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A Vida Secreta dos Casais – HBO promete despir tabus na TV
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01 out 2017 | Por Jornalismo Júnior

Sensual. Misteriosa. Instigante. Esses adjetivos conseguem captar os elementos principais da nova produção, totalmente nacional da HBO Latinoamerica, A Vida Secreta dos Casais, série que faz parte do investimento maciço que o canal vem fazendo em produções brasileiras, se tornando o líder entre os canais por assinatura em produzir conteúdo. A estreia da vez traz o trio família Bruna Lombardi e o filho Kim Ricelli como criadores, e Carlos Alberto Ricelli junto com o filho, Kim, assinando a direção. A emissora, focada em atrair o público nacional e conquistá-lo, está com o sinal aberto no fim de semana para a estreia do programa, que vai ao ar domingo, 1 de outubro, às 22h.

Imagem: Divulgação

Além de assinar o roteiro, Bruna Lombardi dá vida à Sofia, dona e terapeuta do Instituto Tantra, que usa terapias alternativas para tratamento dos mais plurais relacionamentos. Numa outra linha narrativa, desconectada com a principal, temos o jornalista político Vicente (Alejandro Claveaux) e a novata Renata (Letícia Colin) que recebem a desinteressante pauta de cobrir a vida do impecável banqueiro filantropo Edgar Eleno Andreazza, e acabam descobrindo uma suja rede de corrupções políticas. Compondo o enredo temos a família Andreazza, que joga muito bem com as aparências e política. Como elemento final temos o detetive Luís, vivido pelo marido de Bruna e um dos diretores, Carlos Alberto Ricelli.

A HBO Latinoamerica aposta alto em uma trama madura e polêmica. Usar os primeiros 10 minutos do episódio em uma longa cena que mergulha no desnudo do Instituto é arriscado e até um pouco cansativo, mas tem o seu porquê didático. Essa ousadia pincela a atmosfera que a produção propõe em “tratar o sexo com a reverência, o respeito e a beleza, e ao mesmo tempo com todas as dificuldades e os desafios nas sua escolhas e identidades sexuais”, diz Kim Richelli. Nesse prólogo, a diversa amostragem de casais pacientes de Sofia tem a proposta de dar espaço na televisão brasileira algo que ainda é visto com preconceito e pudor.

Imagem: Divulgação

Nesse tom energizante de erotismo ela vem cutucar uma temática em polvorosa no país, a corrupção na política. Bruna Lombardi ressalta em entrevista ao Sala 33 a carta branca que a emissora deu para falar abertamente sobre o governo brasileiro. “A gente começou a gravar as primeiras reuniões e estávamos passando pelo grande furacão do impeachment, então isso meio que tava pegando fogo dentro da gente, um prato cheio para dar voz (…) e muito do que a Bruna escreveu bate pra caramba, você se pergunta “ela escreveu antes ou depois?” e foi antes (…) e isso é bem interessante”, diz Alejandro sobre os estudos para o seu personagem, Vicente. Uma sacada curiosa é o uso do sobrenome “Andreazza”, que pertencia à um político que foi Ministro nos tempos de Ditadura, conhecido como Mário Andreazza.

Imagem: Divulgação

É sob esse argumento promissor que o piloto tem lá suas falhas. O ritmo lento deixa a desejar. Cenas que parecem não acrescentar à construção da premissa do episódio inicial são espalhadas nos seu 60 minutos, enquanto conhecemos núcleo por núcleo da série. O ambiente de mistério ganha ponto por nos deixar intrigados quanto ao futuro do enredo e fazer brotar a curiosidade (que com certeza nos levaria ao segundo episódio), mas consegue perder esse ponto por deixar os arcos tão abertos que é difícil estabelecer uma conexão com personagens que não se sabe nada e não são criados para serem naturalmente simpáticos. A personagem de Letícia Colin, Renata, é tão, tão, tão enigmática que seus atos se tornam um grande “quê?” na cabeça do público e não descobrimos nada sobre ela.  O paciente que se envolve com Sofia e é o pivô dos próximos 11 capítulos, é inserido aos trancos e sai de cena aos trancos. Mas qual é mesmo o nome dele?

O aspecto visual também tem seus altos e baixos. O uso de cores avermelhadas e luz quente em todas as cenas do Tantra força demais a tentativa de criar um ambiente sedutor, e cai no clichê. Ao mesmo tempo que a pluralidade de corpos no Instituto tem sua beleza e sensualidade, e triunfa em demonstrar que sexo tem sua delicadeza sem relação com obscenidade.

A Vida Secreta dos Casais pode ter futuro e tem fôlego para os demais episódios. De acordo com o próprio diretor Kim Ricelli, o piloto segue um ritmo mais calmo que os 11 seguintes. E é nesse mergulho de um fôlego só que temos expectativas cautelosas com a produção.

Por Larissa Santos
larissasantos.c@usp.br

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