Home Rússia 2018 Altos gastos com a copa dividem a população entre a beleza e a corrupção
Altos gastos com a copa dividem a população entre a beleza e a corrupção
ARQUIBANCADA
10 jul 2018 | Por Jornalismo Júnior

Por Crisley Santana e Pedro Teixeira

Com valor alto investido, a Copa do Mundo na Rússia teve gasto final avaliado em 38,4 bilhões de reais – cerca de 683 bilhões de rublos, moeda russa. As despesas são maiores que aquelas geradas no Brasil para com o mesmo evento esportivo.

Antes de iniciar o campeonato, o Comitê Organizador Local (COL) divulgou o orçamento final, que passou do previsto inicialmente – 638 bilhões de rublos. Segundo o mesmo Comitê, o valor fora investido principalmente na construção e reformas de estádios e arenas, mas também em infraestrutura de transporte, despesas operacionais, dentre outros. O investimento partiu de fundos federais, de governos locais e de empresas estatais e privadas.

Todas as reformas e demais serviços prestados geraram 220 mil novos empregos no país, e a expectativa é que o evento seja capaz de gerar um alto impacto econômico, fazendo subir até mesmo o PIB russo, segundo o relatório divulgado pelo COL.

Ao comparar os gastos da Rússia com os gastos brasileiros para a Copa de 2014, é possível notar uma grande diferença, pois o relatório divulgado pelo Tribunal de Contas da União (TCU),  no fim daquele mesmo ano, confirmou o valor total de 25,5 bilhões de reais. Sendo assim, a Rússia supera o país brasileiro em quantia final investida na Copa do Mundo.

12 estádios sediam os jogos da Copa 2018

Os estádios que receberam os jogos da Copa este ano possuem algumas curiosidades e aspectos que nem imaginamos. Por isso, o Arquibancada separou um pouco da história e dos dados de cada um deles para você.

Estádio de São Petersburgo: Originalmente chamado de Krestovsky, foi o palco de Brasil X Costa Rica, segunda partida da seleção na fase de grupos. Ele será herdado pelo clube de futebol Zenit após a Copa, por isso a estrutura interna é composta por um azul forte (mesma cor do time), que colore as arquibancadas. Sua reforma durou vários anos e custou cerca de 2,3 bilhões de reais.

Estádio de São Petersburgo. (IG/Reprodução)

Estádio Lujniki: Localizado na cidade de Moscou, capital da Rússia, o estádio de Lujniki, além de ter sediado a abertura da Copa, também servirá de palco para a final do campeonato.

Como muitos dos estádios russos, o Lujniki também possui história, a começar pelo primeiro nome que recebeu, no ano de sua inauguração, em 1956: Estádio Central Lênin, em homenagem ao líder comunista. Entretanto, passou a ser chamado de Lujniki quando a União Soviética deixou de existir.

Também já foi palco dos memoráveis Jogos Olímpicos de 1980, presenciou Cristiano Ronaldo levantando sua primeira taça pela Liga do Campeões em 2008 – ainda atuando pelo Manchester United, da Inglaterra –, e agora é parte da maior festa do futebol mundial.  

O oval estádio Lujniki. (Imagem: Site Estadão)

Estádio Spartak: À primeira vista, você pode não notar o que o nome desse estádio representa, e é por isso que o Arquibancada está aqui para te fazer notar. Esse nome tem a ver com aulas de história sobre Roma. Ainda não percebeu? Spartak é uma homenagem ao gladiador Espártaco, líder de uma revolta de escravos romanos que quase destituiu o governo da época.

Ainda, carrega o mesmo nome do time que herda esse estádio, o clube de futebol Spartak. Foi em 2014 que o clube pôde chamá-lo de casa, após sete anos de espera pela sua construção. Ele também se encontra na capital russa Moscou, e isso a torna única, pois nenhuma outra cidade está recebendo os jogos da Copa 2018 em dois estádios, somente Moscou.

Vermelho e branco colorem o Estádio Spartak.(Imagem: Sputnik Brasil/Reprodução)

Arena Kazan: Antes de dizermos onde a Arena Kazan está localizada, é importante explicar que a Rússia possui certas subdivisões. Entre elas, as chamadas “repúblicas”, que são basicamente como os estados no Brasil. A Arena Kazan está na capital de uma dessas repúblicas, a República do Tartaristão. Por isso ela possui esse nome, já que a capital também denomina-se Kazan.

