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42ª Mostra Internacional de SP: Pedro e Inês
CINÉFILOS
24 out 2018 | Por Jornalismo Júnior

pedro e inês

Este filme faz parte da 42ª Mostra Internacional de Cinema de São Paulo. Para mais resenhas do festival, clique aqui.

Pedro e Inês (2018) reconta uma das histórias de amor e de loucura mais icônicas e conhecidas da humanidade: o romance entre o infante D. Pedro, que viria a se tornar rei de Portugal, e a nobre Inês de Castro. O filme do português António Ferreira, no entanto, está longe de ser documental. Ele se divide em três linhas do tempo que se complementam e se misturam entre si: o futuro rei e a dama de companhia da futura rainha, um arquiteto e sua funcionária recém contratada e o habitante de uma comunidade auto-sustentável e a forasteira que chega em busca de abrigo. Passado, presente e futuro. E um amor que parece reencarnar e estar fadado sempre ao mesmo destino.

As três tramas se intercalam e preenchem as lacunas umas das outras. As personagens são interpretadas pelos mesmos atores independente do momento histórico. Pedro (Diogo Amaral) vive um relacionamento com Constança (Vera Kolodzig), porém sua vida vira de ponta-cabeça ao conhecer Inês (Joana de Verona), por quem se apaixona mais intensamente do que achou ser possível. A história tal qual ocorreu no passado, nos tempos da monarquia portuguesa, é bem conhecida. Após Constança falecer, Pedro foge para se casar em segredo com a dama de companhia por quem havia se apaixonado, e os dois vivem felizes até a morte de Inês por mando do Rei — pai de Pedro. Após perder sua amada, o infante se entrega à loucura e à crueldade, características que marcam seu governo.

Os acontecimentos do presente são narrados por um Pedro que já se encontra num estado mental parecido. Ao descrever seu amor por Inês, ele fala de forma tão apaixonada e verdadeira que é impossível não envolver o espectador. O roteiro do filme poderia ser encadernado e vendido como poesia. O protagonista divaga sobre nosso papel neste mundo, sobre reencarnação, a vida, a morte e, é claro, o amor. Inês fora o motivo de todas as suas ações enquanto viviam juntos e, depois de morta, as lembranças que a envolvem continuam a ser a única coisa que torna sua existência suportável. Os dois amantes parecem condenados a sempre repetir o mesmo ciclo de amor e perda através do tempo.

A trama futurística é a mais fraca (e a que menos aparece) entre as três, talvez por ser também a que mais se afasta da realidade e avança em um futuro ficcional e distópico, no qual os indivíduos retornam ao campo para viver em pequenas comunidades. Mesmo assim, António Ferreira consegue entregar três boas histórias em uma — ou seria uma ótima história dividida em três?

Seja no passado absolutista, no presente como o conhecemos, ou em um futuro quase pós-apocalíptico, um grande amor é capaz de nos fazer ir contra tudo e contra todos, e também perder a razão, no sentido mais literal.

Pedro e Inês faz parte da 42ª Mostra de Cinema de São Paulo. Assista o trailer:

por Fernanda Pinotti
fsilvapinotti@usp.br

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