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Começa em São Paulo a exposição de Salvador Dalí
Eu Fui
01 nov 2014 | Por Jornalismo Júnior

Para a alegria dos milhares de fãs, chega em São Paulo a exposição de Salvador Dalí, no Instituto Tomie Ohtake. Após passar pelo Rio e contar com cerca de 1 milhão de visitantes, a exposição atraiu logo no primeiro dia, na capital paulistana, cerca de 2500 pessoas.

Um dos pontos mais interessantes de toda a exposição é o modo como ela foi elaborada. De forma bastante organizada, as pessoas passam por uma espécie de linha do tempo do autor, já que as obras são colocadas de forma a dar essa impressão. Logo na chegada, estão presentes os primeiros quadros de Dalí, feitos em meados dos anos 1920, antes ainda dele ter adotado o estilo surrealista. Ao final, as últimas obras do pintor, próximo de sua morte na década de 1980, aparecem para dar um desfecho à exposição.

É preciso que você vá com tempo para ver as belas obras de Salvador Dalí. A complexidade e os detalhes de suas produções artísticas requerem atenção e paciência para serem compreendidas. Porém, não é só de produções artísticas de Dalí que a exposição é composta. Estão presentes filmes com participações do pintor, comerciais, programas de televisão, fotos e até capas de revistas em que ele apareceu. Essa diversidade de objetos traz à exposição um caráter mais dinâmico, já que o visitante não precisa ficar observando somente quadros e desenhos de Dalí. É possível sentar-se e assistir trechos de filmes, como Sequência do Sonho de Salvador Dalí, de Alfred Hitchcock, e descansar por alguns minutos, ou então, entrar em uma réplica da sala do pintor com um sofá em forma de boca (Mae West Room) para tirar ótimas fotos à moda surrealista.

Capas de Revista

Ilustrações de livros feitas por Salvador Dalí também marcaram presença na exposição. Alice no País das Maravilhas, Dom Quixote, O velho e o Mar e Fausto são alguns dos exemplos de ilustrações que o pintor realizou, mantendo sempre o seu estilo abstrato e confuso.

alice no pais das maravilhas

Assim como as ilustrações, algumas séries de desenhos também podem ser admiradas pelos visitantes. De um modo diferente cada vez que olhamos, os desenhos aparentam algo que não são, entregando-se somente nos detalhes. A forma excêntrica como Dalí elabora suas obras fica ainda mais evidente nessas suas séries, como Flora Dalínae, Flordalí e Les Fruits.

le fruits 2

Durante essa transição da vida do artista, a exposição mostra como Dalí acaba sendo influenciado por diversas ideias e autores. Salvador Dalí conhece Pablo Picasso após uma viagem a Paris, o que faz com que o pintor passe a adotar, em algumas obras, um estilo cubista sintético picassiano, com o uso de cores com tonalidades mais escuras, como cinza, azul e preto.

Mas uma das principais influências de Dalí é sem dúvida a psicanálise de Sigmund Freud. Após ler uma de suas obras em 1931, o pintor fica fascinado pelas ideias sobre os sonhos, o delírio e o inconsciente, de modo que produção artística de Dalí passa a incorporar ainda mais esse lado abstrato.

Além das ideias brilhantes de Picasso e Freud, Dalí se inspirou por toda sua vida em sua mulher, Gala. Ela, que foi sua musa inspiradora até os últimos anos, morrendo pouco antes de Dalí, aparece em diversas obras do pintor, como O pé de Gala, que é um dos exemplos de suas produções tridimensionais.

o pé de gala

Visitantes de diversas regiões do Brasil também marcam presença nessa exposição de Salvador Dalí. Uma professora de Goiânia diz que precisa vir para São Paulo para apreciar esse tipo de cultura, já que na sua cidade não há tanta diversidade. Assim como diversas outras pessoas, a professora veio em grupo até São Paulo para fazer um tour nas principais exposições da cidade. “Ontem fomos na bienal e hoje viemos aqui. Não podíamos deixar de vir, já que vamos embora ainda hoje de noite” diz a goiana enquanto esperava para entrar na réplica da sala de Dalí.

A exposição, que fica no Institulo Tomie Ohtake na Avenida Brigadeiro Faria Lima, 201, começou no dia 19 de outubro e vai até o dia 11 de janeiro de 2015. A entrada é gratuita e o horário de funcionamento é das 11h as 20h de terça a domingo. As senhas são divididas em três períodos: 11h às 13h30; 14h às 16h30 e 17h às 19h30. Essa divisão é uma ótima maneira de organização, de modo que os visitantes podem retirar suas entradas a partir das 10h da manhã e ir no intervalo do horário que escolheu. Assim, as filas para entrada e a visita à exposição não ficam tão lotadas.

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Por Giovanna Chencci
g.chencci@gmail.com

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