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As palavras de @akapoeta
Na Estante
22 maio 2018 | Por Jornalismo Júnior

Astronauta, decepção, girassol, sintonia, tatuagem, cafuné. O que essas palavras significam pra você? João Doederlein vira todos os sentidos de cabeça para baixo e os redefine de signos a crush de um jeito que você talvez já tenha pensado, mas nunca colocado pra fora.

Tudo acontece no Instagram do autor, @akapoeta. Diariamente, João posta imagens com redefinições de palavras. Nas rede sociais, a repercussão dos textos foi tomando dimensões gigantescas em pouco tempo. Hoje, com cerca de 686 mil seguidores, a conta continua divulgando o trabalho do autor que parece ter uma criatividade infinita para suas redefinições.

A leitura faz você se sentir um amigo próximo de João e também te permite criar um laço com as descrições do que as coisas são pra ele. Quem nunca pensou em como “o que não te deixa desistir de lutar”?. Parece que tudo o que sabemos, mas não conseguimos expressar, @akapoeta escreveu nesse livro. O transporte público fica mais suave com ele, uma aula chata, uma tarde ensolarada na beira da piscina.

Ao passar das páginas, é possível conhecer um pouco melhor o publicitário de 21 anos que consegue colocar um teor de emoção nas linhas que é difícil de se encontrar por aí. João parece ser um romântico nato e que cultiva sentimentos por uma musa que aparece em vários poemas. Sempre de um jeito triste, com um tom de abandono e desesperança no relacionamento deles dois. Será que é por isso que nos encontramos tanto nas frases dele?

Outro ponto de convergência que muitos leitores podem encontrar são os relatos de transtorno de ansiedade que o autor sempre se encontra. Ansiedade: “é sentir que meu pulmão ficou três vezes menor” é uma definição que quem já teve uma crise do pânico se identifica facilmente.

É interessante pensar em como esse tipo de poesia só é possível por causa das redes sociais. O poder que elas têm de alastrar imagens e textos com uma alta velocidade é incomparável. De um like a outro, o texto de João se tornou febre entre os jovens que parecem sentir o romantismo mais do que qualquer outra faixa etária. Outro exemplo desse tipo de texto é o perfil textos cruéis demais para serem lidos rapidamente, que recentemente, assim como o livro dos ressignificados, teve uma coletânea impressa com suas melhores produções.

Uma leitura muito recomendável. É impossível não se reconhecer em pelo menos metade do que é redefinido nessas páginas e não se sentir tocado pela sensibilidade de cada relato. Perfeito para ler, reler, dar de presente e daqui uns meses ler tudo de novo em uma sentada.

Do jeito que andam as redes sociais, dá para esperar o segundo volume, esperançosamente, mais uns 30 para a gente poder se redefinir.

Por Giovana Christ
giovanachrist@usp.br

 

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