos do Reino Unido). Os jogadores do time oposto, vieram do Japão e acabaram perdendo a chance de fazer parte do Mundial, que acontecerá na Suíça.
O sucesso do Casa Brawl E-Sports
Entre a vitória de Totem Esports e de Papara SuperMassive, uma partida envolveu todo o público: Casa Brawl E-Sports versus Crazy Raccoon. Quem levou a vitória foi o segundo time, com uma pontuação de 3 a 2. As disputas mais acirradas causaram comoção em quem estava assistindo e uma grande legião de fãs do Casa tomou conta da Arena Brawl.
Na BGS, a equipe foi formada por Raul Zacheu de Souza, Gustavo Sandoval e Gabriel Davi Nunes da Silva. Criado em fevereiro de 2025 e com poucos meses na ativa, o Casa já conquistou milhares de fãs que torceram e apoiaram o time durante toda a partida.
O público gritou o nome do time e dos jogadores, balançou bandeiras personalizadas e fez uma multidão em frente ao palco, o que fez com que os seguranças tivessem dificuldades para controlar a animação. Os brasileiros cantaram vitória no início do jogo antes de acontecer uma virada inesperada.
Nos stories do Instagram, a conta do time publicou o seguinte texto seguido de uma foto dos jogadores com a torcida: “Obrigado a todos os fãs, torcida e energia que vocês nos deram durante esses três dias de LCQ. Infelizmente, perdemos para o Crazy Raccoon por 3×2.”

No meio de uma legião de fãs do Casa, que torciam pela conquista de uma vaga no Mundial, Vitor Menezes, de 12 anos, torcia em silêncio pelo time adversário. O menino já frequentou a BGS na edição anterior e participou de todos os dias do evento deste ano. Para ele, estar torcendo em minoria para o Crazy Raccoons foi um misto de emoções. “Eu fiquei muito feliz com a vitória, mas também com peso na consciência”, alega Vitor.
Para os fãs de Brawl Stars, o investimento da empresa em construir uma grande arena e trazer grandes nomes nacionais e internacionais desse universo foi uma experiência única. Os admiradores do jogo puderam adentrar cada vez mais no mundo da obra e experienciar a emoção de assistir uma partida ao vivo — que muitas vezes acontece apenas de maneira online.
*Imagem de capa: Fernando Silvestre/Acervo Pessoal
