Por Matheus Andriani (andrianimatheus@usp.br)
No dia 9 de abril chega aos cinemas A Conspiração Condor (2026). O longa, dirigido por André Sturm e escrito pelo próprio cineasta em parceria com Victor Bonini, segue a linha de um thriller político e se passa durante a Ditadura Militar Brasileira. A produção conta com um elenco formado por nomes como Dan Stulbach e Pedro Bial, e parte de uma nova abordagem das versões apresentadas para as mortes dos ex-presidentes Juscelino Kubitschek e João Goulart, ocorridas em 1976.
A trama acompanha Silvana (Mel Lisboa), uma jornalista da coluna de cultura do jornal Notícias de São Paulo. Insatisfeita com a futilidade das pautas que costuma cobrir, ela é enviada ao velório de JK em busca de celebridades que possam contribuir com o seu trabalho. Contudo, o que seria apenas mais uma cobertura ganha outro rumo. Durante o velório, Silvana tem um encontro inesperado com uma mulher que questiona a versão oficial do acidente responsável pela morte do ex-presidente, o que a leva a iniciar uma investigação por conta própria.
Conforme a história avança, o filme aposta em uma construção de suspense baseada no acúmulo de pistas e depoimentos, quase todos interrompidos rapidamente. Pessoas que pareciam dispostas a ajudar a jornalista voltam atrás ou simplesmente desaparecem, o que contribui para um clima constante de desconfiança.

Ao mesmo tempo, o contexto em que o longa se passa é retratado com clareza em toda a produção, principalmente dentro da redação do jornal. A figura do Floriano (Nilton Bicudo), censor do regime militar e amigo da protagonista, reforça esse ambiente de controle constante. Mesmo com a proximidade entre os dois e algumas cenas de descontração, o trabalho dele em favor do regime não deixa o peso daquele período passar despercebido.
Em um intervalo de poucos meses, a morte de Jango acende ainda mais a desconfiança de Silvana. Em busca de respostas, a colunista se une a Marcela (Maria Manoella), sua colega de redação, e Juan (Dan Stulbach), jornalista internacional que conheceu no velório de JK, para avançar na investigação. É a partir daí, que ambos começam a ligar os acontecimentos e considerar que os casos podem estar conectados à formação da Frente Ampla.
A ideia de misturar fatos reais com a investigação fictícia dá ao filme um caminho interessante, principalmente pela forma como desperta a curiosidade do espectador. Junto a isso, o roteiro parece ter sido feito exatamente para imergir o público no tempo em que a trama se passa, e a atuação impecável do elenco principal prende a atenção por transmitir o sentimento de quem viveu a época fora da ficção.
O longa constrói a tensão aos poucos, conforme novas informações surgem e colocam em dúvida o que está sendo veiculado pela imprensa. Esse percurso se desenvolve de forma bem organizada, e aprofunda cada nova etapa do enredo. Isso ajuda a deixar a história fácil de acompanhar, mesmo para quem não tem tanto contato com o período histórico.

[Imagem: Reprodução/@pedrobial]
A produção aborda o cenário político dos anos 1970 com responsabilidade, e remonta o contexto com bastante precisão ao incorporar figuras e situações que fazem parte da narrativa real. A retratação do trabalho jornalístico também se mantém fiel a realidade, e relembra outras produções do mesmo segmento como Todos os Homens do Presidente (1976) e Spotlight: Segredos Revelados (2015).
A Conspiração Condor consegue transformar um recorte da história do país em uma narrativa acessível e sem perder o ritmo de um bom suspense. A forma como os acontecimentos se encaixam ajuda a construir uma experiência que prende a atenção e convida o público a acompanhar cada detalhe da investigação, além de estabelecer no espectador as mesmas desconfianças da protagonista. Para quem gosta de filmes nesse estilo, a produção é uma ótima escolha.

A Conspiração Condor já está em cartaz nos cinemas brasileiros. Confira o trailer:
*Imagem de Capa: Reprodução/Festival do Rio
