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Visages, Villages captura a sensibilidade de modo simples e único

Da parceria entre a brilhante cineasta Agnès Varda e o fotógrafo JR surge Visages, Villages (2017), com certeza um dos filmes mais sensíveis e bonitos do ano. Os dois artistas decidem “pegar a estrada” a bordo de um caminhão fotográfico (que funciona como uma polaroid gigante) e explorar os pequenos vilarejos e aldeias da França, …

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Da parceria entre a brilhante cineasta Agnès Varda e o fotógrafo JR surge Visages, Villages (2017), com certeza um dos filmes mais sensíveis e bonitos do ano. Os dois artistas decidem “pegar a estrada” a bordo de um caminhão fotográfico (que funciona como uma polaroid gigante) e explorar os pequenos vilarejos e aldeias da França, com o objetivo de conhecer as pessoas que os habitam.

Visages, Villages
Divulgação/Le Pacte

Eles estão em busca de “cidadezinhas comuns e gente comum”, pois como a própria Varda diz, estas pessoas vistas de perto são originais e únicas, e são delas que ela gosta. Em Visages, Villages, como em todo bom road movie, a jornada é uma experiência muito mais importante do que o destino (mas neste caso, o destino também é surpreendente). Ao conversar com os moradores e conforme a história de vida de cada um deles é revelada, Varda captura a essência de cada personagem, extraindo muita emoção de suas falas. Tudo isso é feito com simplicidade, sem a utilização de efeitos especiais ou técnicas complexas de fotografia, quase como em um filme caseiro.

A trilha sonora é composta por melodias simples de violão, as paisagens são belíssimas e a câmera realiza movimentos sutis. O mais importante do longa são as histórias contadas pelas pessoas. E no meio de tantos relatos e descobertas os dois realizadores não ficam em segundo plano, pelo contrário, são extremamente bem construídos e repletos de características singulares e marcantes. JK usa sempre chapéu e óculos e Varda, extremamente falante e aberta, tem o cabelo pintado de duas cores. Os dois chegam a parecer personagens de um filme de ficção, de tão autênticos.

Visages, Villages
Divulgação/Le Pacte

Rostos e vilarejos (traduzido ao pé da letra) rompe com o estereótipo de documentário e mostra que este gênero não se trata apenas de ciência e não tem que ter sempre uma abordagem fria e distante. Não são só entrevistas formais ou retratos de pessoas. São indivíduos que se transformam em arte. Após uma conversa pessoal e íntima, JK imprime fotos gigantes dos moradores e, com elas, estampa casas, ruas e esquinas. As pessoas se tornam paisagem e isso faz com que o olhar delas, dos dois realizadores e do próprio espectador, mude.

Em apenas 90 minutos de filme, é possível conhecer a todos muito bem. É impressionante que em tão pouco tempo o ritmo se mantenha calmo e tranquilo, tendo em vista a densidade das histórias contadas. Seria muito fácil que o JK e a Agnes caíssem em um excesso de informação, mas isso não ocorre. O tempo é perfeito.

Visages, Villages
Divulgação/Le Pacte

Visages, Villages mostra a arte (no caso, a fotografia) como uma forma de eternizar: proteger momentos, pessoas e histórias. O que é extremamente raro em um mundo que está em constante mudança. Há uma cena, por exemplo, em que eles conversam com uma mulher que é a última moradora da rua e, depois, estampam sua casa com seu rosto. É uma imagem extremamente simbólica e forte, pois transmite a história desta senhora com muito sentimento e muita emoção. É quase impossível não sentir um arrepio e um calorzinho no peito.

Premiado em 2017 no Festival de Cannes, extremamente comovente, Visages, Villages estreia dia 25 de janeiro e é indispensável para aqueles que amam cinema e arte.

Trailer:

por Mariangela Castro
mariangela.ctr@gmail.com

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