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10 Anos de Aldo x McGregor: O Nocaute Relâmpago que Mudou o MMA

Relembre a luta histórica de 2015, em que Conor McGregor surpreendeu o mundo e conquistou o cinturão dos penas do UFC

Por Giovanna Martini (m.martini@usp.br) e Victória Guedes (victoria.guedes12@usp.br)

Em 12 de dezembro de 2015, há exatos dez anos, o irlandês Conor McGregor escreveu, definitivamente, seu nome na história do UFC (Ultimate Fighting Championship) em uma luta relâmpago contra o brasileiro José Aldo, no MGM Grand Garden Arena em Las Vegas , Nevada.

Pré-luta

A expectativa pelo confronto era enorme. De um lado, o brasileiro José Aldo vinha de uma década de invencibilidade, com 15 vitórias na divisão. Enquanto Conor McGregor, atleta irlandês, surgia como uma estrela em ascensão com vitórias convincentes e, principalmente, seu estilo provocador. A luta era a principal atração do UFC 194 e unificou os títulos de campeão linear (Aldo) e interino (McGregor) do peso-pena.

Parte essencial para o enorme apelo ao evento foram as campanhas de marketing e as provocações de McGregor antes da luta. O irlandês provocou o brasileiro em diversas turnês de imprensa globais, chegando até a “roubar” o cinturão de Aldo em um evento realizado no Brasil, tornando o clima da luta cada vez mais hostil. 

O lutador brasileiro, entretanto, afirmou que as declarações e posturas do irlandês não tiveram impacto em seu desempenho no combate. O investimento na promoção da luta começou meses antes, em julho, quando o confronto foi marcado pela primeira vez. McGregor nunca havia encarado rivais do porte de Aldo em sua carreira, embora acumulasse nocautes contra adversários de nível inferior. 

A derrota para McGregor marcou a primeira vez que Aldo perdeu o cinturão do UFC [Imagem: Reprodução/Youtube/UFC Brasil]

A luta foi marcada para a semana internacional da luta, evento promovido pelo UFC por volta de julho todos os anos. Pouco tempo antes da data marcada, Aldo lesionou a costela e não pode competir na data marcada. Nesse cenário, McGregor disputou o cinturão interino com Chad Mendes, que aceitou a participação na semana do confronto, mas acabou nocauteado. 

A luta contra o Aldo foi remarcada para dezembro. Com esse panorama, o lutador irlandês chegou para a disputa entusiasmando o público, que aguardava ansiosamente o embate histórico entre os atletas. 

O tão esperado combate

A semana da luta foi marcada por uma sequência de grandes confrontos. Foram três dias seguidos de eventos, e, no terceiro, Aldo x McGregor ocupou o posto de combate principal. Muitos brasileiros lutam nesses eventos, mas o que chamou a atenção nesse confronto foi a presença da torcida irlandesa. 

Em entrevista ao Arquibancada, Raphael Marinho, jornalista e produtor de MMA na Rede Globo, comenta sobre o assunto: “eu lembro que o que mais me impressionou, quando eu cheguei em Las Vegas para cobrir esse evento, foi a quantidade de irlandeses que tinha na cidade, todos o tempo inteiro falando da luta, bebendo e festejando”. 

De  um lado o brasileiro José Aldo, considerado imbatível e conhecido pelo Muay Thai, com uma trocação muito forte e boa defesa de queda. Já do outro lado, Conor McGregor, atleta irlandês com a envergadura melhor que a de Aldo, mas limitado técnicamente. Embora houvesse grandes expectativas para o confronto entre os rivais, nem o mais esperançoso irlandês poderia esperar pelo o que McGregor faria dentro do octógono. 

“Foi uma invasão dos irlandeses em Las Vegas para essa luta […] com certeza a luta mais esperada de 2015, uma das mais esperadas da história do MMA”

Raphael Marinho

A luta começou hostil como o prometido e os dois não tocaram as luvas, armando um cenário que prometia ser épico para a batalha. Porém, quando a luta foi autorizada por John McCarthy e os dois se encontraram no centro do tatame, McGregor só precisou de dois golpes para destronar o brasileiro. 

