Em Além do Homem, Alberto Luppo (Sérgio Guizé) é o típico personagem que na literatura mais popular ‘tem o rei na barriga’. De alguma forma, é um caractere tão pedante que mal começamos e já lhe atribuo duas vitórias: um; conseguiu inserir a palavra pedante em um artigo de cinema. dois; necessariamente precisa ter o sobrenome pronunciado. Não pode, nem deseja, ser simplesmente Alberto.
Porém, como até o momento os melindres de Albertinho não bateram à minha porta para reivindicar tal nobreza, ainda sobra tempo de desconjuntar seu nome e assim tentar dissolver algumas de suas arrogâncias: no mais mineiro dos vocábulos podemos chamá-lo de Albé; e também contar sua história.

Na ânsia de cumprir a pena de desvendar o mistério do francês desaparecido, Beto se embrenha em uma jornada que acaba revelando muito sobre ele mesmo. É forçado a encarar a face de suas origens, uma identidade que sempre se empenhou em sufocar. Em meio a essa saga, permeada por personagens que fazem “tipos sociais” já batidos para grande público, o escritor se encanta por Betânia (Débora Nascimento), mulher de ares místicos que o guia na busca de um autorredescobrimento que encerra ― mas não fecha ― a história.

“O filme, originalmente, se chamava ‘Tudo bom, tudo bem’, fazendo referência a uma expressão brasileira que de certa forma mostra um pouco de nossa resiliência. Se às 06:00 da manhã você pergunta à um francês se está ‘tudo bem’, ele vai dizer que não, não está. Agora, se você faz essa pergunta no Brasil, escuta como resposta um ‘tudo bom, tudo bem’, que ainda vem acompanhado de um ‘graças a Deus’. Porém, com o passar do tempo, o que era, entre parênteses, uma comédia, foi ganhando um caráter emocional e se tornando um filme muito mais íntimo, e eu seria muito bobo se não me aproveitasse dessa intensidade. Até que surgiu a ideia de chamar o filme de ‘Além do Homem’, que resgata uma ideia do Nietzsche em que o homem está em uma escala entre o animal e o super-homem e para se tornar super-homem precisa ir além de suas capacidades. E isso, para mim, passa também por um processo de resgate de identidade, e é por isso que o filme tem esse nome.”
Existem muitas maneiras de destacar os problemas presentes no longa. Seja pelo personagem principal que consegue ser singularmente chato a ponto de contaminar toda a obra ou por outros papéis feitos sob medida para reforçar estereótipos muitas vezes preconceituosos, um dos maiores conflitos do filme é terminá-lo sem saber do que se trata. A alternância entre cenas de comédia forçada e cortes de profundo existencialismo não funciona e nos coloca em um pódio de desvantagens: não desponta sorrisos nem boas reflexões.
O filme chega aos cinemas em 28 de junho, confira o trailer:
por Matheus Oliveira
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