Por Rachel Mendes (rachelmmendes@usp.br)
O museu localizado na Mooca abrigou, entre os séculos XIX e XX, cerca de 2,5 milhões de imigrantes que chegavam no estado de São Paulo, a fim de acolhê-los para que pudessem encontrar empregos. Ao longo de seus 91 anos como Hospedaria dos Imigrantes, o museu contemplou a presença de mais de 70 diferentes nacionalidades, como italianos, alemães, portugueses, japoneses, chineses, canadenses, gregos, paraguaios, israelenses, egípcios, tunisianos, entre muitos outros.
Tombado pelo Condephaat e atual patrimônio público, o Museu da Imigração foi inaugurado em 2011 e sua coleção e arquitetura exploram a diversidade étnica no Brasil e a relevância da imigração para a formação da cultura brasileira.

Projetado pelo arquiteto natural de Stuttgart, Matheus Haüssler, o Museu da Imigração acompanhou a tendência arquitetônica de uma cidade de São Paulo em transformação: as construções em alvenaria, típicas do final do século XIX e início do século XX. A erudição e classicismo (como percebidos em seus frisos, molduras e arcos) conferem ao edifício características monumentais, e a presença de inspiração eclética o aproximam dos casarões da elite paulistana daquele tempo.
O jardim do museu sintoniza-se à aparência visual do prédio, marcado pela presença de duas estátuas de inspiração clássica em torno de sua fonte. Ambas, preservadas desde 1900, foram fabricadas pela empresa franco-alemã Villeroy & Boch e alegorizaram a Agricultura, a Arte e os Ofícios.





No ano de 2021, os grupos de pessoas subordinadas ao deslocamento forçado por eventos climáticos drásticos receberam da Organização das Nações Unidas (ONU) o status de “refugiados climáticos”, segundo a Agência da ONU Para Refugiados (ACNUR).
Realizado junto à ONU, o Museu da Imigração contou, entre os anos de 2024 e 2025, com a exposição “Mova-se! Clima e Deslocamentos”. O acervo visa sensibilizar o público sobre a realidade e as dificuldades enfrentadas pelos refugiados do clima – com enfoque nas enchentes no Rio Grande do Sul. São apresentados vídeos oficiais da ACNUR e da Organização Internacional para as Migrações (OIM), peças fotojornalísticas e desenhos e artesanatos feitos por crianças.


A Cafeteria do Museu é marcada por seu estilo arquitetônico e decorativo vintage do século XIX em São Paulo, com inspirações europeias e industriais.



Entre o final do século XIX e o início do século XX, com a abolição da escravatura e a emergência de problemas econômicos na Europa, cafeicultores começaram a contratar imigrantes (em sua maioria italianos) para o trabalho nas fazendas de café. Em busca de empregos, os estrangeiros passaram a laborar dentro dessas propriedades.
O café, então, era distribuído, variando entre a exportação e o mercado interno. Esse processo era realizado por trens conhecidos como “maria-fumaça”. A primeira ferrovia construída em São Paulo foi a São Paulo Railway, que escoava os grãos de café desde a Estação Ferroviária de Jundiaí até o Porto de Santos.