“Foi muito rápido, foi uma mão que entrou, o Aldo caiu e acabou a luta. Coisa que ninguém esperava. Então, a repercussão foi mais num tom de choque, de surpresa, de ver uma lenda sendo derrotada daquela forma tão rápida e fácil do que algo que se esperava”, comenta Marinho. 

Na luta, o irlandês tentou um direito de esquerda e passou longe, porém, quando Aldo armava seu próprio golpe, McGregor acertou em cheio um cruzado de esquerda e o brasileiro caiu duro no chão. McGregor ainda deu um toque na cabeça para garantir a vitória e McCarthy rapidamente interveio. 

Assim, McGregor cumpriu o que disse e destronou José Aldo em uma luta de 13 segundos, se consagrando como o “rei” dos pesos-penas do UFC. “A forma como aconteceu o nocaute tornou tudo maior ainda”, finaliza o jornalista. 

Antes da luta, Aldo estava em uma incrível sequência de 18 vitórias consecutivas [Imagem: Reprodução/Facebook/UFC]

Pós luta

Com o resultado, considerado chocante por muitos, Aldo perdeu o cinturão do UFC depois de um reinado de quase dez anos defendendo seu título com sucesso por sete vezes, com uma das mais longas invencibilidades da história do esporte. Considerado uma lenda do MMA, a derrota do brasileiro foi um golpe pesado para os fãs que enxergavam o brasileiro como imbatível. Embora Aldo tenha continuado sua carreira, a sombra dessa derrota permaneceu sobre ele, “o Aldo depois dali talvez nunca mais tenha sido o mesmo”, afirma Marinho. 

Aldo recuperou o cinturão no ano seguinte, quando enfrentou Frankie Edgar e venceu, reconquistando o cinturão interino dos penas. Apesar disso, o brasileiro não teve a oportunidade de uma revanche contra o irlandês, já que, na época, o UFC optou por dar a McGregor a oportunidade de disputar o cinturão dos leves. 

Após isso, Aldo seguiu sua carreira com vitórias e derrotas, mas enfrentou dificuldades para retomar o domínio que teve antes do histórico confronto contra McGregor. Em 2017, perdeu o cinturão interino para Max Holloway e, embora tenha continuado lutando ao mais alto nível, a perda para McGregor e o reinado de Holloway marcaram um período de transição para Aldo, que tentou a transição para novas divisões de peso mas acabou se aposentando do MMA em 2022, após uma longa e ilustre carreira.

“Ele teve bons momentos e boas lutas depois, ele chega a recuperar o título, mas nunca mais foi dominante como ele foi até aquele momento. E ele nunca conseguiu a revanche que ele queria”

Raphael Marinho

Para McGregor, o nocaute sobre Aldo em 13 segundos o tornou o primeiro lutador da história do UFC a manter dois cinturões simultaneamente – de peso pena e peso leve. O irlandês se consolidou como uma superestrela global do MMA, marcante pela sua personalidade irreverente e provocações em ringue. McGregor não só dominou dentro do octógono, mas também fez com que o UFC se tornasse mais popular, ele ajudou o UFC a atrair novos fãs, tanto em termos de audiência quanto de patrocínios.

“Essa luta foi um divisor de águas para os dois, o McGregor, depois dessa luta, ele nem defende o peso pena, ele sobe pro peso leve, foi a primeira vez que o UFC deixa alguém subir de categoria  mantendo o cinturão, então ele se torna o primeiro duplo campeão da história do UFC”

Raphael Marinho

Após conquistar os cinturões dos penas e dos leves, McGregor não pôde manter ambos por muito tempo, já que o UFC não permitiria que ele seguisse como campeão simultâneo de duas categorias. Assim, ele acabou ficando apenas com o título dos leves, enquanto o cinturão dos penas foi retirado por falta de lutas em defesa do título. Por isso, a revanche entre os dois nunca aconteceu.

Mesmo assim, McGregor enfrentou dificuldades na carreira. Ele perdeu para Nate Diaz em 2016, teve uma luta histórica com Floyd Mayweather no boxe em 2017, na qual foi superado, e acabou sofrendo mais derrotas no UFC. Sua performance no octógono não foi mais a mesma, e sua ascensão ao topo foi seguida de altos e baixos. “A carreira do McGregor no UFC, tudo aconteceu de forma meteórica, tanto a ascensão como depois a queda ”, finalizou Raphael Marinho.

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