Aos 43 anos, Bridget Jones está novamente sozinha no sofá de seu apartamento, apagando as velinhas de um cupcake de quinta categoria ao som de All By Myself. O terceiro filme da franquia, O Bebê de Bridget Jones (Bridget Jones’s Baby, 2016), pode ser definido como engraçado e meigo, adjetivos clichês para um clichê de comédia romântica.
A personagem só ganhou o tão esperado desfecho, com direito a véu e grinalda, doze anos depois do lançamento do segundo filme O Novo Diário de Bridget Jones (The Edge of Reason, 2004). O longa acaba marcando também o retorno oficial da atriz Renée Zellweger à mídia após seis anos de isolamento. Inclusive, sua aparência no filme refuta a suspeita de cirurgia plástica no rosto, polêmica em 2014, pois apesar de aparecer muito mais magra, suas bochechas são inconfundivelmente a de nossa querida solteirona.
O filme começa com o velório de Daniel Cleaver, o mulherengo interpretado por Hugh Grant. Ele é substituído no elenco por Patrick Dempsey, rosto conhecido pela série Grey’s Anatomy. A mudança no triângulo amoroso não deixa a desejar: Jack Qwant, sim, é competição para Mark Darcy.

A dúvida sobre a paternidade da criança que a protagonista carrega é o centro da história. Fruto de uma noite inconsequente com o charmoso Jack, ou de uma recaída com Mark, ambas com o juízo alterado pelo álcool, a criança – assim como a mãe – é alvo de disputa entre os dois. O roteiro é batido e previsível, mas é inquestionável a reação provocada no espectador: como poderíamos nós escolher entre o amor dos últimos anos e uma nova paixão cativante, sem se sentir, de alguma forma, perdendo parte de si?
Apesar da disputa, a gravidez é levada praticamente sozinha pela protagonista, que deixa de se sentir uma solteirona ao perceber a magnitude do milagre gerado dentro de si. É uma comédia romântica típica, pronta para despertar risos e suspiros, mas não profundas reflexões. Algumas passagens são bem questionáveis, como a estereotipação da banda feminista defendida no tribunal por Darcy, o retrato superficial da experiência da maternidade e a superação abrupta de preconceitos da mãe de Bridget. O desfecho da trama especificamente não deixa a desejar, mas desaponta como longa lançado em 2016, considerando os avanços tidos nas discussões sobre independência da mulher e machismo na última década.

É uma comédia romântica pra ser assistida como tal, sem grandes expectativas de roteiro ou imagem. A trilha sonora é marcante pela atualidade do pop britânico. A própria participação especial do cantor e compositor Ed Sheeran revela a pretensão de alcançar públicos ainda mais jovens, não necessariamente apenas os consumidores fiéis da trama, devido ao longo intervalo entre um filme e outro.
O Bebê de Bridget Jones estreia em 29 de setembro, não deixe de conferir o trailer!
por Aline Melo
alinemartimmelo@gmail.com