Vista de dentro da Arena Kazan. (Imagem: IG/Reprodução)

Esse lugar é marcado por sua população de maioria muçulmana, sendo assim um símbolo de religião. É também considerada um centro industrial e financeiro, além de possuir algumas curiosidades que a diferencia das demais, pois é a cidade que possui maior número de estudantes (cerca de 200 mil), fala língua tártara além da russa e é a terceira maior do país.

Mas voltando a falar da Arena Kazan, ela é casa do time Rubin Kazan, o principal da cidade; foi inaugurada em 2013; custou 1,76 bilhão de reais; tem capacidade para mais de 44 mil pessoas e seu projeto arquitetônico está baseado no formato da flor ninfeia. Ao final da copa, terá recebido 6 jogos do torneio.

Estádio Olímpico Fisht: Fisht significa “cabeça branca”, e cabeça branca é uma referência aos picos de neve que se formam durante o inverno russo. Localizado na cidade de Sóchi, esse estádio foi desenvolvido para receber os Jogos Olímpicos de Inverno em 2014, e, apesar de não haver futebol no local, ele foi remodelado seguindo os moldes do padrão Fifa para receber os jogos da Copa do Mundo. Custou um pouco mais de 2 bilhões de reais e possui capacidade para 47.700 pessoas.

O “cabeça branca” de Sóchi (Imagem: Divulgação/Folha de S. Paulo)

Arena Volgogrado: Por trás da história dessa arena, está a cidade de Volgogrado, palco do conflito mais violento e sangrento da Segunda Guerra Mundial: a chamada Batalha de Stalingrado, que durou mais de seis meses e vitimou quase 2 milhões de pessoas. Não à toa, diversos resquícios de bombas e balas utilizadas na batalha foram encontrados no terreno onde se ergueu o estádio, além das ossadas de vários combatentes.

Entretanto, a nova “cara” do lugar fez com que os aspectos que lembravam essa triste história deixassem de existir. Na época da batalha, a cidade denominava-se Stalingrado, também em homenagem a Josef Stálin. Após o conflito, ela teve que ser totalmente reconstruída e, além de ter mudado de nome, apresenta um misto de paz e homenagens àqueles que se sacrificaram por seu país na guerra. Tanto que a construção da Arena Volgogrado foi pensada de maneira a possuir uma bela vista para a estátua Mãe Pátria, que, do alto de seus 85 metros de altura, homenageia os mortos do combate.

A Arena foi construída especialmente para a Copa do Mundo, e, mesmo que só tenha recebido quatro jogos da fase de grupos, custou 912 milhões de reais (equivalente a 16 bilhões de rublos russos) e possui capacidade para 45.568 pessoas.

Arena Volgogrado possui vista para a estátua Mãe Pátria. (Imagem: Folha de S. Paulo/Reprodução)

Estádio Central: Única sede da copa posicionada na porção leste dos montes Urais, a cidade de Ecaterimburgo tem um dos estádios mais tradicionais e belos do país. Em meio às caras arenas construídas do zero, o Estádio Central é cheio de histórias. Construído ainda no auge da União Soviética, é o lar de um dos times mais consagrados da Rússia, o FC Ural.

Apesar de ser histórico, o Estádio Central passou por uma extensa expansão, com o intuito de se adequar às normas da Fifa. Chamam a atenção duas características da arena: a pomposa fachada que foi mantida, que remete a antiga arquitetura soviética, e a peculiar estrutura de arquibancadas provisórias, que contrasta com a estética do local.

O FC Ural, hoje, não tem o mesmo sucesso que já alcançou no futebol, mesmo porque quase foi rebaixado no ano passado. Com a retirada das estruturas provisórias, a capacidade atual, de quase 36 mil torcedores, será reduzida para 23 mil, um número mais compatível à torcida do time da Rússia Oriental.

Mesmo com a arquitetura pomposa, as arquibancadas provisórias geram comentários. (Imagem: Trivela/Reprodução)

Estádio Kaliningrado:

A bonita cobertura contaria ainda com um teto retrátil. (Imagem: Uol Esportes/Reprodução)

Localizado no exclave russo entre Lituânia e Polônia, anexado pela URSS no desenrolar da Segunda Guerra Mundial, um dos maiores destaques do Estádio Kaliningrado é a maior facilidade de acesso para o torcedor ocidental. Com uma arquitetura relativamente simples, provou-se um dos estádios mais funcionais da copa. Até porque o projeto inicial sofreu uma série de cortes por inviabilidades financeiras.

