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‘O Diário de Pilar na Amazônia’: uma celebração da riqueza da cultura brasileira para a criançada | 2ª Mostrinha Internacional de Cinema de SP

Olhar infantil sobre degradação da natureza transmite a importância da preservação ambiental para público infantojuvenil de forma leve
Por Maria Luísa Lima (malulima21@usp.br

A 2ª edição da Mostrinha Internacional de Cinema, a versão infantil da Mostra Internacional de Cinema em São Paulo, abriu sua programação no último dia 16 com chave de ouro: a primeira sessão dos filmes selecionados apresentou O Diário de Pilar na Amazônia para o mundo pela primeira vez. 

Voltado ao público infantil, o programa busca aproximar as crianças do universo do cinema e incentivar a formação de uma nova geração de espectadores. A 2ª Mostrinha apresenta 14 longas-metragens e sete curtas, com exibições gratuitas e pagas, entre os dias 17 e 30 de outubro. O homenageado deste ano é o quadrinista Maurício de Sousa, responsável pelo pôster desta edição.

A Sala São Paulo, no centro histórico da cidade, lotou sua capacidade para prestigiar a primeira exibição do longa, com a presença dos atores [Imagem: Acervo Pessoal/Maria Luísa Lima]

A sessão reuniu realizadores, o elenco e a equipe do filme, além de estudantes de escolas da rede pública da capital paulista, que chegaram ao local em ônibus disponibilizados pela Secretaria Municipal de Turismo e pela Secretaria Municipal de Educação.

Flávia Lins e Silva, escritora da série de livros que inspirou o longa e roteirista do projeto, ao lado de João Costa Van Hombeeck (‘Sinfonia’), esteve presente e demonstrou a imensa felicidade de apresentar o projeto trabalhado ao longo de anos. “Eu me sinto realizando um sonho. Então, sonhem muito, escrevam, viajem, inventem histórias, porque a gente tem que acreditar nos nossos sonhos”, finalizou a autora durante a cerimônia de abertura. 

Os diretores Eduardo Vaisman (Juntos e Enrolados) e Rodrigo Van der Put (Vidente por Acidente) ressaltaram a influência de clássicos infantis estrangeiros, como “Esqueceram de mim” para a construção do filme: “Buscamos os filmes que a gente via quando tínhamos a idade de vocês. A gente pensou: precisamos fazer esses filmes aqui no Brasil, contando o nosso folclore”, disse Rodrigo.

Com produção da Conspiração e distribuição da Star Distribution, o longa tem a premissa de entreter todas as faixas etárias [Imagem: Acervo Pessoal/Maria Luísa Lima]

Com estreia marcada para janeiro de 2026, o filme retrata as aventuras de Pilar (Lina Flor), uma menina cheia de curiosidade e defensora fervorosa da preservação dos recursos ambientais. Com a ajuda de uma rede mágica herdada do avô e acompanhada por Breno (Miguel Soares) e seu gatinho simpático, Samba, ela viaja até a Floresta Amazônica e encontra um cenário preocupante.

Ao chegarem na floresta, Pilar e Breno conhecem Maiara (Sophia Ataíde), uma ribeirinha que teve sua comunidade destruída, e Bira (Thúlio Naab), um garoto esperto que percorre os rios em busca de um pirarucu de quatro metros. Juntos, eles embarcam em uma missão para reencontrar a família de Maiara, que fugiu durante uma queimada criminosa, e com o objetivo de impedir o avanço do desmatamento ilegal.

A fotografia é um ponto de destaque da obra, ao passo que representa dignamente a beleza natural da Amazônia. Visuais aéreos de paisagens iconicas, como o encontro do Rio Negro com o Rio Solimões na formação do Rio Amazonas, encantam o olhar e apresentam aspectos importantes da fauna e flora brasileira ao público infantil de forma lúdica. 

Os efeitos visuais também colaboram para a imersão do espectador ao universo de Pilar, ao representar na tela os escritos da protagonista com sua caligrafia, como se estivéssemos de fato lendo o seu diário. A montagem de cenas dos quatro amigos durante a aventura se sobrepõem aos escritos e provocam a emoção em quem assiste. 

Os quatro amigos se unem em prol de um bem maior: salvar a Amazônia dos criminosos que detém o poder local e degradam a floresta [Imagem: Reprodução/IMDb]

A apresentação de lendas folclóricas dão cor à trajetória dos personagens, apresentando a Mãe d’água, o boto cor-de-rosa e o curupira, que exercem um papel importante em partes cruciais da narrativa. A representação da brasilidade brilha na telona e é possível notar o cuidado da produção com a importância de transmitir esse conhecimento tradicional para as novas gerações.

Além dos aspectos técnicos, a performance carismática e encantadora dos atores mirins também é um ponto positivo do longa. Mesmo tão jovens, eles conseguem transmitir a beleza das descobertas da infância e o modo tão singular de encarar a vida e seus desafios nessa época de maneira ótima. 

A relação de amizade e parceria desenvolvida entre Pilar e Breno é um dos aspectos mais interessantes da obra [Imagem: Reprodução/IMDb]

Em entrevista à Jornalismo Júnior, Miguel Soares, intérprete de Breno, afirmou que sua parte favorita de gravar foi a ida à Alter do Chão, no Pará: “Aprendi a remar lá, o lugar é muito bonito. Foi um dos cenários mais marcantes.” Já Lina Flor, que brilha como Pilar, afirmou que adorou assistir à batalha dos vilões na telona do cinema. 

Pilar encanta pela dualidade entre a sensibilidade e a esperteza tão únicas em seu modo de agir, e a determinação em atingir seus objetivos. Ela consegue imergir todos os espectadores na torcida para que seus planos mirabolantes consigam terminar bem. Seu bolso mágico que possui todos os objetos necessários para a concretização de suas ideias diverte e contribui para a criação da atmosfera mágica e encantadora do longa.

Os veteranos desempenham muito bem sua função como coadjuvantes da história. Nanda Costa tem uma breve participação como Isabel, mãe de Pilar. Marcelo Adnet interpreta Doutor Ernesto, o grande vilão da trama, e mandante das ações criminosas na floresta. 

Já Babu Santana, Emílio Dantas e Rafael Saraiva aparecem no papel dos capangas de Adnet e brilham como vilões caricatos, mas em razão do roteiro, caem na obviedade ao perpetuar estereótipos já trabalhados por vilões em diversos filmes infantojuvenis. No entanto, ao focar no olhar sensível e temática bem trabalhada do filme, torna-se perdoável o desenvolvimento óbvio e é possível se divertir com o desfecho usual dos personagens. 

O desenvolvimento encaminha o filme para um final reconfortante, que deixa uma faísca de esperança em meio a um cenário preocupante no âmbito ambiental. O Diário de Pilar na Amazônia cumpre muito bem seu objetivo em provocar o público infantil a entender a importância de agir em prol da preservação ambiental. A mensagem que fica, tanto para os pequenos, quanto para os adultos que prestigiam a obra, é que o desafio é imenso, mas é possível proteger a floresta se a sociedade pensar de forma criativa em meios efetivos de fiscalização. 

Esse filme faz parte da 2ª Mostrinha Internacional de Cinema de São Paulo. Confira no site oficial as sessões disponíveis. Para mais resenhas do festival, clique na tag no começo do texto.

O diário de Pilar na Amazônia estreia em janeiro nos cinemas de todo o Brasil. Confira o trailer:

*Imagem de Capa: Reprodução/IMDb

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