Há críticas, de todo modo, dado que o time local de Kaliningrado, o FC Baltika, tem uma baixa representatividade dentro do futebol russo. Assim sendo, é temida a subutilização do espaço. No dizer do povo, um elefante branco.

Estádio de Níjni Novgorod: Situado entre a confluência dos rios Volga e Oka, o estádio da cidade de Strelka entrega uma das visões mais bonitas da Copa. Um prenúncio de incêndio, em outubro do ano passado, assustou a organização. Entretanto, não passou de um pequeno incidente, e os belos pilares delgados do estádio ornam muito bem a beleza natural da região.

Assim como grande parte das arenas da copa, o Níjni Novgorod pode ser pouco procurado. Espera-se que o uso para outros esportes complemente essa baixa demanda, de modo a não torná-lo em algo para inglês ver.

Cuidadosamente colocado à margem dos dois rios, o Estádio de Níjni Novgorod realmente é estonteante. (Imagem: IG Esportes/Reprodução)

 

Durante a noite, as luzes artificiais ressaltam o desenho fluido do estádio. (Imagem: StadiumDB/Reprodução)

Arena de Rostov: Outra grande obra premiada com um rio vicinal é a Arena de Rostov. Com uma série de adiamentos de sua inauguração, o estádio foi finalmente entregue no fim do ano passado. A cobertura da estrutura foi desenhada de maneira a representar o serpentear do rio Don, um toque sutil e criativo à encantadora arena.

Embora o projeto original tenha sofrido uma série de cortes, devido a uma série de fatores econômicos e de planejamento, como aconteceu com outros estádios da copa, o resultado final é ainda bastante satisfatório. O FC Rostov, conhecido como “Leicester Russo” após quase conquistar o campeonato nacional recentemente, fará um bom uso do estádio após uma pequena redução de sua capacidade total.

Estádio de Samara: Um dos estádios mais polêmicos da copa está em uma cidade com um passado bem obscuro. Samara, durante grande parte da União Soviética, foi uma cidade fechada, não só para estrangeiros, mas também para outros soviéticos de fora da cidade, que não fossem do alto escalão. Essa redoma de sigilos era consequente do programa aeroespacial soviético, lá desenvolvido.

Cercadas também por segredos estão as minúcias da construção do chamativo estádio. Antes da intensa escalada dos preços na construção de todas as arenas, em razão de instabilidades do rublo, o custo da obra de Samara já estava muito acima do orçamento inicial. Com muitos atrasos e gastos adicionais, a bela cúpula de vidro cobrindo o estádio é realmente atraente, de qualquer maneira.

O design ousado do Estádio de Samara lembra um centro espacial futurista. (Imagem: Folha PE/Reprodução)

O desenho simples é compensado com os chamativos tons de vermelho e laranja. (Divulgação: Besthqwallpapers)

Arena de Mordovia: Saransk, a sede menos populosa da copa, aproveitou-se da construção do colorido centro poliesportivo, em andamento desde 2010, para consolidar a sua candidatura para receber o evento da Fifa. As cores vistosas são o principal atrativo na arena, já que estruturalmente ela é bem simples.

A cidade, que nunca foi muito apaixonada por futebol, espera que outros esportes e eventos justifiquem o alto custo do estádio. As obras, que foram interrompidas entre 2013 e 2015, sofreram um atraso considerável e, apesar de estarem em andamento desde 2010, só foram concluídas no início do ano.

Em vista de tudo isso, nota-se as várias contradições do governo de Putin e da Fifa durante a realização da Copa da Rússia. As novelas na construção de estádios como os de São Petersburgo e Samara sumarizam muito bem esse legado, infeliz em muitas partes. Em um deboche, o fazendeiro russo Roman Ponomarev construiu uma arena de palha com 673 dólares e, segundo ele, tão útil como os coliseus, futuramente vazios, construídos para a Fifa. Ele acaba repassando a descrença de parte da população com o evento.

Até a arena de palha consegue um público considerável. (Imagem: Independent.ie)

Arquibancada
O Arquibancada é a editoria de esportes da Jornalismo Júnior desde 2015, quando foi criado. Desde então, muito esporte e curiosidades rolam soltos pelo site, sempre duas vezes na semana. Aqui, o melhor de todas as modalidades, de todos os pontos de vista.
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